Anika Nilles foi oficialmente anunciada como a nova baterista do Rush em outubro do ano passado. A alemã de 43 anos está encarregada de substituir o saudoso Neil Peart na turnê de retorno da banda “Fifty Something Tour”, iniciada no último domingo (7), no Kia Forum, em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Foi Geddy Lee quem a sugeriu para o posto. Após conhecê-la pelo trabalho com Jeff Beck em 2022 por meio de um roadie em comum, o vocalista, baixista e tecladista pensou que trazê-la para a formação “seria um caminho interessante para seguir”, como explicou em coletiva.
Conversando com Rick Beato, o cantor chegou a revelar que “ela foi a única baterista em quem pensamos”. E, segundo o próprio, a escolha não teve qualquer relação com o fato de Anika ser mulher, mas sim com seu talento e profissionalismo.
O assunto surgiu durante entrevista à edição de julho de 2026 da revista Guitar World. Durante o bate-papo, o músico não poupou elogios à nova companheira de banda e destacou que a representatividade proporcionada por Anika como mulher é apenas um “bônus” em meio a tantas virtudes.
Conforme transcrição do site IgorMiranda.com.br, ele traçou um paralelo com Peart e disse:
“É importante deixar uma coisa clara: nós não contratamos Anika Nilles porque ela é uma mulher. Nós a contratamos porque ela é uma baterista incrível. E não apenas uma baterista incrível, ela é inteligente, trabalhadora, responsável… Eu nem consegui deixá-la bêbada ontem à noite! [risos] . Ela é uma pessoa única. Em muitos aspectos, me lembra o grande brincalhão que ocupava o trono antes dela. É uma profissional completa, alguém que coloca o trabalho em primeiro lugar. O fato de ela ser mulher e representar isso para musicistas do mundo inteiro é um bônus. Não é o motivo pelo qual ela está sentada naquele banco.”
Para o guitarrista Alex Lifeson, é natural que a alemã sirva de inspiração para outras bateristas por ocupar um lugar de destaque, fato que afirmou adorar:
“Acho que [ser inspiração para outras mulheres] é uma parte muito importante da história dela. Eu adoro isso. Já recebi mensagens de meninas e de mulheres mais velhas dizendo: ‘é isso aí, muito obrigada’.”
Referência para outras mulheres
Anika tem consciência de que é um modelo para outras mulheres. À Classic Rock, a baterista mencionou a importância do papel que desempenha para outras meninas e refletiu:
“Acho que me tornei uma referência para muitas pessoas. Ao longo dos últimos dez anos, com tudo o que aconteceu, percebi que acabei assumindo esse papel […]. Acredito que é importante, como mulher baterista — uma área que ainda tem pouca representatividade —, existirem modelos a seguir […]. Podemos desempenhar esses papéis tão bem quanto os homens. Quando eu estava crescendo, isso praticamente não existia. Felizmente, tive muito apoio dos meus pais e da minha família. Mas sei que muitas meninas não contam com esse apoio e precisam abrir caminho sozinhas, por motivos muito diferentes. Para elas, é ainda mais importante ter alguém em quem possam se espelhar. E eu tenho consciência dessa responsabilidade.”
Sobre Anika Nilles
Nascida em Aschaffenburg, na Alemanha, em 29 de maio de 1983, Anika Nilles começou a tocar bateria aos seis anos. Após completar os estudos, trabalhou com educação social antes de dedicar-se integralmente à música, com formação acadêmica na área.
A carreira de Anika se iniciou online, no YouTube, há cerca de 15 anos. Além de vídeos com performances diversas, ela disponibilizou composições originais, inclusive com dois álbuns solo lançados: “Pikalar” (2017) e “For a Colorful Soul” (2020).
Nilles foi a última baterista a acompanhar Jeff Beck em turnê. Ela se juntou ao lendário guitarrista em sua excursão de 2022 pela Europa. Ele faleceu em janeiro de 2023, aos 78 anos.
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