Desde 2005, o Iron Maiden está elegível para integrar o Rock and Roll Hall of Fame. Indicado anteriormente apenas em 2021 e 2023, o grupo conquistou a entrada na instituição neste ano, em sua terceira nomeação, mas não comparecerá à cerimônia marcada para o dia 14 de novembro, no Peacock Theater, em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Segundo Rod Smallwood, empresário da banda, o motivo não envolve as críticas dos músicos à honraria: a data do evento coincidirá com a passagem da turnê “Run for Your Lives” pela Austrália, o que impedirá que compareçam.
Além de Steve Harris, Bruce Dickinson, Janick Gers, Dave Murray e Adrian Smith, ex-membros também ganharão a homenagem. É o caso do baterista aposentado Nicko McBrain, do saudoso cantor Paul Di’Anno, do falecido baterista Clive Burr e dos vocalistas Dennis Wilcock e Blaze Bayley.
Ao menos, já sabe-se que Bayley considera ir à cerimônia. Em entrevista ao podcast Denim and Leather, o artista, parte da formação entre 1994 e 1999, revelou que está organizando a agenda para tentar viabilizar a ideia, porém ainda não tem certeza se conseguirá.
Conforme transcrição do Blabbermouth, ele disse:
“O Maiden já tinha uma turnê agendada [para o período em que acontecerá a cerimônia do Rock and Roll Hall of Fame]. No momento, tenho alguns dias livres [em novembro]. Então estou tentando organizar tudo para estar lá na cerimônia. Mas ainda não sei.”
Conversando com o programa Sportzwire Radio, Blaze mostrou-se honrado pela conquista da Donzela de Ferro. Ao seu ver, fazer parte do Rock and Roll Hall of Fame é “incrível”, não só pelo simbolismo da instituição, mas também para os fãs:
“Bem, acho que nenhum de nós entra para o heavy metal e segue isso como profissão pensando em ganhar prêmios, mas é bom ser reconhecido. Led Zeppelin é um gigante entre os gigantes, quase tão grande que nem pode ser considerado parte da música comum, e está [no Rock and Roll Hall of Fame]. Fazer parte disso, ao lado de tantos outros artistas maravilhosos, ser incluído ali pelo trabalho que fiz, pelas músicas que criamos, é realmente incrível […]. Para muitos dos meus fãs, isso realmente importa. Eles pensam: ‘sim, ele merece esse reconhecimento.’ Então é muito legal ver que meus fãs gostam do fato de seu cantor favorito ter sido reconhecido pelo Rock and Roll Hall of Fame.”
Iron Maiden e Rock and Roll Hall of Fame
Bruce Dickinson garantiu em mais de uma ocasião que não se importava em fazer parte do seleto grupo de artistas do Rock and Roll Hall of Fame. Em 2018, o vocalista declarou ao jornal The Jerusalem Post que recusaria a entrada caso a Donzela de Ferro estivesse entre os eleitos. Já durante entrevista ao Telegraph em 2023, criticou os membros da instituição por acharem que o metal precisa se adequar a um determinado tipo de música pop que o estilo definitivamente não é:
“Eu não quero estar no Rock and Roll Hall of Fame! Porque nós ainda não estamos mortos! Algumas pessoas se sentem quase ativamente ameaçadas pelo metal. Não pela natureza da música. Mas pelo fato de que ela não se adequa a sua visão de mundo do que a música pop deveria ser, que é: música pop é descartável, queridos. Bem, nós não fazemos música pop descartável.”
Por sua vez, Steve Harris também destacou não ligar para a honraria. À Metal Hammer no mesmo ano, o baixista explicou:
“Eu nunca me preocupei com isso. A gente nunca fez música para entrar em algum Hall of Fame ou coisa assim. E, além disso, se fosse algo decidido pelo voto dos fãs, até faria sentido, mas do jeito que funciona, não importa quantos fãs votem, isso conta apenas como um único voto. Então não representa muita coisa. Não sei como me sentiria se a gente realmente fosse [introduzido].”
Simon Kirke, conhecido como baterista do Bad Company, revelou em entrevista ao canal VRP Rocks no ano passado que recebeu uma mensagem do amigo e baterista Nicko McBrain, dizendo que o Maiden havia pedido para que o Rock and Roll Hall of Fame os deixasse em paz e parasse de indicá-los. Conforme transcrição da Blabbermouth, ele falou:
“Um grande amigo meu é Nicko McBrain, do Iron Maiden. E ele me enviou uma mensagem de parabéns [pela introdução ao Rock and Roll Hall of Fame]. Ele disse: ‘a propósito, Simon , o Maiden foi indicado várias vezes e nunca fomos introduzidos. Então, nossa equipe escreveu para o Hall of Fame dizendo: ‘Parem de nos indicar. Bobagem. Vão se ferrar’.”
Ao longo dos anos, artistas como Alice Cooper, Paul Stanley e Tom Morello fizeram apelos públicos para que o Iron Maiden entrasse para o Rock and Roll of Fame. Diante das críticas, Greg Harris, CEO da instituição, destacou em 2023 à Audacy a alta probabilidade da banda integrar os homenageados:
“Qualquer um que seja indicado tem grandes chances de eventualmente entrar. Na verdade, acho que essas chances podem chegar a 90%. Rage Against the Machine concorreu cinco ou seis vezes antes de conseguir. Às vezes, demora um pouco. Mas vamos ver onde isso vai dar.”
Sobre Blaze Bayley
Nascido em Birmingham, Inglaterra, Bayley Alexander Cooke despontou na cena hard rock inglesa como vocalista do Wolfsbane, banda que chamou a atenção do lendário produtor Rick Rubin. Atualmente, o grupo mantém atividades esporádicas conforme a disponibilidade de seus integrantes.
Entre 1994 e 1999, fez parte do Iron Maiden, gravando dois discos, “The X Factor” (1995) e “Virtual XI” (1998). Saiu para o retorno de Bruce Dickinson, que trouxe o guitarrista Adrian Smith de volta.
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