Lemmy Kilmister não gostava de políticos. O saudoso vocalista e baixista do Motörhead tem um famoso discurso em que diz que todas as figuras políticas “irão roubar sua grana e aumentar os impostos, não importa o que digam, estão sempre mentindo”.
Em variadas ocasiões, o cantor expressou a opinião. Ao The Pitch em 2006, por exemplo, o próprio deixou claro que odiava “todos os políticos por definição, se alguém quer ser político, já há um grande ponto de interrogação sobre essa pessoa”.
Com a aproximação do segundo turno da eleição presidencial no Brasil, o argumento do músico ganhou força nas redes sociais. Moyses Kolesne, porém, acredita que a ideia não vale para o cenário atual do país.
Por meio da seção de comentários de uma postagem no Instagram, o guitarrista do Krisiun deixou clara a admiração por Lemmy, mas afirmou que a vivência do integrante do Motörhead era completamente diferente. Ao seu ver, aplicar a mesma lógica do cantor na atual conjuntura nacional “expõe uma profunda dissimulação e dissonância cognitiva diante do vira-latismo e do falso estrangeirismo” (via Whiplash):
“Para os metaleiros que importam discursos como o de Lemmy Kilmister sobre política (sou muito fã dele também, não se enganem) – um homem branco, britânico, moldado pela realidade do Reino Unido -, vale lembrar: essa retórica não explica nem sustenta a vivência do brasileiro em sua maioria pardo, miscigenado, colono, inserido em um país subdesenvolvido, historicamente assolado pelo extrativismo e pela corrupção. Importar esses discursos sem filtro expõe uma profunda dissimulação e dissonância cognitiva diante do vira-latismo e do falso estrangeirismo.
Foram quase quatro séculos de escravidão, mais de um século de hegemonia da direita e décadas de ditadura militar. Em nossa história, tivemos apenas duas décadas de projetos políticos genuinamente comprometidos com a soberania nacional, o combate à fome e o fortalecimento da saúde e da educação públicas. Hoje, essas conquistas voltam a estar sob grave risco diante do avanço do extremismo evangélico fundamentalista, de políticos associados a milícias, da corrupção, da entrega dos recursos patrimoniais e do desrespeito explícito aos territórios indígenas e nativos. O alerta é urgente: o Brasil precisa acordar enquanto há tempo.”
Já na publicação, Kolesne manifestou apoio ao presidente Lula e criticou o oponente Flávio Bolsonaro. Ele escreveu:
“Bolsonarismo não é direita, é egocentrismo, uso ilícito do poder, manipulação da verdade. É maquiavelismo, psicopatia funcional, narcisismo político, messianismo e falta de empatia. Vê a população não como cidadãos com necessidades reais, mas como espectadores ou instrumentos para atingir seus próprios objetivos de poder e prestígio, traidor, lesa pátria, Quando confrontado por falhas ou escândalos, adota a postura de vítima de uma suposta perseguição do sistema, da imprensa ou de inimigos ocultos.
É corrupção, trata os recursos e o patrimônio do estado como extensão de suas finanças pessoais ou do seu grupo de apoio. Utiliza cargos públicos para enriquecimento ilícito, nepotismo, propinas e favorecimento de aliados contratuais em troca de financiamento e apoio. É desestruturação dos controles, tenta ativamente enfraquecer ou aparelhar órgãos de fiscalização, poder judiciário, controladorias e a imprensa livre para garantir a impunidade. É mentira sistemática, manipulação, mitomania política (mentira compulsiva), não apenas para esconder crimes, mas para reescrever a realidade a seu favor.
É gaslighting coletivo faz a população duvidar de fatos evidentes, dados estatísticos. É ineficiência e desperdício de recursos públicos que deveriam ir para saúde, educação e infraestrutura e que são desviados ou mal geridos devido a interesses pessoais.”
Sobre o Krisiun
Formado em 1990 na cidade gaúcha de Ijuí, o Krisiun conta com os irmãos Alex Camargo (baixo e vocais), Moyses Kolesne (guitarra) e Max Kolesne (bateria). Com o passar do tempo, se estabeleceu como uma das principais forças do death metal mundial, angariando uma fiel base de fãs no exterior.
“Mortem Solis”, 12º e mais recente álbum, foi disponibilizado em 2022. As gravações ocorreram em São Paulo, no Family Mob Studios. Já mixagem e masterização ficaram a cargo de Mark Lewis (Kataklysm, Deicide, The Black Dahlia Murder), sendo realizadas em Nashville, Tennessee, Estados Unidos. A arte de capa é de Marcelo Vasco (Slayer, Venom, Dark Funeral).
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