A explicação do The Town para contratar Marilyn Manson, acusado de abuso sexual

Cantor americano alvo de várias alegações — algumas delas ainda em andamento na Justiça — é uma das atrações do primeiro dia do festival paulistano

A confirmação de Marilyn Manson como uma das atrações do The Town 2027 gerou controvérsia. O cantor foi alvo de diversas acusações de abuso sexual, nos últimos 5 anos, de mulheres que se relacionaram ou trabalharam com ele.

Mesmo assim, a organização do festival resolveu bancar a contratação. O americano se apresenta no palco Skyline, o principal do evento, no dia 4 de setembro, antes do Slipknot. O festival ocorre no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, também nos dias 5, 6, 11 e 12 de setembro.

- Advertisement -

Em entrevista ao jornal O Globo, Zé Ricardo, vice-presidente artístico da Rock World — empresa responsável pelo The Town e pelo Rock in Rio —, admitiu a polêmica, mas explicou o ponto de vista dos responsáveis pelo festival. O executivo apontou que Manson não recebeu nenhuma condenação e está em turnê com o Slipknot, por isso a escolha.

“O Marilyn Manson está com o Slipknot na turnê e é um artista que nunca tocou com a gente. É um artista controverso, mas muito talentoso, e pesa muito isso sobre o fato de ele não ter sido condenado. Então, a gente vem muito com esse pensamento.”

Acusações contra Marilyn Manson

A leva de acusações contra Brian Warner, que usa o nome artístico Marilyn Manson, foi iniciada em fevereiro de 2021. A atriz Evan Rachel Wood o identificou como o homem que ela dizia, em situações anteriores, tê-la submetido a anos de abuso.

Outras mulheres se manifestaram imediatamente. Nos meses seguintes, a imprensa contabilizou pelo menos 16 pessoas com diferentes tipos de acusações, como estupro, abuso sexual e violência física e psicológica.

Publicamente e à Justiça, Manson negou as alegações e apontou a existência de uma campanha para acabar com sua reputação.

Entre as várias mulheres que fizeram acusações, cinco moveram processos civilmente contra o artista: Esmé Bianco, Ashley Walters, uma ex-namorada anônima, Ashley Morgan Smithline e Bianca Allaine Kyne (que havia iniciado sua movimentação jurídica de forma anônima). Os destinos foram diferentes: dois acordos extrajudiciais (Bianco e mulher anônima), uma desistência processual seguida de retratação (Smithline), uma ação ainda em andamento (Walters) e outro litígio dividido entre Nova York e Louisiana (Kyne). Evan Rachel Wood não moveu ação — na verdade, ele a processou por, entre outras coisas, fabricação de acusações, mas em meio a uma derrota parcial na Justiça, desistiu em novembro de 2024 e pagou cerca de US$ 327 mil pelos honorários advocatícios de Wood.

Paralelamente, uma investigação criminal de quatro anos terminou em janeiro de 2025 sem denúncia. A promotoria de Los Angeles, nos Estados Unidos, informou que não formalizaria acusações criminais contra Marilyn Manson.

As autoridades afirmam que uma parte das denúncias está prescrita. Outras acusações não tiveram comprovação. Promotoria é quem representa os interesses legais do Estado e do público em geral perante os tribunais, investigando crimes e apresentando denúncias. Isso não equivale a uma decisão judicial de que as acusações eram falsas.

Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | X/Twitter | Facebook | YouTube | Bluesky | Threads | TikTok.

Escolhas do editor
InícioNotíciasA explicação do The Town para contratar Marilyn Manson, acusado de abuso...
Igor Miranda
Igor Miranda
Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital. Escreve sobre música desde 2007. Além de editar este site, é colaborador da Rolling Stone Brasil. Trabalhou para veículos como Whiplash.Net, portal Cifras, revista Guitarload, jornal Correio de Uberlândia, entre outros. Instagram, Twitter e Facebook: @igormirandasite.

DEIXE UMA RESPOSTA (comentários ofensivos não serão aprovados)

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui


Últimas notícias

Curiosidades