Depois da morte de Brian Epstein, em agosto de 1967, os Beatles ficaram sem o empresário que cuidava de boa parte dos negócios do grupo. Então, em janeiro de 1969, John Lennon conheceu Allen Klein, que naquele ano passou a administrar os negócios da banda.
Paul McCartney, porém, não concordou com a escolha, pois não confiava no profissional e queria que Lee Eastman, pai de sua futura esposa, Linda Eastman, assumisse os assuntos do Fab Four. Para o membro, era claro desde o princípio que Klein, conhecido pelo trabalho com os Rolling Stones, era um golpista.
No livro “Paul McCartney: Many Years From Now”, de Barry Miles, ele lembrou do conselho recebido pelo vocalista Mick Jagger, conforme transcrição de Showbiz CheatSheet:
“Nós, os Beatles, estávamos todos reunidos na grande sala de reuniões e perguntamos a Mick como era Klein. Ele disse: ‘Bem, se você gosta desse tipo de coisa, ele serve’. Não disse: ‘Ele é um ladrão’, embora Klein já o tivesse arrancado todos os direitos autorais naquela época.”
Numa sessão de perguntas e respostas recente realizada com o cineasta Judd Apatow, Macca opinou que os antigos companheiros de grupo caíram na conversa do empresário porque ele parecia convincente quanto às promessas impossíveis que fazia. Conforme transcrição da Billboard, o artista explicou:
“Havia esse empresário, Allen Klein, que basicamente estava roubando os Beatles, e eu era o único que via isso. Os outros caras pensavam: ‘nós gostamos dele’ […]. Você estaria em uma reunião e ele perguntaria: ‘O que você quer? Um milhão de dólares? Ok, você já conseguiu’. Ele simplesmente prometia o mundo e não cumpria nada. Eu conseguia ver que aquele cara era um golpista.”
Segundo o músico, a questão era ainda mais complicada do que as divergências musicais do dia a dia porque envolvia dinheiro. Em suas palavras:
“Era eu contra os outros caras [da banda], e essa era a pior parte. Sabe, eu já tinha enfrentado divergências com outras pessoas na hora de fazer música, mas estava tudo bem, porque você só precisava dizer: ‘bom, eu realmente acho que isso está certo’. E, às vezes, eles concordavam comigo; outras vezes, não, e eu acabava aceitando a versão deles. Era algo relativamente fácil de resolver. Mas, nesse caso, de repente, todo o dinheiro que tínhamos ganhado até então, tudo o que havíamos conquistado financeiramente, iria parar na conta bancária daquele cara, e eu realmente tive que lutar contra isso.”
Processo contra os Beatles
Tanto é que, ao processar os outros três colegas em 1970, McCartney alega que também queria impedir Klein de ter controle sobre suas finanças e obra. À British GQ, o cantor argumentou:
“Era a única maneira de salvar os Beatles e a Apple. Sem isso, não teríamos lançado o documentário ‘Get Back’ de Peter Jackson, a saga ‘Anthology’ e todas essas grandes remasterizações de todos os discos. Era preciso processar a banda. Se eu não tivesse feito isso, tudo teria pertencido a Allen Klein. A única maneira que me foi dada para nos tirar disso foi fazer o que eu fiz.”
Em 1980, Klein chegou a ser preso por dois meses após fraudes em declarações de imposto terem sido constatadas. Morreu em 2009, depois de anos de luta contra o diabetes e problemas cardíacos.
Paul McCartney atualmente
Em junho, Paul McCartney lançou um novo álbum, o primeiro em seis anos. Chamado “The Boys of Dungeon Lane”, o disco chega em 29 de maio e é co-produzido por Andrew Watt, que trabalhou com Post Malone, Ozzy Osbourne, Iggy Pop, Elton John e Rolling Stones.
O título é inspirado em uma estrada em Liverpool, onde Paul costumava observar pássaros na infância. A nostalgia dá o tom do trabalho, como fica evidente no primeiro single disponibilizado, “Days We Left Behind”.
Um comunicado destaca:
“Este é o álbum mais introspectivo de Paul McCartney até o momento, levando o ouvinte de volta ao início de tudo. Nessas novas e extraordinárias canções, Paul escreve com rara franqueza sobre sua infância na Liverpool do pós-guerra, a resiliência de seus pais e as primeiras aventuras compartilhadas com George Harrison e John Lennon, muito antes de o mundo sequer ter ouvido falar da Beatlemania. Assim como sua carreira, ‘The Boys of Dungeon Lane’ é musicalmente eclético e mostra Paul explorando uma variedade de instrumentos e estilos, exibindo sua ampla musicalidade. Há rock ao estilo Wings, harmonias ao estilo Beatles, grooves ao estilo McCartney, intimidade discreta, narrativas guiadas pela melodia, canções sobre personagens – o fio condutor sendo Paul.”
O sucessor de “McCartney III” (2020) levou alguns anos para ser feito, devido a outros compromissos do artista, incluindo turnês. A arte da capa é uma criação de Josh McCartney, filho de Mike “McGear” McCartney e sobrinho de Paul.
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