Os baixistas favoritos de Lemmy Kilmister, o gigante do Motörhead

Lista com seis nomes escolhidos pelo músico é bem variada – em estilo musical, idade e até gênero

Lemmy Kilmister não era um baixista virtuoso, mas também não era comum em seu instrumento. Com seu indefectível modelo Rickenbacker, o frontman do Motörhead era a parte mais importante do DNA sonoro do trio mais barulhento do rock.

Mas como qualquer sujeito importante na música, o velho Lem, que nos deixou em 2015, também tinha suas influências. E em certa ocasião, surpreendeu muita gente ao revelar seus nomes prediletos no instrumento.

Em conversa com a revista Bass Player no ano de 2003, Lemmy escolheu seus baixistas favoritos em uma pequena lista de seis nomes, sem uma ordem de preferência. As escolhas foram mais ecléticas do que alguns poderiam imaginar – e ainda rendeu algumas comentários interessantes do artista a respeito de músicos de gerações diferentes da dele.

Lemmy Kilmister: presente e passado

A lista de Lemmy começa com um grande nome do instrumento, também veterano, mas um pouco mais atual que o Motörhead: Flea. O baixista do Red Ho Chili Peppers tem um estilo bem diferente que o do “fã” e é notório não só pela técnica, como também pela presença de palco incansável.

Ele declarou:

“Eu acho Flea muito bom, com certeza. Excelente. Ele é um inovador e o que ele faz se destaca.”

Na sequência, um veterano: Jet Harris. O baixista tocava com o The Shadows, banda de grande sucesso entre o fim da década de 1950 e início dos anos 1960. Além disso, ele tinha uma parceria com o baterista Tony Meehan, que destacava mais ainda o instrumento grave.

“Muito inovador para sua época, dada a banda em que ele estava. Ele me deu a ideia de que o baixista não tem que ficar no fundo (do palco).”

O terceiro citado foi Bill Wyman. Porém, o líder do Motörhead não teceu nenhum comentário sobre o eterno baixista dos Rolling Stones.

O próximo nome certamente é o mais interessante. Não só pela carreira em si, como por ser a única mulher da lista – e provavelmente a mais prolífica de todos.

A gigante Carol Kaye

Carol Kaye trabalhava como baixista de estúdio nos anos 1960. Fez história ao tocar com a chamada The Wrecking Crew, banda de músicos de sessão que tocaram em milhares de gravações e colaboravam muito com o produtor Phil Spector.

Não à toa, o catálogo artístico dela gira em torno de 10 mil músicas e inclui trabalhos com Ritichie Valens (do hit “La Bamba”), The Beach Boys, Nancy Sinatra, Simon & Garfunkel, Ike & Tina Turner, Frank Zappa, Joe Cocker e muitos outros.

Com justiça, Lemmy reconheceu a atuação de Carol.

“Eu gostava dela. Ela era uma dona de casa que costumava tocar em todas as coisas da Motown. Era ótima, uma mulher excepcional do c***lho. Ela cuidava da casa de manhã, tocava um pouco de baixo e então voltava para a hora do chá, para dar comida às crianças. Incrível!”

O topo da lista

Embora não obedeça a uma ordem particular, a lista destaca os dois últimos baixistas citados por Lemmy Kilmister. Para o frontman do Motörhead, John Entwistle, do The Who, era o maior baixista de todos os tempos – seguido de perto por Paul McCartney.

Embora tenha apenas citado sem comentar sobre a dupla à Bass Player, o músico fez declarações sobre os ídolos em entrevista para a revista Revolver, em 2002.

“Amo John Entwistle, do The Who. Melhor baixista que eu já vi, Entwistle! No entanto, McCartney é o segundo. Ele continua cedendo às suas fraquezas, mas é um ótimo baixista.”

Ainda a respeito do lendário Entwistle, Kilmister fazia questão de destacar a técnica e a destreza do músico em seu instrumento.

“O melhor baixista da face da Terra. Ele era o melhor para mim, sem comparação. Ele tinha tanto comando de seu instrumento. Você nunca via ele errar. Nenhuma nota ruim que eu tenha ouvido. E ele era tão rápido, as duas mãos tocando como o inferno. O solo de baixo em ‘My Generation’, você ainda se enrola todo tentando fazer aquilo hoje. Você pode aprender, mas pensar naquilo era outra coisa. E isso lá em 1964!”

* Texto por André Luiz Fernandes, com pauta e edição por Igor Miranda.

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