Após mais de quatro décadas na ativa, o Sepultura está cada vez mais perto de se despedir dos palcos. A maior banda brasileira de metal realizará o último show de sua turnê de despedida no próximo dia 7 de novembro, no Suhai Music Hall, em São Paulo. A apresentação final já está com ingressos esgotados.
O Sepultura foi fundado em 1984 na cidade de Belo Horizonte pelos irmãos Max (voz e guitarra) e Iggor Cavalera (bateria). Paulo Jr. (baixo) se juntou logo na sequência, enquanto Andreas Kisser (guitarra) entrou em 1987. Com seu terceiro álbum, “Beneath the Remains” (1989), lançado pela Roadrunner Records, a banda começou a conquistar uma trajetória de sucesso a nível global — continuada na década de 1990, com os seguintes “Arise” (1991), “Chaos A.D.” (1993) e “Roots” (1996).
Ainda em 1996, Max Cavalera anunciou sua conturbada saída do grupo e foi substituído no ano seguinte pelo vocalista Derrick Green. A troca é vista pelo público como o início de um novo período para a banda, especialmente com as mudanças feitas em sua discografia a partir daí. Iggor Cavalera, por sua vez, deixou a formação em 2006. Além de Green, Kisser e Paulo, a formação final conta com Greyson Nekrutman na bateria.

Em 2024, ano inicial da turnê de despedida “Celebrating Life Through Death”, a Metal Hammer conversou com Derrick Green e Andreas Kisser e pediu para a dupla eleger as cinco músicas que definem o grupo. Confira as faixas escolhidas abaixo.
As 5 músicas que definem o Sepultura, segundo Andreas Kisser e Derrick Green
1. “Inner Self” (“Beneath the Remains”, 1989)
Andreas: “‘Beneath the Remains’ foi o primeiro álbum que fizemos pela Roadrunner, e ‘Inner Self’ foi nosso primeiro videoclipe produzido no Brasil, por causa da demanda. Fomos pegos de surpresa, porque foi a Roadrunner quem entrou em contato conosco perguntando se faríamos um videoclipe! Não esperávamos. Fizemos o vídeo no Brasil, com alguns amigos. É algo bem caseiro, e foi ótimo! Ele passava no Headbanger’s Ball [da MTV americana] e em programas do tipo. ‘Beneath the Remains’ causou um impacto que nem a própria Roadrunner acreditava que pudesse acontecer.”
2. “Territory” (“Chaos A.D.”, 1993)
Andreas: “‘Territory’ é uma das nossas maiores músicas. Acho que ela representa as vibrações brasileiras que estávamos trazendo para a música de maneira mais intensa. Acredito que a abertura, com a parte de bateria criada por Iggor [Cavalera], seja uma mistura fantástica de heavy metal com hardcore e ritmos brasileiros.”
Derrick: “Acho que ela teve o impacto mais forte em mim porque trazia elementos de hardcore que eu nunca tinha ouvido no Sepultura. Era muito diferente de ‘Arise’ e de ‘Beneath the Remains‘. Aquele álbum realmente me atraiu e também chamou a atenção de muitos dos meus amigos na época em que foi lançado. Despertou muito interesse, especialmente pelas letras. Sinto que teve um impacto maior porque falava de questões sociais.”

3. “Roots Bloody Roots” (“Roots”, 1996)
Andreas: “Essa tem que estar aqui, certo? Haha! É o álbum em que mergulhamos de vez na direção brasileira, com a participação da tribo Xavante [em ‘Itsári’] e os vocais convidados de Carlinhos Brown [em ‘Ratamahatta’]. A música que abre o álbum representa muito bem isso: a letra, nossas origens e a maneira como retratamos o mundo enquanto brasileiros. Não tínhamos medo de trazer esses elementos para a música. Trabalhar com [o produtor] Ross Robinson foi assim: ele sempre nos incentivava a cometer erros. Quando errávamos, ele ficava feliz, porque estávamos rompendo limites.”
4. “Kairos” (“Kairos”, 2011)
Andreas: “Acho que ‘Kairos’ representou um novo capítulo na carreira do Sepultura. Fizemos os álbuns ‘Roorback’ e ‘Dante XXI’ e, depois, ‘A-Lex’, durante um período de mudanças na bateria. Foi uma fase muito difícil da nossa carreira. Lembro que eu, Derrick e um dos nossos empresários fomos jantar com Markus Staiger, que na época era o dono da Nuclear Blast. Ele foi muito direto conosco e disse: ‘Cara, vocês são o Sepultura! Não são o Pink Floyd! Não façam músicas de 12 minutos nem álbuns conceituais’, porque vínhamos daquele universo. Para nós, foi uma revelação. Passamos a fazer algo um pouco mais cru.”

5. “Guardians of Earth” (“Quadra”, 2020)
Derrick: “Quando Andreas me enviou a parte de guitarra, a coisa fez sentido para mim muito rapidamente. Consegui visualizar tudo sem nem sequer conversar com ele. Com toda aquela introdução, eu só ficava imaginando a floresta tropical. E sempre quis ouvir Andreas tocando mais de maneira acústica, porque é algo que ele sempre fez e que poderia ser incorporado à música do Sepultura, já que é uma parte importante da personalidade dele. Minha reação foi: ‘É exatamente nessa direção que temos que seguir!’.”
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