Para além de Ann e Nancy Wilson, o Heart consolidou-se com o guitarrista Roger Fisher, o baixista Steve Fossen, o baterista Michael Derosier e o multi-instrumentista Howard Leese. Porém, pouco a pouco, a partir de 1979, a formação clássica começou a rachar — até restarem somente as irmãs.
De acordo com Ann, o problema era que os integrantes homens passaram a sentir ciúmes do destaque dado a ela e Nancy. Durante entrevista ao podcast Magnificent Others — apresentado por Billy Corgan, líder do Smashing Pumpkins —, a cantora revelou que a questão era vista com naturalidade, mas posteriormente passou a gerar um desconforto interno.
Conforme transcrito pela Ultimate Classic Rock, a artista contou:
“Eles [lidavam bem com isso] no começo, porque conseguiam ver que aquilo estava nos trazendo sucesso. Mas depois de um tempo, eles realmente se cansaram disso. E isso acabou se tornando um problema.”
Para exemplificar, Ann trouxe o fato de que as revistas, quando queriam colocar o Heart na capa, desejavam falar somente com elas. Por consequência, isso criou uma divisão:
“Por exemplo, quando a Rolling Stone queria fazer uma matéria de capa sobre o Heart, eles só queriam conversar com Nancy e Ann. E, depois de um tempo, isso realmente começou a incomodar os caras. Isso acabou separando a banda, criando uma divisão clara entre homens e mulheres. Justamente o que tornava o Heart interessante e incomum, a união de homens e mulheres trabalhando juntos, acabou se tornando o fator que, de certa forma, destruiu aquela primeira formação.”
A cantora acredita que a “revolta” recaía ainda mais sobre si. Isso porque, como ressaltado, falava mais com a imprensa:
“É estranho como isso aconteceu. Por um tempo, eu fui excluída, porque era eu quem mais falava pela banda na imprensa. E os caras não ficaram felizes com isso… O baixista não entendia por que não era ele quem estava falando pela banda.”
A versão de Nancy Wilson sobre rachaduras no Heart
Nancy Wilson concorda com o argumento. Ao participar também do podcast Magnificent Others em fevereiro, a guitarrista revelou que até a capa do disco “Bébé le Strange” (1980) causou atrito:
“A atenção naturalmente acabava recaindo sobre mim e Ann como ponto focal. Os caras estavam na contracapa do ‘Bébé le Strange’. E apenas eu e Ann fazíamos parte daquele grande close em preto e branco na capa frontal, o que realmente os deixou furiosos. [A imagem] da contracapa mostrava a parte de trás das nossas cabeças, com o cabelo, e as fotos deles foram inseridas por cima do nosso cabelo.”
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