O que diz Jim Root sobre Marilyn Manson estar em turnê com Slipknot

Banda e cantor, alvo de uma série de acusações de abuso sexual, excursionarão juntos pela América do Sul em 2027

O Slipknot excursionará com o Marilyn Manson. Na última segunda-feira (28), a banda anunciou uma turnê conjunta pela América do Sul em 2027 com o cantor, alvo de diversas acusações de abuso sexual de mulheres que se relacionaram ou trabalharam com ele.

Devido ao cenário, a escalação, que também acontecerá no festival brasileiro The Town, gerou controvérsia. Perguntado a respeito nas redes sociais, Jim Root mostrou o seu ponto de vista e defendeu-se. 

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Na seção de comentários de uma postagem no Instagram, um fã destacou que estava “animado para que vocês possam fazer novamente o que vocês querem fazer, sem a pressão da gravadora e das empresas”, em relação ao próximo disco, mas que ficou “chateado com a possibilidade de o Kublai Khan TX e o Manson estarem perto de vocês, porém entendo que talvez isso não dependa apenas de vocês”.

Em resposta, o guitarrista afirmou que fica “de fora da parte logística das turnês” e que “outras pessoas cuidam da organização”. Além disso, justificou que não está atento aos novos artistas e à cena atual, o que o deixa ainda com menos poder em uma decisão como a escolha de uma atração de abertura, e que os fãs podem seguir apoiando o Slipknot ou cair fora.

Ele escreveu:

“Nunca tivemos um cara de A&R no nosso ouvido, sugerindo que fizéssemos isso ou aquilo. Uma vez, durante uma visita aos escritórios da Warner em Nova York, conheci o chefe da gravadora. Ele falou sobre ‘trazer compositores de fora’ e eu simplesmente respondi: ‘Não. Não é assim que fazemos as coisas’. E o assunto morreu ali. ‘The End, So Far’ (2022) foi um processo desconexo e uma bagunça. Algumas coisas boas saíram dali, mas, no geral, a covid e a situação do mundo tornaram tudo muito difícil para nós, além de outras circunstâncias.

Eu fico de fora da parte logística das turnês e dessas coisas. Me concentro em compor e em ser guitarrista. Então me desculpem pela minha ignorância sobre com quem fazemos shows. Há outras pessoas, com cérebros muito maiores que o meu, que cuidam de toda essa organização. E, sinceramente, eu não acompanho bandas novas, músicas novas e coisas do tipo. Continuo preso às mesmas músicas que meus pais ouviam quando eu ainda estava me formando como um pequeno ser humano. E, de propósito, não escuto nem presto atenção no que está ‘em alta’ ou no que está acontecendo no momento, justamente para não ser influenciado por nada. Se alguém faz parte da família, vai seguir conosco nessa jornada que começou há mais de 26 anos, antes mesmo de eu fazer parte dessa história. Se não, tchau. E, dito isso, estou atrasado para o estúdio. Falamos depois.”

Vale mencionar que os processos contra Manson começaram em 2021. Anteriormente, o artista e o Slipknot excursionaram juntos em 2016. À época, o vocalista Corey Taylor declarou para a revista Rolling Stone:

“Eu amo a música dele. Eu amo o que o [Manson] representa. Mesmo que isso tenha mudado um pouco nos últimos anos, gosto do fato de que ele ainda tenta ultrapassar limites e realmente busca ampliar o que é capaz de fazer. Até hoje, acho que ‘Antichrist Superstar’ é um dos melhores álbuns já feitos. Não estou falando apenas de metal, rock ou qualquer coisa do tipo. Estou falando de álbuns, ponto final. E é um daqueles discos que consigo ouvir do começo ao fim todas as vezes. Não pulo músicas. Não vou direto para aquelas que quero ouvir. Na verdade, nem ouço muito os singles. Ouço esse álbum do começo ao fim porque ele continua tão relevante hoje quanto era quando foi lançado.”

Acusações contra Marilyn Manson

A leva de acusações contra Brian Warner, que usa o nome artístico Marilyn Manson, foi iniciada em fevereiro de 2021. A atriz Evan Rachel Wood o identificou como o homem que ela dizia, em situações anteriores, tê-la submetido a anos de abuso.

Outras mulheres se manifestaram imediatamente. Nos meses seguintes, a imprensa contabilizou pelo menos 16 pessoas com diferentes tipos de acusações, como estupro, abuso sexual e violência física e psicológica.

Publicamente e à Justiça, Manson negou as alegações e apontou a existência de uma campanha para acabar com sua reputação.

Entre as várias mulheres que fizeram acusações, cinco moveram processos civilmente contra o artista: Esmé Bianco, Ashley Walters, uma ex-namorada anônima, Ashley Morgan Smithline e Bianca Allaine Kyne (que havia iniciado sua movimentação jurídica de forma anônima). Os destinos foram diferentes: dois acordos extrajudiciais (Bianco e mulher anônima), uma desistência processual seguida de retratação (Smithline), uma ação ainda em andamento (Walters) e outro litígio dividido entre Nova York e Louisiana (Kyne). Evan Rachel Wood não moveu ação — na verdade, ele a processou por, entre outras coisas, fabricação de acusações, mas em meio a uma derrota parcial na Justiça, desistiu em novembro de 2024 e pagou cerca de US$ 327 mil pelos honorários advocatícios de Wood.

Paralelamente, uma investigação criminal de quatro anos terminou em janeiro de 2025 sem denúncia. A promotoria de Los Angeles, nos Estados Unidos, informou que não formalizaria acusações criminais contra Marilyn Manson.

As autoridades afirmam que uma parte das denúncias está prescrita. Outras acusações não tiveram comprovação. Promotoria é quem representa os interesses legais do Estado e do público em geral perante os tribunais, investigando crimes e apresentando denúncias. Isso não equivale a uma decisão judicial de que as acusações eram falsas.

Slipknot no Brasil

A organização do The Town anunciou que Slipknot e Marilyn Manson virão ao festival em 2027. Ambos se apresentam em 4 de setembro, no palco Skyline.

Agora em sua terceira edição, The Town está marcado para ocorrer nos dias 4, 5, 6, 11 e 12 de setembro de 2027, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. O evento é uma realização dos mesmos responsáveis pelo Rock in Rio.

A visita mais recente do Slipknot ao Brasil havia ocorrido em outubro de 2024, para dois shows em seu festival próprio, Knotfest. Na ocasião, a banda ofereceu dois sets: o primeiro com clássicos variados e o segundo, trazendo a execução na íntegra de seu álbum de estreia, homônimo, numa celebração do 25º aniversário de lançamento.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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