É comum que a organização do Rock in Rio seja alvo de críticas pela escolha do lineup. A cada nova edição, surgem comentários de que o festival “deixou de ser rock” ou de que faltam artistas do gênero na programação.
Roberta Medina, vice-presidente da Rock World, responsável pela organização, tem uma resposta para esse tipo de avaliação. Ao conversar com a imprensa brasileira em Lisboa (via g1), a profissional classificou os roqueiros como “barulhentos” quando o assunto é reclamar das atrações, mas alfinetou o público ao dizer que os dias voltados ao pop sempre esgotam primeiro:
“E é muito engraçado porque os roqueiros são barulhentos. Então quando não tem o rock, eles vão nas redes, fazem barulho, mas o primeiro dia que esgota é o pop.”
Pensando que o evento comporta mais de 100 mil pessoas por dia, a vice-presidente acredita que é preciso incluir diferentes gêneros musicais. Mencionando a primeira edição em 1985, ela refletiu:
“A gente ama o rock. Tá na nossa essência, tá na nossa atitude. Mas o que a gente precisa construir são dias que funcionam para essas milhares de pessoas. A gente é rock, é pop. E a gente aqui até adotou o ‘all in Rio’. Porque é isso, é tudo. Sempre foi. Se a gente olhar para 1985, sempre foi sobre todos os estilos. Nunca foi só rock.”
Rock in Rio 2026: vendas e presença do rock
Em relação ao Rock in Rio 2026, apenas duas das sete datas tiveram todos os ingressos vendidos: o dia 6 de setembro, encabeçado por Calvin Harris e Black Eyed Peas, e o dia 12 de setembro, com Maroon 5 e Demi Lovato.
Neste ano, há duas datas dedicadas ao rock e metal: o dia 4 de setembro, com o Foo Fighters de headliner, e o dia 5 de setembro, liderado pelo Avenged Sevenfold. Entradas seguem à venda no site da Ticketmaster Brasil.
Em comparação, 2024 contou com apenas um único dia do gênero, também com o A7X de atração principal, ao lado do Evanescence, Deep Purple e Journey. À época, os ingressos acabaram na véspera.
A definição de rock de Roberta Medina
Na opinião de Roberta Medina, o rock é questão de “atitude” e não de orientação musical. Durante uma entrevista coletiva realizada em 2024(via Uol), a vice-presidente da Rock World ressaltou:
“Rock in Rio nunca foi sobre rock. É só olhar o cartaz da primeira edição. O lineup da primeira edição, em 1985, tinha James Taylor, George Benson, Elba Ramalho, Ney Matogrosso, AC/DC. Rock é atitude. Se a gente tivesse feito para roqueiros, para agradar um estilo musical, não seria um movimento e nunca chegaria a um milhão e meio de pessoas. Nasce para mostrar que é tudo isso junto”
Já em 2011, ao jornal O Globo, Roberta ainda foi além. Na ocasião, definiu o rock como “uma atitude positiva, empreendedora e construtiva”:
“A proposta efetivamente nunca foi ser rock. Tratamos o rock como a atitude do roqueiro, uma atitude positiva, empreendedora e construtiva. O que a gente chama de rock é o espírito rock.”
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