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Forte carisma de Zakk Wylde consagra show do Black Label Society no Rio

Das baladas às canções pesadas — passando até por pequenos problemas técnicos —, banda comandada pelo lendário guitarrista entregou forte apresentação

Zakk Wylde é uma das figuras mais icônicas do heavy metal. Os cabelos ao vento, a barba e as roupas espalhafatosas são marcas registradas de sua persona. Porém, muito mais do que um estereótipo de “metaleiro”, o guitarrista é um músico talentoso e dedicado, dono de solos históricos e de uma imagem marcante para os adeptos do gênero: a fotografia em que aparece com os dedos ensanguentados enquanto toca guitarra durante um show de Ozzy Osbourne, em São Paulo, em 2008.

São noites como aquela de 2008 e a do último sábado (17), no Sacadura 154, no Rio de Janeiro, que ajudam a explicar essa “mística” em torno de Wylde. A penúltima apresentação da atual turnê brasileira consagra seu carisma e sua presença de palco marcante como frontman do Black Label Society, banda formada por ele em 1998 e que, atualmente, conta com o próprio Wylde nos vocais e na guitarra, John DeServio no baixo, Dario Lorina na outra guitarra e Jeff Fabb na bateria.

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Foto: Paty Sigiliano @paty_sigilianophotos

Seus companheiros de banda são afiados. Ainda assim, é em grande parte a presença do líder que sustenta o Black Label Society no palco. Durante as pouco mais de uma hora e meia de show, o público fica completamente nas mãos de Wylde, que, a todo momento, sobe em seu “ego riser”, um praticável que lhe confere ainda mais destaque no palco.

Foto: Paty Sigiliano @paty_sigilianophotos

Dark Chapel

Antes do início da apresentação, abriram os trabalhos da noite o Dark Chapel, comandado pelo guitarrista Dario Lorina — que, como dito, também integra o Black Label Society. É curioso que, em uma apresentação com canções pesadas como “Afterglow” e “Hollow Smile”, regadas a solos de guitarra elétricos e momentos de sintonia entre Dario e o também guitarrista Dylan Dyce, sejam duas músicas mais “leves” que roubem a cena.

Foto: Paty Sigiliano @paty_sigilianophotos

“Hit of Your Love” é executada com Dario ao piano. A balada pesada provoca forte interação do público, que ergue os celulares. Mais ao fim, a banda apresenta uma versão pesada de “Ain’t No Sunshine”, clássico de Bill Withers, também muito celebrado pela plateia.

O público comprou a apresentação de abertura. No entanto, bastou Zakk Wylde passar perto da grade, carregando uma pelúcia e usando uma máscara de lutador de wrestling, para sentirmos o carinho e o calor da plateia que aguardava pelo show principal.

Foto: Paty Sigiliano @paty_sigilianophotos

Zakk Wylde e Black Label Society

Às 21h em ponto, o Black Label Society começou com o pé na porta ao som de “Funeral Bell”, música cujas guitarras, arranjos e vocais de Zakk soam como um híbrido de Judas Priest e Black Sabbath. Em “A Love Unreal”, o público cantou junto com a introdução acústica. A canção engana ao começar como uma balada, antes de explodir em um rock pesado. É uma demonstração de como a performance combina com o estilo de casas como o Sacadura 154, espaço intimista para até 2 mil pessoas que ressalta essa conexão entre público e banda.

Foto: Paty Sigiliano @paty_sigilianophotos

Antes de “Heart of Darkness”, Zakk interage com a plateia ao pedir gritos de ambos os lados. Ao chegar à metade do set, acontece um dos momentos mais aguardados: a execução primorosa de “No More Tears”, em celebração a Ozzy Osbourne, a partir do solo mais icônico da carreira de Wylde. Ao fim, o coro “Olê, olê, olê, Ozzy, Ozzy!” veio da plateia para a visível satisfação do guitarrista no palco.

