A história da biografia de Ace Frehley que Gene Simmons contesta

No livro "Não Me Arrependo" (2011), saudoso guitarrista relembra duas ocasiões em que baixista e vocalista salvou sua vida; segundo o Demon, porém, nem tudo é verdade

Ace Frehley trouxe diversas histórias inusitadas em sua autobiografia, “Não Me Arrependo” (2011). Há até mesmo relatos de dois episódios em que Gene Simmons teria salvado sua vida.

Segundo o saudoso guitarrista, a primeira ocasião ocorreu em um hotel em Atlanta, nos Estados Unidos. O músico relembrou que havia exagerado na bebida e que acabou se afogando na piscina do local, sendo resgatado pelo baixista e vocalista, que fez um curso de salva-vidas na juventude:

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“Quase me afoguei. Duas vezes, na verdade. De forma curiosa, dada a nossa relação de amor e ódio, Gene Simmons me socorreu. O primeiro incidente aconteceu numa piscina de hotel em Atlanta. Era um dia de folga, na estrada, e estávamos reunidos à beira da piscina, tomando banho de sol e curtindo a vida. Tomei muitas cervejas naquela tarde e não deveria estar nadando. Por nenhum motivo em particular, enquanto eu estava caminhando na parte funda da piscina, eu me lembrei de um velho e engraçado episódio do Pernalonga. Aquele em que ele está se afogando de forma dramática: ele está embaixo d’água erguendo um dedo. Então ele volta para a superfície e desce de novo, desta vez erguendo dois dedos… e depois três. Eu me lembrei disso e comecei a rir tanto que comecei a engolir água. De repente, eu estava tossindo, cuspindo e tentando respirar. E então afundei […]. Gene, sóbrio como sempre, percebeu que eu estava com problema e, em segundos, pulou na piscina e me arrastou para a superfície. Depois ele me puxou para o deck da piscina e comprimiu meu peito até a água sair. Acontece que Gene foi um salva-vidas certificado quando era mais jovem. Quem adivinharia? Nunca vou me esquecer da ressaca com que acordei na manhã seguinte e do terrível gosto de cloro na boca.”

Simmons, porém, afirma que a versão não é totalmente fiel aos fatos. De acordo com o músico, quem foi resgatado na ocasião foi o baterista Peter Criss, e não Frehley, que estava “desacordado ao lado da piscina” e nem sequer sabia o que havia acontecido.

Ao podcast Behind the Curtain da EPIC Event Center, o Demon revelou que chegou a contestar o próprio Spaceman a respeito. Conforme transcrição do Blabbermouth, ele disse:

“Ace me pediu para ler [a biografia dele] e perguntou: ‘me diga se essa história é verdade, porque não me lembro de todas essas coisas’. E eu respondi para ele: ‘Está 99% certa, mas, bem, não era você. Era Peter Criss. Você estava desacordado ao lado da piscina. Nem sequer sabia que aquilo tinha acontecido’.”

Por outro lado, Simmons confirmou que realmente evitou uma tragédia no dia em Frehley adormeceu em uma banheira. Ao notar que saía vapor por baixo da porta do quarto do guitarrista e que ninguém respondia, o baixista arrombou a porta com a ajuda de um integrante da equipe da banda.

No livro, Frehley contou:

“Tomei vários tranquilizantes para relaxar e, mergulhado na água quente, cochilei. Infelizmente, eu tinha me esquecido de desligar a água e, em pouco tempo, a banheira começou a transbordar e inundou o quarto (para o desgosto da gerência do hotel). Gene deve ter tido uma premonição naquela noite, já que ele normalmente estava muito ocupado entretendo uma ou duas adoráveis mulheres em seu quarto, mas, para minha surpresa, ele irrompeu pela porta com um segurança e me puxou para fora da banheira, com a bunda de fora, um pouco antes de o nível da água na banheira chegar nos meus lábios!”

Sobre Ace Frehley

Nascido no Bronx, em Nova York, Paul Daniel Frehley começou a tocar guitarra ainda na infância, incentivado pela família. Participou de uma série de bandas amadoras entre o final dos anos 1960 e início dos 1970s.

A consagração veio quando se juntou ao Kiss. Esteve presente em dois momentos, entre 1972 e 1982, regressando em 1996 e ficando até 2002. Criou o personagem Space Ace, além de ter desenhado o logotipo da banda. É até hoje o membro preferido de uma parte considerável dos fãs.

Na segunda metade dos anos 1980 comandou o Frehley’s Comet, que lançou dois discos de estúdio e teve repercussão mediana junto ao público. Deixou oito álbuns solo, incluindo o lançado em 1978, quando ainda estava na banda que o tornou famoso. O mais recente, “10,000 Volts”, saiu no início de 2024.

Faleceu no dia 16 de outubro de 2025, aos 74 anos, semanas após ter sofrido uma queda em casa.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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