Coincidência? Maldição? A trágica morte de Buddy Holly e o desenrolar incomum de fatos desencadeados

Rescaldo do acidente aéreo que também vitimou Ritchie Valens e The Big Bopper trouxe série de acontecimentos que deu origem à lenda conhecida como “A Maldição de Buddy Holly”

Em 3 de fevereiro de 1959, um acidente aéreo vitimou os músicos Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper. O acontecimento é lembrado como “O Dia Em Que A Música Morreu”, referência à letra da música “American Pie”, de Don McLean.

O rescaldo da tragédia trouxe uma série de acontecimentos que deu origem a uma lenda conhecida como “A Maldição de Buddy Holly”. O astro e sua esposa, Maria Elena, tiveram sonhos premonitórios nos dias que antecederam o acidente. Mas o pior veio a seguir.

Para situar o leitor, vamos estabelecer uma espécie de fio condutor dos fatos.

A Maldição de Buddy Holly

  • Maria Elena soube da morte do marido pela televisão. Grávida, sofreu um aborto espontâneo com o choque. A partir de então, a polícia americana proibiu que nomes de vítimas fatais em acidentes fossem divulgados antes de a família saber, procedimento hoje adotado em todo o mundo.
  • Lançada após sua morte, a última música de Buddy Holly se chamava “It Doesn’t Matter Anymore” (Não Importa Mais).
  • Em homenagem aos amigos, Eddie Cochran – que quase participou da turnê – lançou a música “Three Stars”. Ele morreu no ano seguinte, em um acidente de carro.
  • A turnê continuou e o cantor Ronnie Smith foi contratado para substituir Buddy Holly. Em 1962, ele cometeu suicídio no banheiro de um hospital no Texas, onde tratava sua dependência química.
  • O The Crickets, banda de apoio de Holly, encontrou um novo vocalista em David Box. Ele também faleceu em um acidente aéreo em 1964, aos 22 anos, mesma idade com que Buddy morreu.
  • Bobby Fuller era um cantor e fã, muito inspirado por Buddy Holly. Ele enviou uma demo aos pais do músico, que repassaram a empresários. Seu maior hit foi “I Fought the Law”, composta por Sonny Curtis, um dos Crickets. Bobby foi assassinado em 1966, em um crime nunca solucionado.
  • Em seu último álbum, “Gunfight at Carnegie Hall”, o cantor Phil Ochs homenageou Buddy Holly, executando um medley de suas músicas. Três anos depois, em uma briga, foi estrangulado e suas cordas vocais danificadas de forma irreversível. Deprimido, cometeu suicídio logo a seguir.
  • Em 1977, um filme sobre a vida de Buddy Holly, “The Buddy Holly Story”, foi lançado. Indicado ao Oscar, o protagonista Gary Busey sofreu um acidente de moto que quase lhe custou a vida. Pouco antes do lançamento, o roteirista Robert Gittler se matou.
  • O baterista Keith Moon (The Who) morreu após assistir o filme de Buddy Holly na companhia de sua namorada Annette, além de Paul e Linda McCartney, em Londres. Ele voltou para casa, dormiu e não acordou mais.
  • No carro em que morreu Marc Bolan (T-Rex), em 1977, foi encontrado um broche com a frase “Every day is a Holly day”.
  • A última gravação de Ricky Nelson foi uma versão para “True Love Ways”, de Buddy Holly. Em seu último show, realizado dia 30 de dezembro de 1985 em Guntersville, Alabama, encerrou o set com “Rave On”, também de Holly. Ele morreu na manhã seguinte, em um acidente aéreo.
  • No dia que o desastre completou 31 anos, em 1990, Del Shannon realizou um show com o The Crickets no mesmo local do último de Buddy, o Surf Ballroom, em Clear Lake, Iowa. Cinco dias mais tarde, se matou com um tiro de espingarda.
  • Para encerrar, em 1958, Buddy Holly fazia uma turnê pela Inglaterra. O produtor e engenheiro de som John Meek foi a uma cartomante e recebeu a mensagem: “February Third, Buddy Holly dies” (3 de fevereiro, Buddy Holly morre). A informação foi repassada, mas o músico não deu bola.
  • E o próprio John Meek cometeu suicídio posteriormente, após assassinar a proprietária da casa que alugava. A data? Um 3 de fevereiro, no ano de 1967.

Sobre o músico

Nascido em Lubbock, Texas, Charles Hardin Holley pertencia a uma família de músicos, aprendendo a tocar guitarra com os irmãos inspirado pela música country, gospel e R&B.

Foi figura central no desenvolvimento do rock and roll, fazendo sucesso a partir da metade dos anos 1950 acompanhado pela banda The Crickets. É considerado o pioneiro na definição do formato tradicional de duas guitarras, baixo e bateria para o estilo. Liricamente, também trazia uma abordagem mais sofisticada em comparação a seus contemporâneos, oferecendo canções mais reflexivas e introspectivas.

Filme A História de Buddy Holly (dublado)

Documentário “O Dia Em Que A Música Morreu” (com locução e legendas em português)

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