Como foi formado o Unisonic, projeto que reuniu Michael Kiske e Kai Hansen

Olhando em retrospecto, é impossível não pensar na banda como uma espécie de "aquecimento" para a reunião do Helloween

Em 2009, uma reunião de integrantes clássicos do Helloween sequer era cogitada, o que ajuda a entender o tamanho do “barulho” feito pelo Unisonic e sua criação. O projeto trouxe o vocalista Michael Kiske e o guitarrista Kai Hansen, à época ex-integrantes da famosa banda de power metal, além do baixista Dennis Ward e do baterista Kosta Zafiriou, ambos do Pink Cream 69, e o guitarrista Mandy Meyer, que havia tocado com Asia, Gotthard e Krokus.

A principal expectativa girava em torno da volta de Kiske aos palcos e ao heavy metal de um modo geral. Ao lançar alguns trabalhos solo e gravar projetos mais voltados ao hard rock, como o Place Vendome (onde conheceu Ward e Zafiriou), o cantor havia se afastado do gênero que o consagrou, com exceção das participações com o Avantasia – de início, usando até um pseudônimo para não ser identificado.

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O megaprojeto de Tobias Sammet, por sinal, também seria importante na formação do Unisonic ao ajudar a fixar a última peça no quebra-cabeça.

A formação do grupo se deu de forma bastante fluida. Um grande acerto por parte de todos os envolvidos, embora a banda não esteja mais em atividade.

A união sonora

A ideia inicial do que viria a ser o Unisonic surgiu logo após o lançamento de “Streets of Fire” (2009), o segundo álbum do Place Vendome. Michael Kiske, Dennis Ward e Kosta Zafiriou decidiram formar um novo projeto e o baixista trouxe também Mandy Meyer, tornando a banda assim um quarteto.

Zafiriou foi o responsável pela criação do nome, como contou Kiske ao Metal Assault em 2012.

“Tínhamos dois nomes contendo as palavras Unison e Sonic. Kosta, que estava me dizendo esses dois nomes, só juntou os dois e surgiu Unisonic. Achei ótimo! É uma palavra nova e você pode ler as palavras Unison e Sonic, ou como ‘Sonicamente Universal’. E tem um significado. É sobre fazer música em uníssono, de alguma forma.”

A estreia nos palcos se deu em 2010, com alguns shows na Alemanha e em festivais europeus, no que também marcou a volta de Michael Kiske às apresentações ao vivo. O vocalista não fazia shows desde 1993, quando deixou o Helloween – excluindo-se novamente algumas participações com o Avantasia. E foi em uma delas que o Unisonic terminou de ganhar forma.

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A chegada de Kai Hansen

Ainda em 2010, Michael reencontrou um velho amigo que também estava envolvido com o Avantasia: Kai Hansen, que na época liderava apenas o Gamma Ray. Em entrevista ao Metal Forces, Kiske falou um pouco sobre como surgiu a ideia de trazer Hansen para o Unisonic, algo que cairia como uma luva.

“Fizemos um show em Tóquio, um no México, um no Brasil, um na Argentina, e tocamos na Suécia, Suíça e Alemanha, claro. Foi uma grande viagem, mas havia uma química muito, muito boa entre eu e Kai, da qual eu tinha quase me esquecido. Começamos a conversar nos bastidores: ‘nós devíamos fazer algo juntos de novo, porque parece ser o certo a se fazer’. Não sabíamos como, mas nessa época, o Unisonic não veio à mente.”

A entrada de Kiske para o Gamma Ray chegou a ser cogitada, mas ele próprio considerava o material da banda muito pesado para o seu gosto. Os dois não queriam começar um projeto do zero, então foi definido que o Unisonic seria a nova casa de Kai Hansen – para a felicidade dos fãs do Helloween.

Com a chegada do segundo guitarrista, muito do material que o então quarteto vinha trabalhando finalmente ganhou forma. Para o cantor, a experiência do guitarrista como compositor ajudou a “enxugar” muito do que vinha sendo produzido, o que deu propósito ao Unisonic.

“Kai tem um talento para acertar as coisas e levá-las ao básico, jogar fora coisas inúteis. Acho que praticamente todas as músicas ganharam muito depois que ele entrou na banda. É apenas minha opinião pessoal. Talvez haja pessoas que não vejam essa mudança tão dramática quanto eu vejo, mas eu realmente acho que Kai é uma grande adição ao Unisonic.”

A dupla que manteve a amizade ao longo dos anos 1990 e 2000, mesmo já fora do Helloween, fez sua estreia nos palcos em 2011. No ano seguinte, o Unisonic faria também sua estreia em estúdio, agradando bastante aos fãs dos tempos áureos do Helloween e também dos trabalhos mais recentes dos envolvidos, mais puxados para o hard rock.

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Da estreia ao apagar das luzes

Em janeiro de 2012, o Unisonic lançou o EP “Ignition”, trazendo quatro faixas. Duas delas estaria presentes no álbum de estreia homônimo, lançado mais tarde no mesmo ano, além de uma demo e de um cover de “I Want Out”, hit do Helloween, que não poderia deixar de aparecer em algum momento na discografia do grupo.

Poucos meses depois, em março, o primeiro disco chegou a público. Ao todo, eram doze faixas compostas pelo grupo, em especial por Dennis Ward e Kai Hansen, que se dividiram em boa parte do processo criativo. Apenas uma música, “No One Ever Sees Me”, foi criada por Michael Kiske, enquanto Mandy Meyer colaborou com a faixa-título e “Souls Alive”.

A banda seguiu em 2014 com mais um EP, “For the Kingdom”, e um novo álbum, intitulado “Light of Dawn”. Mas em 2016 viria o primeiro desfalque: Kosta Zafiriou se aposentou das baquetas, ficando apenas na posição de empresário do grupo, que já ocupava desde o início. Seu substituto na bateria foi Michael Ehré.

No ano seguinte, o Unisonic ainda lançou um álbum ao vivo “Live in Wacken”, antes de encerrar suas atividades de maneira extraoficial. O grupo nunca anunciou seu fim, mas Kiske e Hansen se envolveram com a reunião do Helloween – algo que parecia impensável quando o Unisonic foi criado – e permanecem na banda até hoje.

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André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Interessado em música desde a infância, teve um blog sobre discos de hard rock/metal antes da graduação e é considerado o melhor baixista do prédio onde mora. Tem passagens por Ei Nerd e Estadão.

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