No início da carreira, o Rush frequentemente assumia o papel de atração de abertura para artistas mais estabelecidos. Por isso, entre 1975 e 1976, a banda excursionou com o Aerosmith, em uma experiência que acabou sendo não muito positiva para os músicos.
Durante evento para divulgar a autobiografia “My Effin’ Life” (2023), Geddy Lee confessou que ele e os colegas eram tratados como “m*rda” por Steven Tyler e companhia. Segundo o vocalista, baixista e tecladista, o trio canadense não tinha direito a passagens de som antes de suas apresentações com o grupo americano e ainda contava com uma estrutura propositalmente reduzida.
Trazendo uma comparação com a situação oposta vivenciada com o Kiss, o artista relembrou, conforme compartilhado pelo Rock and Roll Garage:
“Bem, o Aerosmith [nos tratava feito m*rda], pelo menos no começo. Depois não (risos). Eles estavam focados nas próprias questões, sabe? Naquela época, era muito raro conseguir uma passagem de som e aprendemos isso abrindo os shows do Aerosmith por cerca de dois meses, período em que não tivemos uma única passagem de som. Mas o Kiss fez de tudo para garantir que tivéssemos essa oportunidade.”
No mencionado livro, Geddy trouxe até mesmo uma hipótese de Howard Ungerleider, diretor e designer de iluminação do Rush: a de que o Aerosmith tinha um equipamento suspenso justamente para deixar as bandas convidadas em desvantagem.
“Herns costumava especular que o sistema do Aerosmith era carregado de equipamentos suspensos nas estruturas superiores de propósito, para deixar qualquer atração de abertura em desvantagem. Restavam para nós poucas opções de iluminação lateral e alguns refletores, e, nas cerca de doze vezes em que abrimos seus shows, não tivemos uma única passagem de som. Todos os dias esperávamos pacientemente nas arquibancadas, mas isso nunca acontecia.”
Apesar de deixar claro o descontentamento, o cantor não categoriza o comportamento como uma “afronta intencional”. Ao seu ver, o Aerosmith talvez apenas não tivesse controle a respeito da questão:
“Foi uma afronta intencional? Prefiro acreditar que eles simplesmente não tinham as coisas sob controle. Claro que isso já ficou para trás há muito tempo, mas, naquela época, era frustrante e desanimador. Éramos músicos jovens tentando construir uma reputação em um mundo novo e desconhecido.”
A versão do Aerosmith
Confrontado a respeito do tema pela Rolling Stone em 2015, Joe Perry assumiu não lembrar das apresentações ao lado do Rush. Contudo, o guitarrista do Aerosmith, que chegou a abrir apresentações do trio em carreira solo, não questionou o relato de Lee e explicou o motivo:
“Francamente, não me lembro de tocar com o Rush. A rivalidade entre as bandas era intensa e entre as equipes técnicas era ainda maior, então não duvido da palavra do Geddy. [Quando abríamos], quase sempre saíamos em desvantagem. Por isso, sempre orientávamos nossa equipe a tratar bem as atrações de abertura.”
Rush e “Fifty Something Tour”
No ano passado, o Rush anunciou o seu retorno à estrada. Para a turnê de reencontro “Fifty Something”, a banda traz a baterista alemã Anika Nilles, além do tecladista Loren Gold.
Por enquanto, há datas marcadas na América do Norte, Europa e América do Sul. O Brasil recebe o trio em entre 22 de janeiro e 4 de fevereiro para seis shows:
- 22 de janeiro de 2027 – Curitiba – Arena da Baixada
- 24 e 26 de janeiro de 2027 – São Paulo – Allianz Parque
- 30 de janeiro de 2027 – Rio de Janeiro – Estádio Nilton Santos (Engenhão)
- 1 de fevereiro de 2027 – Belo Horizonte – Estádio Mineirão
- 4 de fevereiro de 2027 – Brasília – Arena BRB Mané Garrincha
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