A parceria entre Wylde e Ozzy começou no fim dos anos 1980. O que começou ali se transformou em uma relação musical que atravessou quase quatro décadas. Wylde estreou no álbum “No Rest for the Wicked” (1988) e teve papel de destaque nas guitarras e na composição de canções do disco “No More Tears” (1991), incluindo a faixa-título.

A devoção e o carinho pelo antigo companheiro e mentor são tamanhos que também se manifestam em “Ozzy’s Song”, canção presente em “Engines of Demolition” (2026), álbum mais recente do Black Label Society. Composta em homenagem ao cantor, a faixa representa um dos momentos mais sentimentais da apresentação, com os vocais de Wylde em tom mais melancólico.

Por falar em voz, a influência do eterno líder do Black Sabbath é marcante no timbre de Zakk. Como cantor, Wylde guarda muitas semelhanças com Osbourne, algo perceptível não só na interpretação de “No More Tears”, mas também em músicas como “Suicide Messiah”, um dos sucessos do BLS. Durante esta, inclusive, a banda enfrenta problemas na mesa de som. Mas como o espetáculo não pode parar, o frontman continuou regendo a plateia como se nada tivesse acontecido.

Foto: Paty Sigiliano @paty_sigilianophotos

A apresentação acabou interrompida e a banda voltou cerca de cinco minutos depois, retomando a música do ponto em que havia parado. Segundo relatos, o mesmo ocorreu em Brasília, na última quinta-feira (15), também durante “Suicide Messiah”. Fato é que, ao menos na capital fluminense, o público não esfriou durante a pausa. O refrão a capela representou um dos momentos mais arrepiantes da noite.

Na sequência, após Zakk apresentar os integrantes do Black Label Society, “In This River” o levou ao piano, com direito à ajuda de um membro da equipe técnica após um problema com o pedestal do microfone. A balada é seguida por “Blessed Hellride”. É um momento mais calmo antes de “Set You Free” trazer o peso de volta, com um groove potente que ecoa pelo Sacadura.

Em “Fire It Up”, balões foram espalhados pela plateia. A música também reservou um duelo de solos entre Zakk Wylde e Dario Lorina, com notas executadas em alta velocidade e guitarras atrás da cabeça. Antes de “Stillborn”, escolhida para encerrar a noite, o BLS faz aquecimentos instrumentais que incluíram até um riff da canção “Black Sabbath”. A música pesada, uma das mais populares do grupo, encerra uma noite sem espaço para bis ou falsas despedidas.

Foto: Paty Sigiliano @paty_sigilianophotos

Uma bela representação de como carisma e presença de palco são inegociáveis quando o assunto são artistas capazes de se consagrar entre as mais diversas tribos. Foi um privilégio assistir ao Black Label Society fazer justiça à sua presença nesse panteão.

Foto: Paty Sigiliano @paty_sigilianophotos

Black Label Society — ao vivo no Rio de Janeiro

  • Local: Sacadura 154
  • Data: 17 de outubro de 2026
  • Turnê: Brasil Tour 2026
  • Produção: Liberation MC

Repertório:

  1. Funeral Bell
  2. Name in Blood
  3. Destroy & Conquer
  4. A Love Unreal
  5. Heart of Darkness
  6. No More Tears
  7. In This River
  8. The Blessed Hellride
  9. Set You Free
  10. Fire it Up
  11. Suicide Messiah
  12. Ozzy’s Song
  13. Stillborn
Foto: Paty Sigiliano @paty_sigilianophotos

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Guilherme Salomão
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Guilherme Salomão é Criador de conteúdo, Crítico de Cinema e Produtor Audiovisual carioca apaixonado por Cinema e Música desde que se conhece como gente. Administrador por formação, foi autor do TCC “O Poder da Marca no Cinema: O Caso Star Wars de George Lucas” na PUC-Rio, obtendo nota máxima em forma de reconhecimento pelo seu trabalho e dedicação. Cinéfilo de carteirinha, na produção já se dedicou a projetos que vão desde curtas e longas-metragens até videoclipes de artistas iniciantes.

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