Como Anika Nilles aprendeu linhas de Neil Peart para shows com Rush

"Aprendi essas músicas de uma maneira completamente diferente", revelou a baterista alemã, mencionando as dificuldades do processo

Ao cogitar Anika Nilles para assumir a bateria do Rush, Geddy Lee, juntamente do guitarrista Alex Lifeson, decidiu levar a instrumentista alemã para o Canadá para uma espécie de “teste”. Apesar de atualmente classificá-la como “perfeita” para o posto, o início da colaboração não deu muito certo.

Durante entrevista ao jornal The Guardian, o vocalista e baixista revelou que, quando começaram a tocar juntos, “algo parecia errado”. Por ter uma base diferente, a baterista não parecia compreender a forma como o saudoso Neil Peart lidava com o próprio kit. Anteriormente, em evento privado em Cleveland, Ohio, nos Estados Unidos, ele havia contado que a musicista não era familiarizada com o catálogo do Rush, o que representou certo desafio.  

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Fato é que, com os dias, Nilles passou a entender melhor a estrutura por trás das composições do antecessor. Naturalmente, também aprendeu todas as linhas de bateria que precisava. 

Conversando com Rick Beato, a própria confessou as dificuldades. Isso porque o processo de memorização das canções precisou ser diferente do que estava acostumada. 

Conforme transcrição da Loudwire, ela declarou:

“Eu não faço a menor ideia [de como aprendi tudo]. Às vezes, eu ficava sentada pensando: ‘não faço ideia de como estou aprendendo isso’, mas, de alguma forma, estava funcionando, porque aprendi essas músicas de uma maneira completamente diferente. Minha preparação foi muito diferente de como costumo me preparar normalmente.”

Segundo Anika, além do nível técnico de Peart, o jeito de tocar do baterista envolve outros aspectos, que não são aprendidos de um jeito convencional. Por isso, não conseguia simplesmente fazer anotações e tentar segui-las. Em suas palavras: 

“Normalmente, eu apenas escuto a música, faço um esquema rápido para ter tudo visualmente à minha frente e então sigo ouvindo, lendo e tocando. Mas percebi que, nesse caso, isso simplesmente não funcionava. Às vezes, nem dá para colocar tudo no papel, porque grande parte do processo também envolve feeling. Tecnicamente, até seria possível anotar tudo, mas eu gastaria tempo demais só com isso. E pensei: ‘não tenho esse tempo’. Então, precisei apenas ouvir, dividir tudo em partes menores e aprender passo a passo. Foi assim que fiz. Mas memorizar todas as partes é uma coisa, aprender o feeling e a dinâmica das músicas é algo completamente diferente.”

Ponto de virada de Anika Nilles

Para Lee, os diferenciais do saudoso integrante estavam nos detalhes. Ao The Guardian, o artista mencionou que, a partir do momento que Anika percebeu isso, as coisas simplesmente fluíram:

“Os primeiros quatro dias foram de altos e baixos. Ela estava nervosa, lidando com o fuso horário, e nós estávamos inseguros […]. Entramos naquele último dia e ela simplesmente arrebentou. De repente, ela entendeu o que estávamos tentando dizer durante toda aquela semana. Não era sobre o aspecto técnico, mas sobre as sutilezas, aquilo em que Neil era tão incrível, e aquelas dinâmicas internas que só outro baterista consegue entender. E aí a ficha caiu para ela.”

Rush e “Fifty Something Tour”

O Rush realizou o seu primeiro show em quase 11 anos. No último domingo (7), a banda iniciou a turnê “Fifty Something” no Kia Forum, em Los Angeles, nos Estados Unidos — mesmo local em que haviam tocado pela última vez em 2015 — ao lado da baterista Anika Nilles (no lugar do saudoso Neil Peart) e do tecladista Loren Gold.

A banda excursionará pela América do Norte ao longo de 2026 e, no ano seguinte, levará o giro para outros continentes. O Brasil recebe o trio em entre 22 de janeiro e 4 de fevereiro para seis shows:

  • 22 de janeiro de 2027 – Curitiba – Arena da Baixada
  • 24 e 26 de janeiro de 2027 – São Paulo – Allianz Parque
  • 30 de janeiro de 2027 – Rio de Janeiro – Estádio Nilton Santos (Engenhão)
  • 1 de fevereiro de 2027 – Belo Horizonte – Estádio Mineirão
  • 4 de fevereiro de 2027 – Brasília – Arena BRB Mané Garrincha

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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