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Amaranthe transforma o Bangers em uma imensa pista de dança

Ancorada em bases pré-gravadas e na dinâmica de seu trio de vozes, banda sueca compensa show rígido com carisma de sobra

Para desespero dos puristas, foi-se o tempo em que heavy metal exigia aquela atmosfera carrancuda. Se o Helloween de Michael Kiske abriu de vez as portas para a alegria no gênero, o Amaranthe escancarou as janelas e convidou a música eletrônica para sua festa no Bangers Open Air 2026 no último domingo (26).

Tal flerte desafia até os limites dos fãs de power metal, mas não encontrou resistência entre os seguidores que acompanham a carreira de quase vinte anos do grupo sueco e foram conferir sua performance no Hot Stage.

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Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

A apresentação girou em torno dos jograis e movimentos no palco coordenados entre seus três cantores, com proeminência dos tons altíssimos da carismática Elize Ryd. Nils Molin, também vocalista da banda Dynasty, fez as vozes limpas, deixando para Mikael Sehlin os gritos agressivos. Ambos serviram de escada para a frontwoman brilhar nos principais momentos das músicas.

Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

O uso de bases pré-gravadas era tamanho que muitas vezes tornava desnecessária a presença do guitarrista Olof Mörck, principal compositor do grupo, e da seção rítmica formada pelo baixista Johan Andreassen e Morten Løwe Sørensen, na bateria.

Com músicas curtas, não houve muito espaço para malabarismos virtuosos além de um solo de guitarra ou discretas polirritmias nos bumbos — estes, por sinal, abusavam do processamento nos graves e do som sintético da caixa, embora estivessem adequados à equalização geral.

Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

O show começou com duas faixas do álbum “Manifest” (2020) que, de certa forma, resumem o máximo de variação oferecida pelo Amaranthe ao longo de uma hora. O cenário era baseado na arte da capa de “The Catalyst” (2024).

Fearless” deu o pontapé inicial como um meio termo entre o peso do metalcore e riffs simples típicos de power metal. Qualquer indício de agressividade acabou diluído na dinâmica entre o trio, culminando no refrão excessivamente feliz dominado por Ryd.

Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

A sequência composta por “Viral” e “Digital World”, de “Massive Addictive” (2014), manteve a cadência dominada por batidas que flertam ora com o eurodance noventista, ora com a EDM contemporânea. A sonoridade mostrou-se funcional tanto para pular quanto para dançar, à escolha do público. Para a surpresa de ninguém, tudo seguiu parecido no single novo, “Chaos Theory”, disponibilizado em fevereiro deste ano e já executado no festival.

A balada “Amaranthine”, faixa do disco de estreia homônimo de 2011, veio na reta final do set, com Ryd sozinha no palco para cantar a primeira parte apenas sobre as backing tracks, como se estivesse num karaokê. Chamado a participar no refrão, o público respondeu. Sem se desviar um milímetro do que já havia sido apresentado, a pesada “Call Out My Name”, do mesmo trabalho, foi tocada antes da saída para o bis.

Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

O retorno veio rápido com a vibrante “Archangel”, seguida por “That Song”. Apesar de sua batida emular abertamente o clássico ”We Will Rock You”, do Queen – com direito a uma estrofe cantada por Molin – o resultado ficou mais para o pop de arena do Imagine Dragons.

O encerramento com “Drop Dead Cynical” trouxe os vocalistas à passarela do Hot Stage para um último ato sem grandes surpresas. A julgar pelo coro de quem acompanhava o término, não faria nenhum sentido algo diferente logo no final.

Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

Amaranthe no Bangers Open Air — repertório:

  1. Fearless
  2. Viral
  3. Digital World
  4. Damnation Flame
  5. Maximize
  6. Strong
  7. PvP
  8. The Catalyst
  9. Chaos Theory
  10. Amaranthine
  11. The Nexus
  12. Call Out My Name

Bis:

  1. Archangel
  2. That Song (com um verso de We Will Rock You do Queen)
  3. Drop Dead Cynical
Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

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Thiago Zuma
Thiago Zuma
Formado em Direito na PUC-SP e Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, Thiago Zuma, 43, abandonou a vida de profissional liberal e a faculdade de História na USP para entrar no serviço público, mas nunca largou o heavy metal desde 1991, viajando o mundo para ver suas bandas favoritas, novas ou velhas, e ocasionalmente colaborando com sites de música.

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