A curiosa votação que “tirou” Adrian Smith do Iron Maiden, segundo Nicko McBrain

Guitarrista deixou a banda em 1990 por estar insatisfeito com os rumos artísticos de "No Prayer for the Dying" (1990)

Adrian Smith deixou o Iron Maiden em 1990. À época, o guitarrista, que retornou em 1999, estava insatisfeito com os rumos artísticos da banda.

Durante entrevista à rádio Planet Rock, em 2020, o músico revelou que não tinha qualquer entusiasmo para gravar “No Prayer for the Dying” (1990). O integrante admitiu que discordava da orientação mais simplista que o então novo disco da banda teria e acabou “irritando” os colegas, sobretudo, o baixista Steve Harris:

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“Iniciamos a gravação, chegamos a trabalhar no início. Acho que minha falta de entusiasmo irritou o outro cara e foi isso. Sério.”

Para o livro “Run to the hills – a biografia autorizada”, Smith mencionou que houve uma reunião para decidir o seu futuro na Donzela de Ferro. Ele explicou: 

“Foi principalmente Steve quem falou. Ele disse: ‘você não parece feliz nem envolvido com o trabalho’. Então, respirei fundo e falei por mais de uma hora, dizendo tudo o que sentia. Expliquei que tinha feito um álbum [com o ASAP], no qual realmente me expressara, e ficado muito feliz de tocar e cantar. Sabia que o Maiden era algo à parte e estava feliz de contribuir com a banda, mas não parecia que eu teria muita oportunidade de fazer aquilo no álbum seguinte. Sentia que precisávamos de mais tempo para as canções novas, mas, quando o estúdio chegou, eu não tinha composto nada; por isso, a situação não me agradava em nada.”

Recentemente, Nicko McBrain também relembrou o período durante um evento chamado An Evening With CapnHarris no seu próprio bar Rock ‘N Roll Ribs, localizado na Flórida, nos Estados Unidos. E, na ocasião, o baterista aposentado da banda acabou citando um fato curioso. 

Segundo o instrumentista, conforme transcrição do site IgorMiranda.com.br, houve uma espécie de “votação” envolvendo a saída de Smith. Apesar de Harris e do vocalista Bruce Dickinson opinarem, a palavra final veio do empresário Rod Smallwood.

“Perdemos Adrian. Começamos a trabalhar em estúdio. Adrian não estava feliz. Dave [Murray, guitarrista] e eu não queríamos que ele saísse, enquanto Bruce e Steve diziam: ‘ok, se ele quer sair, ele sai’. Não sabíamos como resolver. Rod veio e deu o voto final: ‘ele sai’.”

Diante do contexto, o baterista não é um grande fã do “No Prayer for the Dying”. Em suas palavras:

“‘Tailgunner’ não está entre minhas músicas favoritas […] Foi o primeiro álbum que fizemos no estúdio móvel dos Rolling Stones. Não é o álbum de melhor sonoridade.”

Anteriormente, à Metal Hammer, Nicko já havia contado a história. De acordo com o baterista, o Maiden não demitiu Smith, mas fez o guitarrista “encarar suas responsabilidades” (via Whiplash): 

“Na verdade, tivemos que tomar a decisão por ele. Quando perguntamos se o sucesso de sua banda, ASAP, e de seu álbum, ‘Silver And Gold’, o fariam deixar o Iron Maiden, ele não quis dar uma resposta direta, o que para nós foi uma resposta positiva. Nós não demitimos Adrian, apenas o fizemos encarar suas responsabilidades, e ele teve a escolha. Sabe, quando algo não está certo dentro de uma banda, você tem que encontrar uma solução imediatamente, por mais doloroso que seja.”

Sobre Adrian Smith

Nascido em Londres, Adrian Frederick Smith formou o Urchin aos 16 anos, onde era vocalista e guitarrista. O grupo lançou dois singles. Em 1980 entrou para o Iron Maiden. Ficou até 1989, retornando dez anos depois e permanecendo até hoje. Escreveu alguns dos maiores clássicos da banda.

No período em que esteve fora, lançou discos com o ASAP (Adrian Smith And Project) e Psycho Motel. Também integrou o grupo solo do vocalista Bruce Dickinson na segunda metade dos anos 1990.

Em 2012 lançou “Awoken Broken”, único álbum do projeto Primal Rock Rebellion, parceria com o vocalista Mikee Goodman (SikTh). Recentemente deu início ao Smith/Kotzen, duo com o também guitarrista e vocalista Richie Kotzen (The Winery Dogs, ex-Poison e Mr. Big).

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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