M. Shadows compartilha versão IA do Avenged Sevenfold e inicia debate; ouça música

Vocalista publicou canção do canal Artificial Sevenfold chamada "Let It Burn" e refletiu a respeito dos avanços e limites da tecnologia

M. Shadows propôs um debate a respeito da inteligência artificial. Por meio do X/Twitter na última segunda-feira (21), o vocalista do Avenged Sevenfold compartilhou uma música inexistente da banda feita com IA intitulada “Let It Burn”, disponibilizada no YouTube por um canal chamado Artificial Sevenfold, e refletiu a respeito. 

Numa postagem inicial, o cantor colocou o link da canção e a legenda “você conseguiria perceber?”. Então, embaixo, publicou um gif da série de animação “South Park” em que um personagem aparece dizendo “eles tiraram nossos empregos”

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Logo depois, o artista comentou sobre como a inteligência artificial reutiliza dados compartilhados anteriormente e deu a entender que isso não deveria ser necessariamente uma surpresa diante dos avanços da tecnologia. Ele escreveu:

“Passo 1. Publique todos os seus pensamentos, fotos e opiniões na internet durante uma década.
Passo 2. Entregue tudo de graça às plataformas.
Passo 3. Finja surpresa quando tudo isso for reutilizado pela IA.
Passo 4. Publique sobre isso. (Volte ao passo 1.)”

Um fã chegou a teorizar que a faixa poderia ser verídica e uma provocação dos integrantes, visto o histórico do A7X, que já até mesmo fingiu um suposto ataque hacker em 2023. Matt, porém, negou:

“[Postei] só para deixar as coisas um pouco mais confusas. Ver um monte de gente que fala bastante perder a cabeça.”

Na seção de respostas, o guitarrista Zacky Vengeance mencionou como o A7X já havia abordado o assunto no disco “The Stage” (2016). O músico citou o Deathbot, ferramenta de inteligência artificial criada pelos próprios à época de divulgação do trabalho, e afirmou:

“Aposto que a maioria das pessoas nem sabe que fizemos isso há 10 anos.”

Avenged Sevenfold e “The Stage”

Conversando com Igor Miranda para a Rolling Stone Brasil, o membro havia detalhado como o conceito do material em questão envolveu a questão da IA. Em suas palavras:

“‘The Stage’ era um projeto ambicioso porque era muito mais progressivo e foi construído a partir de um conceito. Enviei ao Matt um artigo sobre inteligência artificial e para onde as coisas estavam indo porque achei muito interessante, e ele mergulhou de cabeça nessa questão, aprendeu bastante sobre o assunto, achou intrigante e quis compor um álbum bastante técnico, que incorporasse muita coisa de bandas progressivas com as quais a maioria de nós cresceu.”

Johnny Christ, baixista, completou na ocasião que o tema é ainda mais atual após uma década: 

“Gosto da vibe espacial nele. E não musicalmente. A ideologia: inteligência artificial, espaço, tudo isso. Já estamos chegando a 10 anos bem perto desse disco. E pensar sobre qual pode ser o principal tópico de discussão hoje em dia… já estávamos tentando falar sobre isso há tanto tempo. Me deixa bem orgulhoso. É bem atual, mesmo tendo sido lançado há quase 10 anos. É insano.”

M. Shadows e a opinião sobre a inteligência artificial 

M. Shadows sempre esteve ciente da possibilidade de a inteligência artificial ser usada pelo público para criar músicas do Avenged Sevenfold. Quando falou sobre a críticas ligadas ao mais recente álbum “Life is But a Dream…” (2023), o vocalista opinou para a Rock Feed (via Ultimate Guitar):

“No fim das contas, não estamos fazendo arte com base na opinião de todo mundo. Não é assim que fazemos arte. Não é como se todo mundo fosse nos dar suas ideias e nós fôssemos juntar tudo e transformar na mesma coisa. Agora temos a inteligência artificial para fazer isso. Você vai poder pegar seus discos favoritos e a IA poderá criar algo parecido com eles.”

Já para o podcast The Ex Man, conforme transcrito pelo Blabbermouth, o cantor trouxe o seguinte raciocínio:

“O que eu acho interessante sobre a IA é o seguinte: se você pensar no que a IA é neste momento, ela é um acúmulo de tudo o que já existe. Então, se você disser: ‘faça uma música do Avenged Sevenfold’, a IA não sabe como sair da caixa e realmente criar algo que [nós] faríamos. Mas ela sabe pegar o que já fizemos e misturar e combinar de uma maneira diferente. Então, se você pensa: ‘esse disco novo do Avenged é uma porcaria’ e pedir para a IA fazer um álbum do Avenged, você terá uma mistura de tudo o que já fizemos, mas com refrões diferentes, coisas legais diferentes. Acho que isso poderia ser muito interessante.”

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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