O ex-vocalista do Deep Purple que montou uma versão falsa da banda

Rod Evans participou de uma farsa envolvendo o grupo que integrou entre 1968 e 1969; episódio o levou à Justiça na década de 1980 e, desde então, está afastado dos holofotes

Rod Evans ficou conhecido por atuar como vocalista original do Deep Purple entre 1968 e 1969 e gravar os três primeiros discos da banda: “Shades of Deep Purple” (1968), “The Book of Taliesyn” (1968) e “Deep Purple” (1969). O cantor acabou demitido e substituído por Ian Gillan, mas inicialmente continuou recebendo royalties pelo material que gravou com o grupo por meio de um acordo.

Ao deixar a formação, o artista seguiu na música e cofundou o supergrupo Captain Beyond. Pouco depois, porém, desistiu da carreira e resolveu trabalhar como técnico em fisiologia respiratória. Até receber uma curiosa proposta. 

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Em 1980, o empresário Geoff Emery decidiu montar uma versão não oficial do Deep Purple e lucrar em cima do nome. À época, o profissional já havia obtido sucesso com um “falso” Steppenwolf e, por isso, convidou o baixista Nick Simper para participar da nova empreitada, que recusou, e Evans, que embarcou na ideia. 

Além do ex-vocalista, o grupo fake passou a contar com o baixista Tom De Rivera e o baterista Dick Jurgens, que nunca tiveram ligação com o Purple. Para dar vida ao projeto, Emery criou a empresa Deep Purple Inc., registrou a marca “Deep Purple” e agendou uma turnê pela agência William Morris, colocando Evans como único acionista da empresa — tornando-o o principal responsável legalmente.

Conforme o site Ultimate Guitar, o chamado “New Deep Purple” ou “Bogus Deep Purple” conseguiu agendar cerca de 70 apresentações pelos Estados Unidos, Canadá e México. Só que, quando os farsantes subiam ao palco, o público percebia que havia sido enganado e que os integrantes do verdadeiro Deep Purple não estavam presentes, o que gerava uma revolta coletiva. 

Uma resenha da Classic Rock compartilhada pela BBC descreveu a performance dos músicos como “desleixada”, tornando as canções “irreconhecíveis”. Há um registro de uma apresentação de “Smoke on the Water” disponível no YouTube:

Não demorou para que os produtores descobrissem a farsa e cancelassem várias datas do giro, que acabou em setembro daquele ano, quando a banda tocou para cerca de 300 pessoas em Rouyn-Noranda, no Quebec. Logo, o próprio Deep Purple também ficou ciente de toda a situação.

Primeiro, a banda veio publicamente explicar que não tinha qualquer relação com o projeto. Depois, iniciou um processo para impedir que Evans e a Deep Purple Inc. usassem o nome do grupo, alegando publicidade enganosa e violação de marca registrada.

Em março de 1981, a Justiça determinou que os envolvidos pagassem cerca de US$ 672 mil em indenizações, além de US$ 144 mil em honorários advocatícios, e os proibiu de fazer turnês ou lançar músicas sob o nome Deep Purple. Como Evans havia sido colocado como único responsável legal pelo projeto e não tinha condições de arcar com sua parte das indenizações e dos custos judiciais, acabou perdendo os direitos aos royalties dos discos que gravou com a banda.

Diante do cenário, o cantor desapareceu completamente. Desde então, não disponibilizou nenhum material, não realizou apresentação ao vivo e nem concedeu entrevistas. Apesar de figurar entre os integrantes do Deep Purple que entraram ao Rock and Roll Hall of Fame, em 2016, também não compareceu à cerimônia.

Conversando com a Rolling Stone pouco antes do evento, o baterista Ian Paice revelou que não tinha qualquer contato com o ex-companheiro há décadas e que não fazia ideia de seu paradeiro:

“Se alguém souber onde Rod está, ou mesmo se ele ainda está neste planeta, seria uma boa notícia. Não temos contato com ele desde o fim dos anos 1970. Parece que ninguém sabe onde diabos ele está, nem sequer se ainda está vivo.”

Bobby Caldwell, baterista do Captain Beyond, compartilhou notícias do cantor nos anos seguintes. Ainda em 2015, o músico contou ao Southeast of Heaven que conversava com Evans e que ele estava bem. Então, em 2017, ao mesmo veículo, trouxe atualizações e descartou uma reunião do grupo com o cantor:

“Rod está aposentado do meio musical e simplesmente não tem mais interesse nisso. Eu adoraria ter Rod na banda. Ele é um cara extremamente talentoso, mas não se pode obrigar alguém a fazer algo pelo qual não tem interesse.”

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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