O que diz Eduarda Campopiano após polêmica com Angra e ex-membros

Deputada estadual eleita comentou críticas de ex-baterista, suposto comentário de Kiko Loureiro e nota oficial emitida pela banda diante da confusão

Eduarda Campopiano, deputada estadual por São Paulo eleita no último domingo (4), se manifestou após a controvérsia envolvendo o Angra e ex-integrantes da banda. A política, notória por seu discurso antifeminista e considerado transfóbico, recebeu críticas do ex-baterista da banda, Marco Antunes, além de um suposto comentário do ex-guitarrista Kiko Loureiro — negado pelo próprio —, por ter usado uma camiseta do grupo. A formação atual publicou uma nota oficial para se afastar das opiniões dos músicos em questão.

Em entrevista ao Programa Pânico (via Confere Rock), Campopiano declarou, inicialmente, que “virou contracultura ser de direita”. Por isso, em sua visão, há reações negativas ao seu posicionamento.

- Advertisement -

Ela disse:

“Acho que, hoje em dia, virou contracultura ser conservador, ser de direita. Quando os roquerios descobriram que eu tenho uma tatuagem de System of a Down no pulso — uma tatuagem de par que tenho junto com meu noivo —, todo mundo caiu em cima de mim: ‘ah, porque o vocalista [Serj Tankian] iria te odiar se te conhecesse’. Resultado: papo de uns dois, três meses depois, o vocalista do System lançou uma parceria com o Ronnie Radke [vocalista do Falling in Reverse], que é um cantor de extrema direita lá nos Estados Unidos.”

Em seguida, Eduarda citou o comentário feito por Marco Antunes. O baterista, membro do grupo entre 1991 e 1993, havia dito que a deputada está “excomungada”, pedido para ela não usar mais a camiseta e a chamado de “fascistinha de m#rda” e “psicopatinha de m#rda”.

“A mesma coisa aconteceu com o Angra. Vê aquele fulano Leão lá, que eu não lembro o primeiro nome, que era baterista, alguma coisa [nota: referência a Marco Antunes] Parece que ele foi expulso da banda. Não conseguia tocar. Enfim, esse cara veio falar que estou excomungada da comunidade. Que comunidade, cara? Eu só escuto música. Boto meu fone, eu escuto. Comprei o CD, escuto na minha casa. Que comunidade? Não estou fazendo piquenique com os fãs.”

Por fim, a política mencionou o suposto comentário feito por Loureiro. Uma captura de tela circulou nas redes com Kiko dizendo “credo” na postagem que trazia a foto. Após a repercussão, Loureiro negou ter feito qualquer publicação, mas o responsável por divulgar a imagem de Campopiano — o cabeleireiro Anderson Bonani — refutou a versão do músico e disse que a manifestação do músico, de fato, existiu.

Ela conclui:

“Fizeram um [print] que ele teria digitado ‘credo’. Depois ele veio: ‘Ó, nunca comentei nada disso’. Disseminaram que ele comentou. Algumas pessoas estão dizendo até agora que ele comentou mesmo, mas ele disse que não. Não sei se ele apagou porque se arrependeu ou se ele realmente não fez. Então, a banda mesmo, a banda, o perfil oficial falou sobre isso. Mas, para você ver como a esquerda é podre. Se isso realmente foi falso… ele nunca comentou e foi um fake que a esquerda criou. Olha como eles são baixos: pegaram um cara — que, inclusive, pelo que eu saiba, está do lado deles — e criaram uma fake news usando o nome do cara para tentar me prejudicar. E prejudicaram o cara, e a banda teve que fazer nota oficial se explicando. Olha como são malucos, como estão dispostos a prejudicar até quem está do lado deles.”

Apresentando-se como “a maior inimiga das feministas de São Paulo”, Eduarda Campopiano tem 23 anos e exerceu mandato de vereadora a partir de 2024 na cidade de Praia Grande (SP). Entre suas controvérsias mais notórias (via g1), a deputada estadual eleita já:

  • declarou que “não deve nada ao feminismo”;
  • afirmou que “homem é homem e mulher é mulher” (ao abordar questões de transexualidade);
  • chamou a deputada federal Erika Hilton (Psol) de “homem biológico” (em publicação online pela qual é acusada de transfobia e violência de gênero” em denúncia formalizada no Ministério Público);
  • disse em uma filmagem que “vestibular não é para ser inclusivo” (ao criticar política de cotas);
  • e celebrou a colonização do Brasil em entrevista ao RedCast, afirmando: “A gente volta para os índios cometendo canibalismo aqui no Brasil. Glória a Deus que colonizaram. Glória a Deus que catequizaram as índias. Glória a Deus que a extrema direita chegou e falou para os índios: ‘Galera, fazer sacrifício e comer o braço do irmãozinho não é legal, enterrar criança viva’.” Estima-se que dos 2,5 milhões de povos indígenas que viviam na região que hoje compreende o Brasil na época da chegada de Pedro Álvares Cabral em 1500, menos de 10% sobreviveram até os anos 1600.

O comunicado do Angra

Diante disso, o Angra — que já não conta mais com Kiko Loureiro ou Marco Antunes, embora o primeiro citado ainda siga como sócio e envolvido nas decisões — publicou um comunicado para se afastar de eventuais pronunciamentos de ex-integrantes. De acordo com a banda, tais manifestações são estritamente pessoais. Leia o comunicado:

“O Angra esclarece que não tem qualquer responsabilidade ou envolvimento com manifestações recentemente publicadas por ex-integrantes da banda. Tais opiniões são de caráter estritamente pessoal e não representam o Angra nem seus atuais integrantes. Alguns canais e veículos de comunicação vêm repercutindo o assunto de maneira imprecisa, associando essas manifestações à banda. Essa associação não corresponde aos fatos.

Há 35 anos, o Angra se orgulha de levar a música e a cultura brasileira para o mundo, em toda a sua diversidade. Respeitamos a pluralidade de opiniões e ideologias de nosso público e consideramos a liberdade de expressão de nossos fãs um princípio fundamental, independentemente de concordarmos ou não com suas opiniões. Seguimos focados na música, na nossa história e, principalmente, nos nossos fãs.”

Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | X/Twitter | Facebook | YouTube | Bluesky | Threads | TikTok.

Escolhas do editor
InícioNotíciasO que diz Eduarda Campopiano após polêmica com Angra e ex-membros
Igor Miranda
Igor Miranda
Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital. Escreve sobre música desde 2007. Além de editar este site, é colaborador da Rolling Stone Brasil. Trabalhou para veículos como Whiplash.Net, portal Cifras, revista Guitarload, jornal Correio de Uberlândia, entre outros. Instagram, Twitter e Facebook: @igormirandasite.

DEIXE UMA RESPOSTA (comentários ofensivos não serão aprovados)

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui


Últimas notícias

Curiosidades