A década de 1980 viu o Rush mudar seu som e acompanhar uma tendência da época. Os teclados e sintetizadores, comandados por Geddy Lee (junto com os vocais e o baixo), ganharam cada vez mais destaque e isso atrapalhou a vida do guitarrista Alex Lifeson.
Em 2023, o músico contou à Classic Rock sobre os tempos difíceis que viveu a partir do lançamento de “Signals” (1982), o primeiro álbum a já trazer o som dos teclados com mais evidência. Daí para a frente, foi só “para trás”, como lembra Lifeson:
“Acredito que lutei pelos direitos de minha guitarra por anos depois de ‘Signals’. É claro, nos álbuns que seguiram, nós realmente desenvolvemos toda a coisa do teclado. Mas foi meio que uma luta.”
Sobre a gravação do single “Subdivisions”, de “Signals”, o guitarrista contou que percebeu a mudança também por conta de uma atitude do produtor Terry Brown. O guitarrista relembrou:
“Eu estava sentado lá pensando: ‘não consigo ouvir a guitarra’. Sou um cara muito tranquilo, mas pensei: ‘isso não está certo’. Então aumentei o fader. Lembro de Terry se virando para mim, sorrindo, alcançando e puxando de volta para baixo. Não me esqueci disso.”
Alex teve algum “respiro guitarrístico”, ainda que discreto, em “Grace Under Pressure” (1984), mas a partir de “Power Windows” (1985), o sintetizador realmente dominou o som. A tendência seguiria em “Hold Your Fire” (1987) e “Presto” (1989), que marcou o fim da “era dos teclados” no Rush.
Apesar de “Roll the Bones” (1991), Lifeson acredita que o peso das guitarras só foi retomado mesmo em “Counterparts” (1993). O músico afirma:
“Os anos 1980 foram difíceis para mim em alguns momentos, como guitarrista. Eu sentia falta da abordagem mais direta do hard rock. Mas acho que voltamos a isso em ‘Counterparts’.”
Alex Lifeson odeia teclados?
Apesar de ter lutado contra os sintetizadores na década de 1980, Alex Lifeson deixa claro que não foi contra o uso de teclados no Rush. O guitarrista também esclarece que a iniciativa foi do trio e não de apenas um membro, o que tira a “culpa” de Geddy Lee:
“Sei que posso ter passado a impressão de ser contra usarmos teclados, mas não é o caso. Quando começamos a usar teclados e pedais de baixo, e coisas assim, foi um esforço do grupo. Queríamos expandir nosso som, mas não queríamos adicionar mais membros. Eu estava feliz em usá-los [teclados], acho que fizeram coisas ótimas pelo nosso som. Mas quando eles começaram a ser prioridade, foi quando comecei a ter alguns problemas com teclados.”
No fim das contas, Lifeson cita o espírito progressivo da banda como principal motor das inovações, algo necessário para a existência do Rush em sua visão. Alex concluiu:
“Você pode ficar onde está e fazer a mesma coisa de novo, de novo e de novo, mas esse não é o tipo de banda que nós somos. Progresso é importante para nós. Sempre precisamos ir a algum outro lugar.”
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