Integrantes do Judas Priest sempre souberam que Rob Halford era gay, diz K.K. Downing

Guitarrista revelou que, para evitar preconceito, cantor se esforçava bastante para parecer heterossexual nos anos iniciais da banda

K.K. Downing, antigo guitarrista e membro fundador do Judas Priest, confirmou que ele, os outros integrantes do grupo e empresários sabiam sobre a sexualidade do cantor Rob Halford – e o aceitaram. Mesmo assim, Rob foi aconselhado a ser discreto, dada a natureza machista e heteronormativa do mundo do metal.

O assunto foi abordado por Downing, que deixou o Judas Priest no fim de 2010, durante aparição no podcast “No Fuckin ‘Regrets With Robb Flynn” do vocalista do Machine Head, Robb Flynn. As falas foram transcritas pelo Blabbermouth.

“Sempre soubemos que Rob era gay. Naquela época, anos 60 e particularmente no início dos anos 70, tudo ainda era meio a portas fechadas e coisas assim. Mas as pessoas se sentiam um pouco mais confortáveis ​​perto de nós porque andávamos em grupo e sempre sabíamos quem era o quê.”

O próprio Downing, por ter um visual diferente dos padrões habituais do período, passou por situações onde confundiu pessoas.

“Na verdade, eu parecia uma garota, vamos ser honestos. Aos 17, 18 anos, tinha cabelo comprido até a cintura. Lembro-me de estar em uma jukebox de um bar e um cara estilo caminhoneiro veio por trás de mim e colocou as mãos por baixo dos meus braços para sentir meus seios. Eu fiquei, tipo: ‘com licença, cara’. Ele apalpou o que pensava ser uma menina. Mas quase tudo era andrógino naqueles dias.”

Valendo-se de alguns clichês, K.K. falou sobre o que a banda poderia ter a ganhar com o estilo de Halford.

“Obviamente, para mim, Rob sendo gay, além de ter uma ótima voz, eu pensei que ele seria teatral, articulado com as palavras… e era tudo isso. Tinha sensibilidade, era um showman. Então, todos esses ingredientes eram ótimos atributos em alguém que seria o frontman do grupo. E eu provei estar certo.”

A sexualidade de Rob Halford

Ainda durante o bate-papo, K.K. Downing também tocou na revelação na autobiografia “Confess”, de Rob Halford, onde o cantor contava ter passado muito tempo na estrada nos anos 1980 e início dos anos 1990 se divertindo em bares gays, banheiros públicos e outros locais de encontro para homens.

“Sim, com certeza eu sabia disso tudo. Meus olhos viram muita coisa. Mesmo em meados dos anos 70, você saía do palco e Rob estava no chuveiro com alguém da equipe. Quer dizer, é o que é. Você não tem que ir lá até que tudo acabe e tudo mais. Porque Rob também teve que aturar muitas coisas nossas. Não seria diferente da nossa parte. É a mesma coisa.

Estamos todos na van. Estamos prontos para ir. ‘Tudo bem. Onde está a porra do Dave? Tudo bem. Ele está aí ainda com uma garota. Alguém vá buscá-lo. Precisamos ir’. Precisávamos ir para o show ou sair do show. E essas coisas acontecem. Muitas coisas foram atribuídas ao rock and roll porque era rock and roll naquela época.”

Esforço para parecer hétero

Em outra parte da entrevista, Downing falou sobre os esforços do antigo colega para manter a imagem da heterossexualidade na mídia – principalmente por meio das roupas de motoqueiro de couro preto com tachas do Priest, que definiram a aparência do gênero heavy metal nos anos vindouros – mesmo durante a vida uma vida dupla secreta como um homem gay enrustido.

“Para ser justo, Rob era um jogador de equipe. Ele sabia que sua imagem e o jeito que ele era durante o dia e tudo mais, agradava aos garotos e garotas. E ele foi legal com isso. O mesmo comigo, porque seu público é o seu público. Somos artistas e performers. Mas tínhamos uma grande fé na música e na imagem e em tudo ao seu redor. Eu ainda tinha imenso orgulho de Rob como um grande frontman, animador e vocalista. E ele desempenhou o papel que lhe cabia.”

K.K. Downing lançou o primeiro álbum de sua nova banda, KK’s Priest, no dia 1º de outubro último. “Sermons of the Sinner” marcou o reencontro do músico com o vocalista Tim “Ripper” Owens, que substituiu Rob Halford no Judas Priest durante os anos 1990. O grupo já trabalha em músicas para o segundo disco.

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