Filho de pai queniano e mãe de ascendência irlandesa e italiana, Tom Morello nasceu em Nova York e cresceu em Libertyville, Illinois, nos Estados Unidos. Ao longo dos anos, o guitarrista do Rage Against the Machine pontuou em inúmeras ocasiões os episódios de racismo que sofreu durante a infância e adolescência na cidade.
Por isso, o músico fica surpreso por, devido às suas origens distintas, muitas pessoas não aceitarem que é negro. O assunto surgiu em entrevista ao podcast Broken Record, transcrita pela Ultimate Classic Rock.
Segundo o instrumentista, uma “parcela considerável” do público não compreende sua identidade racial, chegando a não reconhecê-lo como negro. Ele explicou:
“Há uma parcela considerável do meu público ao longo das décadas que, quando falo sobre ser afro-americano, fica surpresa e se recusa a acreditar. É como se houvesse uma dissonância cognitiva e achassem: ‘não, não, não, Tom Morello não é negro’.”
Em seguida, o artista mencionou novamente situações de preconceito que enfrentou, como quando tinha 13 anos e uma corda em formato de forca foi colocada na garagem da casa de sua família:
“Eu era a pessoa negra da cidade […]. Todos os dias eu era lembrado de que era negro. Meu cabelo era diferente. As pessoas queriam tocar no meu cabelo, queriam ver se as palmas das suas mãos tinham uma cor diferente […]. Em determinado momento, havia uma forca na garagem da minha família. Eu era negro e não havia dúvida para ninguém na cidade de que eu era negro.”
Complementando o tópico, o próprio citou Slash, guitarrista do Guns N’ Roses que é filho de uma afro-americana, como exemplo de alguém que passa pelo mesmo. E refletiu:
“Os fãs do Guns N’ Roses não sabem que Slash é negro. Eles não sabem. É um comentário interessante sobre a questão racial nos Estados Unidos. Tenho exatamente a mesma cor de pele que tinha quando estava em Libertyville, mas grupos completamente diferentes me enxergam de maneiras completamente diferentes.”
Tom Morello, racismo e estereótipos
Em 2021, Tom Morello comentou abertamente sobre o preconceito racial de alguns grupos da comunidade do rock. À NME, refletiu:
“Há uma grande parcela do público que fica chocada e chateada quando me ouvem falar sobre autoidentificação como negro. Ficam a um passo de se sentirem ofendidos. Mas eu sou queniano, cara, o genuíno negro da África. Nem sempre é um preconceito malicioso, só que existe e está enraizado no DNA do Rock, apesar de ter sido inventado pelos negros. Não sei se as coisas melhoraram nos últimos anos, mas definitivamente havia uma barreira.”
O músico também falou a respeito da luta para não ser estereotipado:
“Eu costumava repudiar publicamente Jimi Hendrix porque, em cada show que fiz quando jovem, alguém na plateia gritava: ‘toque Foxy Lady!’. Ou: ‘toque com os dentes’. Essa era a suposição, porque havia apenas uma indicação do que um guitarrista negro poderia ser. Tive que me distanciar disso para ser o músico que queria ser. Felizmente, não é mais necessário agir dessa forma.”
Sobre o guitarrista
Guitarrista e fundador do Rage Against the Machine, Tom Morello também é lembrado por outros projetos, como o Audioslave, Prophets of Rage e sua carreira solo. O músico, cuja obra é permeada por temas políticos, é formado em Ciências Políticas pela famosa Universidade de Harvard, em Massachusetts.
