Bob Daisley manteve uma longa parceria com Ozzy Osbourne. O baixista passou a tocar com o Príncipe das Trevas em 1979 e integrou a banda solo do cantor até 1981. Ao longo da mesma década, seguiu colaborando com o vocalista de forma irregular, com contribuições em estúdio que se estenderam até o álbum “No More Tears” (1991).
Sobretudo, a relação com o Madman ficou marcada por uma série de problemas. Isso porque o baixista e baterista Lee Kerslake foram demitidos antes do lançamento do segundo disco “Diary of a Madman” (1981) e, por não terem sido creditados corretamente no material e não receberem o dinheiro advindo dos royalties do projeto e do antecessor “Blizzard of Ozz” (1980), processaram o empresário Don Arden e a gravadora Jet Records.
Conversando com a The Metal Voice em 2018, Bob explicou que, com a briga nos tribunais, os dois até receberam uma certa quantia. Porém, em suas palavras, a questão é que “em 1986, aqueles álbuns ainda não eram multiplatina. Achamos que continuaríamos recebendo royalties, mas isso não aconteceu”.
A disputa continuou até 2003, quando a corte de Los Angeles dispensou a ação judicial. No ano anterior, em 2002, Sharon Osbourne, esposa e empresária de Ozzy, contratou Robert Trujillo e Mike Bordin para regravarem as linhas de baixo e bateria dos discos, que seriam relançados em edições comemorativas, para “apagar” os registros dos músicos.
À Guitar.com em 2014, o baixista revelou que, no fim das contas, ele e o colega acabaram conseguindo os créditos de composição, mas não os de performance. E, até hoje, não esconde a frustração.
Conversando recentemente com a Bass Player, o músico descreveu o caso como “uma atrocidade”. Ao seu ver, é “um verdadeiro crime” que Rudy Sarzo tenha sido creditado no baixo, quando não teve “nada a ver” com o disco:
“Rudy Sarzo ter sido creditado em ‘Diary of a Madman’ foi uma atrocidade, um verdadeiro crime contra mim e o [baterista] Lee Kerslake. Trabalhei duro naquele álbum, como faço em todos os discos dos quais participo, tanto na parte de execução e composição quanto na produção. E então ver todo esse trabalho ser creditado a alguém que não teve absolutamente nada a ver com aquilo foi de partir o coração. E o mesmo vale para o Lee.”
Bob diz que seu maior desejo é poder ver “a devida atribuição de créditos” antes de morrer. Ele concluiu:
“Lembro do dia em que o Lee Kerslake e eu vimos aquele álbum e aqueles créditos errados pela primeira vez. Foi como um soco no estômago. Eu adoraria ver a devida atribuição de créditos naquele álbum antes de ir desta para melhor.”
Sobre Bob Daisley
Nascido em Sydney, Austrália, Robert John Daisley começou a se destacar na cena tocando com nomes como Chicken Shack, Mungo Jerry e Widowmaker (não a banda de Dee Snider pós-Twisted Sister), com quem lançou dois álbuns.
Seu primeiro trabalho de maior reconhecimento internacional foi com o Rainbow. Gravou o baixo em três faixas do álbum “Long Live Rock ‘N’ Roll” (1978), fez a turnê e se retirou.
O momento de maior exposição viria na parceria com Ozzy Osbourne. Entre idas, vindas, brigas, processos e acusações, participou de quase todos os discos de maior sucesso da carreira do Madman, tendo atuação destacada como compositor.Nos anos 1980, ainda gravaria e/ou excursionaria com Uriah Heep e Yngwie Malmsteen, entre outros. Desde os 1990s mantém uma carreira low profile como músico de palco, participando de discos de vários artistas. Em 2013 lançou a biografia “For Facts Sake”.
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