Foto: divulgação

A história da capa de “Sticky Fingers”, dos Rolling Stones, e seu lendário zíper

Com seu famoso zíper, a capa de “Sticky Fingers”, álbum lançado pelos Rolling Stones em 1971, é uma das mais icônicas da história do rock. Mas você sabe quem é o modelo por trás da imagem? Nem eu, mas temos o mais próximo de uma resposta por aqui.

A capa de “Sticky Fingers”, lendário álbum lançado pelos Rolling Stones em 1971, é uma das mais icônicas da história do rock. O retrato de um homem usando uma calça com zíper chegou a ser imitado por diversas outras bandas, como o Mötley Crüe, em seu disco de estreia “Too Fast for Love” (1981).

Nas edições originais do disco, o close no quadril do homem vinha com um zíper funcional, que poderia ser aberto revelando outra imagem: mais um close genital, agora usando apenas roupa íntima.

Há, até hoje, um mistério relacionado à capa de “Sticky Fingers” – e eu não estou falando do que está por trás do zíper, mas, sim, da identidade do modelo retratado na imagem do trabalho, lançado originalmente em 23 de abril de 1971.

Por muito tempo, acreditou-se que a pessoa na capa – nas duas fotos – seria o vocalista Mick Jagger. Essa informação é falsa e muito provavelmente as duas imagens não mostram a mesma pessoa, como será explicado.

A capa de “Sticky Fingers”

A arte que estampa “Sticky Fingers” é obra do lendário Andy Warhol e foi encomendada diretamente por Jagger, que pediu algo simples e ao mesmo tempo impactante.

A ideia do zíper funcional também foi de Mick Jagger. O artista Craig Braun ficou encarregado em transformar a foto produzida por Andy Warhol em “algo a mais”.

O próprio Braun enfatizou a importância do recurso no marketing da banda em um artigo publicado pelo jornal The New York Times, em 2015.

“Os Rolling Stones sabiam que se eles colocassem uma calça jeans e um zíper funcional, as pessoas iam querer saber o que tinha por baixo.”

O mistério

Mick Jagger definitivamente não foi o modelo em nenhuma das duas imagens, seja com zíper ou com roupa íntima. Referências apontam que trata-se de Joe Dallessandro, modelo que colaborou com Andy Warhol em diversas obras, mas isso não é um fato incontestável.

O jornalista Glenn O’Brien trabalhava com Warhol como editor da revista Interview e contou em uma matéria do New York Post que foi um dos vários fotografados. Ele acredita ser o modelo da foto de roupa íntima.

“Eu sabia que era eu por causa da minha cueca! Warhol apenas disse que era para uma capa de álbum dos Rolling Stones. Eu era um grande fã, então fiquei feliz, e também me pagaram 100 dólares. Nada mal para um trabalho de 20 minutos.”

O’Brien ainda deu detalhes do dia em que as fotos foram feitas, no escritório de Warhol, que era vizinho de porta de um escritório de arquitetura.

A confusão dos endereços acabou gerando até mesmo um momento constrangedor, o que não era raro quando se tratava da arte de Andy Warhol.

“Eu estava com minha calça nos tornozelos… Andy estava ajoelhado na minha frente com sua Polaroid e Fred (Hughes, empresário de Warhol) estava fazendo observações grosseiras, como: ‘dá pra aumentar?’. A porta se abre e entram uns caras de terno, que ficam com cara de bobos. Um deles perguntou: ‘hum, esse não é o escritório de arquitetura?’”

O próprio Andy Warhol nunca confirmou quem eram os modelos e é possível que nem mesmo ele soubesse, em meio a tantas fotos. Por sua vez, Glenn O’Brien acredita que o modelo da frente, com a calça jeans, seja o maquiador Corey Tippin.

O segredo de “Sticky Fingers” acabaria indo com Andy Warhol para o túmulo, já que o artista morreu em 1987.

Impacto conquistado pelos Rolling Stones

Impulsionado pelo golpe de marketing do zíper na capa, “Sticky Fingers” acabou se tornando um grande trabalho dos Rolling Stones. Muitos consideram que esse álbum foi o responsável por alçar a banda ao status lendário que possui hoje.

O álbum marcou a estreia do guitarrista Mick Taylor, substituto do falecido Brian Jones, e apresentou clássicos como “Brown Sugar”, “Wild Horses”, “Can’t You Hear Me Knocking” e “Sister Morphine”, entre outros.

Foi também neste álbum, nos encartes, que a banda mostrou pela primeira vez o logo com a boca mostrando a língua, associado aos Stones até hoje.

A parte visual ajudou a trazer mais sucesso aos Stones, mas houve controvérsia em alguns países. Entre algumas censuras, destaca-se a versão espanhola, cuja capa traz uma mão feminina saindo de uma lata de sangue, ao invés da imagem clássica.

Outro caso peculiar rolou na União Soviética: por lá, o símbolo do exército soviético, com direito a foice e martelo, foi colocado como a fivela de um cinto, acima do zíper.

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