O primeiro álbum do Metallica a ter Kirk Hammett tocando base

“Nunca foi realmente um assunto sobre o qual conversávamos. Eu fiz questão de me esforçar para criar uma segunda parte de guitarra que complementasse a do James", relembrou o guitarrista

Nos primeiros discos do Metallica, o trabalho de Kirk Hammett nas gravações em estúdio era restrito à guitarra solo. Até então, toda a base era feita pelo companheiro de instrumento e vocalista James Hetfield, conhecido pelas palhetadas rápidas para baixo. 

Demorou para que essa realidade mudasse. Segundo o próprio Hammett, foi somente no sexto disco de estúdio “Load” (1996) que pôde participar da parte rítmica pela primeira vez. 

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Durante entrevista à Guitar World em 1996, o guitarrista explicou que tal divisão não era nem mesmo abordada internamente. Porém, enquanto criavam o projeto, o assunto surgiu naturalmente: 

“Nunca foi realmente um assunto sobre o qual conversávamos. A primeira vez que mencionamos isso aconteceu enquanto estávamos gravando as partes de bateria para o álbum. Quando fazemos isso, todos tocamos as músicas juntos na mesma sala, mas a única coisa que vai para a gravação final é a bateria, o resto fica registrado apenas em uma gravação de referência. Algumas das músicas estavam soando tão bem nessas fitas que o James disse: ‘bom, talvez o Kirk devesse tocar na versão final de algumas delas’.”

Diante da deixa, em uma viagem de Hetfield, o produtor Bob Rock passou a função para Hammett. À época, o guitarrista, surpreso, resolveu adotar a seguinte abordagem:

“Mais tarde, num dia em que o James tinha saído para uma viagem de caça, eu estava gravando alguns solos. Quando terminei o solo de uma das músicas, o nosso produtor, Bob Rock, disse: ‘certo, afine a guitarra e agora vamos gravar a base dessa música’. Eu fiquei meio: ‘o quê?’ […]. Eu fiz questão de me esforçar para criar uma segunda parte de guitarra que complementasse a do James e não simplesmente a imitasse.”

De acordo com o integrante, a “troca” não gerou nenhuma confusão com Hetfield. Na verdade, a maior parte das discussões envolveram os solos, como explicou: 

“Na verdade, neste álbum, discutimos mais sobre os solos do que qualquer outra coisa. Mas nós sempre estamos discutindo sobre alguma coisa, então isso fazia parte da rotina.”

Flemming Rasmussen, que colaborou com a banda nos discos “Ride the Lightning” (1984), “Master of Puppets” (1986) e “…And Justice For All” (1988), garante que Kirk não ficou responsável por nenhuma das guitarras base nos trabalhos em questão. À Total Guitar em 2022, o produtor relatou:

“Nos álbuns que fiz, James tocou todas as guitarras base. Kirk não toca uma única guitarra base em ‘Master of Puppets’. Nós montávamos o equipamento do James e o do Kirk, e James alternava entre eles para fazer as partes. A maioria das guitarras principais começava na Firebird do James, e depois trocávamos de guitarra o tempo todo.”

Ao vivo, Kirk acredita que a realidade seja bem diferente. Em 2015, à Guitar World, o músico chegou a dizer que 95% do seu tempo no palco é “dedicado a tocar guitarra base”. Posteriormente, à Polar Music Prize, como compartilhado pelo Blabbermouth, o guitarrista justificou:

“Bem, quando fiz aquela declaração, o que eu quis dizer é que, muitas vezes, ao longo das performances, estou apenas tocando partes de guitarra base — acordes ou riffs — para complementar o que está acontecendo por baixo dos vocais. E então, quando chega a hora da seção do solo ou da parte principal da guitarra, esse é o meu momento de me expressar e deixar fluir.”

Sobre “Load”

Sexto álbum de inéditas do Metallica, “Load” contava com passagens que flertavam com hard, southern e rock alternativo. Com 78 minutos e 59 segundos, é o trabalho mais longo da carreira da banda, ocupando todo o espaço disponível na capacidade do CD – a última faixa, “The Outlaw Torn”, chegou a ter uma parte cortada na edição final para se adaptar aos limites do formato.

Mesmo com toda a repercussão negativa, chegou ao topo das principais paradas mundiais, vendendo cerca de 15 milhões de cópias. Ganhou disco de ouro no Brasil.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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