O convidado mais memorável que Sepultura já recebeu em show, segundo Andreas Kisser

"É mais do que um privilégio ter tido esse contato com um ídolo como ele", revelou guitarrista ao relembrar parceria

Ao longo dos anos, o Sepultura teve a oportunidade de dividir o palco com uma série de artistas de peso. A lista inclui nomes como Korn, no Monsters of Rock de 2013; Steve Vai, no Rock in Rio USA, em 2015; e Dave Grohl, durante a turnê “Celebrating Life Through Death”, em Los Angeles, em junho deste ano.

Mas uma dessas participações, de data incerta, virou especialmente memorável: a do saudoso Lemmy Kilmister

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Para Andreas Kisser, tocar “Orgasmatron”, originalmente do Motörhead, ao lado do vocalista da banda foi um momento “surreal”. Em entrevista a Mayse Bertani para o TMDQA, o guitarrista relembrou: 

“Foi em 2003 ou 2004, num festival na Bélgica. O Lemmy subiu com a gente no palco pra fazer ‘Orgasmatron’, um cover que tem muito a ver com o Sepultura, e ele estava sem bigode, subiu sem baixo, só quis cantar. Ainda mais especial porque vimos um Lemmy completamente desarmado, sem bigode e sem baixo, aquilo foi surreal, porque o Motörhead é um dos grandes culpados de tudo isso. De existir Sepultura, de existir Metallica, de existir todo esse thrash metal, e de a gente ter esse relacionamento com o Lemmy.”

Complementando a resposta, o músico mencionou também o Monsters of Rock 2015, quando, com o cancelamento do show do Motörhead, o guitarrista Phil Campbell e o baterista Mikkey Dee fizeram uma jam session com o Sepultura:

“A gente trabalhou muitos anos com o mesmo empresário e fez várias coisas com o Motörhead. Toquei com eles algumas vezes, toquei ‘Going to Brazil’. Quando o Lemmy ficou doente aqui num festival em São Paulo e não conseguiu tocar, eu, o Paulo [Xisto, baixista do Sepultura] e o Derrick subimos no palco com o Mikkey Dee e o Phil Campbell pra fazer algumas músicas do Motörhead, só pra avisar que o Lemmy infelizmente não ia conseguir fazer o show. A gente tem uma história tão próxima que é até difícil de acreditar.”

Lemmy Kilmister apoiava Derrick Green

Por fim, o integrante ressaltou o apoio dado por Lemmy, sobretudo com a entrada do vocalista Derrick Green em 1997, e a admiração pelo cantor, falecido em dezembro de 2015: 

“O Lemmy sempre foi um cara que deu muito apoio quando o Derrick entrou na banda. Ele falou ‘esse cara é o cara’, sem toda aquela bobagem que a galera ficava falando e comparando. O Lemmy sempre foi um cara muito autêntico, muito ponta firme. Do jeito que estava no palco, ele estava fora, era um cara muito real. É mais do que um privilégio ter tido esse contato com um ídolo como ele e o Motörhead. É uma banda que vai ficar comigo pro resto da vida, porque até hoje me emociona muito, e ter esse contato com eles historicamente é uma coisa que a gente nem em sonho tinha imaginado.”

Sepultura, Lemmy e “Orgasmatron”

um relato de que Lemmy supostamente cantou “Orgasmatron” com o Sepultura no festival belga Graspop, porém não há maiores confirmações quanto à parceria na ocasião. Também existem registros de que a banda brasileira subiu ao palco com o vocalista do Motörhead durante a mesma canção em 4 de dezembro de 2004, em Magdeburg, na Alemanha. Conforme o site BraveWords, Andreas contou à época a respeito do episódio:

“Lemmy não quis cantar a música, então Derrick teve que aprender a letra bem rápido. Ele escreveu a letra em uma folha grande de papel e a colocou no chão para poder ler enquanto cantava. A música saiu perfeita, com o som mais alto vindo dos amplificadores e uma ótima energia no salão. No fim da música, a equipe do Motörhead e do Sepultura, junto com alguns amigos, subiu ao palco com a festa que haviam preparado durante o dia. Servimos caipirinhas para o público e para todos que estavam no palco. Cruzei minha guitarra com o baixo de Lemmy, fazendo a tradicional pose do metal. Foi histórico, inesquecível.”

O show final do Sepultura

O Sepultura anunciou os detalhes de seu último show. A performance encerra a turnê de despedida “Celebrating Life Through Death”, iniciada em março de 2024 e com mais de 130 apresentações realizadas até o momento.

O evento derradeiro está marcado para o dia 7 de novembro, na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo. A produção é da Live Nation e os ingressos estão à venda no site da Ticketmaster Brasil.

As atrações de abertura incluem os brasileiros do Krisiun, os americanos do Sacred Reich e também o Metal Allegiance. O supergrupo é capitaneado pelo baixista Mark Menghi e traz em sua formação Mike Portnoy (bateria, Dream Theater), Phil Demmel (guitarra, ex-Machine Head), Troy Sanders (baixo, Mastodon) e a dupla Chuck Billy e Alex Skolnick, vocalista e guitarrista do Testament, respectivamente.

Entre os ex-integrantes confirmados estão o baterista Jean Dolabella, que esteve no Sepultura entre 2006 e 2011, e o guitarrista Jairo Guedz, guitarrista original, que fez parte do grupo entre 1985 e 1987. Mais atrações e convidados podem ser anunciados até a data do show.

Sabe-se que os membros fundadores Max (voz e guitarra) e Iggor Cavalera (bateria) não devem participar. Em declaração à Rolling Stone Brasil, Andreas Kisser declarou:

“Liguei para o Iggor alguns meses atrás. Tivemos uma conversa sensacional e muito cordial. Falamos de outros assuntos: família, futebol… foi muito legal. Então, fiz o convite. Ele disse: ‘cara, a gente não sente parte disso, a gente não se sente confortável’. Deu os motivos dele para não querer fazer parte disso. Ok. Por meio dos empresários, também enviamos oficialmente um contato lá [para Max] e também recebemos a negativa. Não sei se foi diretamente da Gloria [esposa e empresária de Max] ou do advogado, mas fomos pelos dois caminhos: um caminho direto, onde falaram ‘não’, e outro mais burocrático, onde também foi falado ‘não’. Se chegou na Gloria ou não, isso não tenho como dizer. Só posso te dizer o que tivemos de retorno. E está de boa. Acho que tínhamos que fazer o convite. Seria muito legal a participação deles.”

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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