Diante da notoriedade de bandas brasileiras de metal no cenário internacional, a Folha de S.Paulo publicou uma reportagem especial dedicada aos novos nomes que vêm ganhando destaque. Como ressaltado no próprio título, a ideia surgiu porque, atualmente, o “heavy metal brasileiro se destaca no exterior com natureza, tupi antigo e cangaço”.
Assinada por Lucas Brêda, a matéria menciona três nomes: Antropoceno, Papangu e Kaatayra. O texto ressalta como os artistas citados “caíram no gosto dos gringos” e contextualiza:
“Em comum, esses artistas transitam entre o rock pesado e vertentes do heavy metal com influências da cultura, da música, da flora e da fauna brasileira. Eles fazem referências a cachoeiras e pássaros, ao cangaço, aos ritmos e religiões afro-brasileiros e à filosofia e idiomas dos povos originários do Brasil.”
Antropoceno
Em atividade desde o ano passado, Antropoceno é um projeto da paulistana Lua Viana. Após a estreia “Natureza Morta” (2025), a artista lançou recentemente “No Ritmo da Terra”, álbum também inspirado na obra de Ailton Krenak.
O trabalho funde a filosofia do pensador a elementos da música folclórica brasileira e incorpora influências de gêneros como post-rock, glitch e avant-garde metal. Já as composições, por sua vez, trazem letras em português, tupi e iorubá.
O disco saiu por meio do selo americano Longinus Recordings. Atualmente, é um dos dois álbuns brasileiros ranqueados entre os 20 melhores lançamentos mundiais deste ano no site Rate Your Music.
Papangu
Já o Papangu descreve o seu som como um “rock troncho” ou “hermetocore”, em referência a Hermeto Pascoal. Formada em 2012, em João Pessoa, a banda já disponibilizou dois discos, “Holoceno” (2021), no qual retratam um cangaceiro em um apocalipse ambiental, e “Lampião Rei” (2024), em que abordam o cangaço “numa espécie de realismo mágico”.
Sonoramente, o grupo, que já foi mencionado pelo jornal britânico The Guardian, mistura as harmonias e os ritmos tradicionais do nordeste brasileiro com influências do rock progressivo, metal e jazz psicodélico. Rodolfo Salgueiro, vocalista e tecladista, explicou a proposta ao veículo:
“A cultura nordestina é permeada por influências das religiões de matriz africana, afro-indígenas e indígenas, especialmente tudo que envolve o caboclo. Essa figura permeia as composições da banda.”
Kaatayra
Por fim, o Kaatayra é uma criação do brasiliense Caio Lemos. Com trabalhos lançados desde 2019, o projeto une black metal, folk e outros elementos da música brasileira, e, recentemente, chamou atenção pelo disco “Caminhos de Água” (2026), que também recebeu boa avaliação no Rate Your Music.
O artista comentou a respeito do material:
“Gosto de fazer riffs de metal no violão, então tive a ideia de fazer a palhetada do violão junto com [a bateria no estilo] ‘blast beat’, típico do black metal, combinando esses dois elementos. Somos brasileiros, não tem como fugir. Em festa e confraternização é sempre samba, axé. Está na gente. Acaba sendo natural reproduzir isso misturando com black metal, que é europeu.”
Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | Bluesky | Twitter | TikTok | Facebook | YouTube | Threads.
