Por questões envolvendo problemas de imigração, o Gojira não contou com Mario Duplantier em seus compromissos mais recentes nos Estados Unidos. Nas apresentações realizadas no país na quinta-feira (16), sexta-feira (17) e sábado (18), a banda francesa teve como substituto na bateria o brasileiro Luigi Paraventi, de apenas 21 anos de idade.
O músico, que toca com o Paleface Swiss, revelou inicialmente nas redes sociais que o convite partiu do próprio Mario. E, em entrevista a Maurício Dehò para a Billboard Brasil, explicou em detalhes como tudo aconteceu.
Segundo o instrumentista, a proposta chegou poucos dias antes, na mesma semana. Num primeiro momento, o baterista do Gojira colocou o jovem músico em um grupo junto do empresário e, de maneira direta, explicou a situação. Ele relembrou:
“Cara, foi tudo muito rápido. Aconteceu na segunda-feira (13) à noite, por volta de 20h. O Mario me colocou num grupo com ele e o empresário do Gojira, pelo Instagram, e perguntou onde eu estava. Contei que estava no Brasil, eu moro em São Paulo, e ele falou: ‘eu preciso de uma pessoa para me substituir em três shows’. Bem direto ao ponto. Eu falei: ‘cara, maravilha, quando vai ser isso?’. Eu imaginei que ele fosse falar algo do tipo ‘semana que vem’. Mas ele respondeu: ‘nesta quinta, sexta e sábado’.”
Como teria pouco tempo de preparo, Luigi ficou receoso de aceitar. Porém, após pensar a respeito, resolveu encarar o desafio:
“Na hora, foi um susto. Eu pensei: ‘cara, será? Talvez não’. A princípio, eu disse não para mim mesmo. Achei que não conseguiria fazer isso com tão pouco tempo. Mas, ao mesmo tempo em que pensei em falar não, a resposta foi sim. Pensei: ‘cara, eu vou enfrentar esse desafio’.”
Correria
Por causa das apresentações internacionais com o Paleface Swiss, o brasileiro estava com o visto e todas as burocracias em dia. Sendo assim, na manhã seguinte, o artista embarcou para os EUA, tendo um tempo total de apenas dez horas para aprender as canções:
“Segunda à noite foi o convite, e o voo era terça-feira à noite. Comecei a fazer as contas: ‘Tenho que sair para o aeroporto às cinco. Agora são oito da noite. Então tenho hoje para mapear as músicas antes de dormir, acordar muito cedo e tocar tudo’. Foi exatamente o que fiz. Fiquei na segunda-feira, das nove da noite até umas duas da manhã, só mapeando as músicas. Eu tenho o costume de aprender as músicas escrevendo. Gosto de fazer as partituras, anotar os grooves, parte por parte. Tenho essa questão da leitura, que me ajuda muito. No dia seguinte, acordei às sete da manhã. Fui para o estúdio e fiquei até as quatro da tarde sem parar de tocar. Depois peguei meus equipamentos, fui para o aeroporto, embarquei no primeiro voo e cheguei aos Estados Unidos pela manhã, onde já fui direto para um ensaio de duas horas […]. Foram aproximadamente dez horas totais para aprender as músicas, até ter o primeiro ensaio e o contato com os caras. Foi tudo muito, muito rápido.”
O fato de Mario ter escolhido especificamente Luigi para o papel e ter deixado isso claro trouxe confiança para o brasileiro. Em suas palavras:
“Quando o Mario me ligou, a primeira sensação que tive falando com ele é que ele estava muito tranquilo com a situação. E uma coisa que me deixou muito grato e muito feliz é que, até o último momento, ele falou: ‘esse é o cara que eu quero’. E foi o cara que eles chamaram. Então tive a felicidade de receber um convite de um herói. Um cara que me deu essa oportunidade de uma forma muito humilde e muito generosa. Ele abriu essa possibilidade para mim. Confiou muito em mim.”
Amizade com Mario Duplantier
Aliás, Luigi já tinha uma certa proximidade com o integrante do Gojira. Desde o ano passado, os dois trocavam interações no Instagram, como mencionado:
“Desde o ano passado, eu comecei a compartilhar mais vídeos tocando bateria. De um jeito mais orgânico, mais cru. Eu começava olhando para a câmera como uma forma de humanizar a coisa, de olhar no olho de quem estava assistindo, de criar uma conexão mais pessoal. Eu gravei Gojira inúmeras vezes, e o Mario começou a assistir, compartilhar, comentar e me seguir. Então a gente criou uma relação virtual, mas nunca tinha se encontrado pessoalmente.”
Sobre Luigi Paraventi
Além do Paleface Swiss, Luigi Paraventi também participa de outros projetos como Command6. Em 2023, tocou com Kiko Loureiro, ex-guitarrista do Angra e do Megadeth, por recomendação de Bruno Valverde, atual baterista do Angra, que também excursiona com o músico em carreira solo. Bateristas como Mike Portnoy (Dream Theater), Eloy Casagrande (Slipknot, ex-Sepultura), Anika Nilles (Rush), Aquiles Priester (ex-Angra, W.A.S.P.), Brooks Wackerman (Avenged Sevenfold, ex-Bad Religion) e Matt Sorum (ex-Guns N’ Roses) o seguem nas redes sociais.
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