Por que o W.A.S.P. rompeu com Chris Holmes, segundo Blackie Lawless

"Ele não era capaz de fazer musicalmente as coisas que eu queria fazer em determinado ponto", pontuou o vocalista e guitarrista

Chris Holmes entrou para o W.A.S.P. em 1982. Membro emblemático da banda, o guitarrista permaneceu na formação até 1990 e, então, retornou entre 1996 e 2001, quando deixou o grupo novamente.

Segundo Blackie Lawless, o rompimento aconteceu por diferentes motivos. Ao relembrar o período em entrevista à Loaded Radio, o vocalista e guitarrista explicou que, apesar de “ótimo performer”, o ex-colega não dava conta de fazer o que ele queria musicalmente. 

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Na sua opinião, depois do quarto disco “The Headless Children” (1989), ficou claro que os dois queriam seguir direções artísticas bem diferentes. Conforme transcrição do Blabbermouth, o líder detalhou: 

“Chris é um ótimo performer. Mas, vamos colocar assim: ele não era capaz de fazer musicalmente as coisas que eu queria fazer em determinado ponto. Sabe aquela velha expressão ‘nós nos separamos por diferenças musicais’? Bem, foi realmente isso. Eu queria fazer coisas diferentes, tentar coisas novas. Depois que fizemos ‘The Headless Children’, eu tinha chegado ao limite do que podia fazer com aquela formação. Não faria sentido pedir ao Chris para assumir, em ‘The Crimson Idol’, o tipo de papel que Bob Kulick desempenhou […]. Minha vontade de seguir em frente e me expressar de maneiras diferentes acabou sendo o exemplo perfeito de ‘diferenças musicais’.”

Para Lawless, ele e Holmes, assim como os outros integrantes, tinham uma química no início. Só que, a partir da saída do baterista Tony Richards em 1984, tudo pareceu desandar. Segundo Blackie, o destaque que o próprio frontman recebeu também não ajudou: 

“No começo, havia uma química. E existia com todos os integrantes da banda. Não era apenas com ele. E, quando perdemos Tony [Richards], fomos seriamente prejudicados, e sabíamos disso. Tentamos, no segundo e no terceiro álbum, me colocar mais à frente [nas capas]. E, se você perceber, depois do terceiro álbum, sentimos que aquilo não estava funcionando e que precisávamos seguir em uma nova direção. A partir daquele momento, nenhum integrante estava mais na capa de um álbum.”

O que diz o guitarrista

Por sua vez, Chris Holmes elenca uma série de problemas que fragilizaram sua relação com Blackie Lawless, a quem descreveu como um “narcisista maligno”. Ao Rock Interview Series em maio, o guitarrista afirmou que recebia menos dinheiro do que os colegas e que acabou prejudicado quanto aos ganhos relacionados aos direitos autorais.

Não só, como também criticou a maneira com que o W.A.S.P. tocava ao vivo. Em suas palavras: 

“Por semana, [o baterista] Frankie Banali estava recebendo US$ 1.850 e eu US$ 500. Fui até o Blackie e disse que isso não parecia certo. Blackie me agarrou, colocou o braço ao meu redor e disse: ‘você vai ganhar mais com seus direitos autorais’. E ele sabia que estava pegando o meu dinheiro e que tinham me registrado como músico de sessão. Que tipo de pessoa faz isso? Você acha que eu algum dia iria querer sequer ficar na mesma sala que esse cara? Ele é um narcisista maligno, e não quero mais estar perto de pessoas assim. Não existe dinheiro no mundo que [me faça querer estar perto de pessoas assim]. Quero ser feliz. Quero estar perto de pessoas cuja companhia eu gosto, que me fazem sorrir, que fazem piadas. Não preciso estar perto de pessoas assim. Além disso, desde ‘Kill F*ck Die’, de 1997, tocar ao vivo com o W.A.S.P. não passava de uma depressão, porque eles usavam samples, e, para mim, isso não é ao vivo.”

Outra questão é o protagonismo de Lawless. Ao Trunk Nation em 2021, o artista disse acreditar que no primeiro álbum homônimo o W.A.S.P. era “um grupo, uma banda” e, depois, “no segundo disco, não era mais um grupo, era um show de um homem só”,

Apoio apesar das divergências

Vale destacar que, no último mês de julho, Chris Holmes revelou estar lutando contra um câncer de próstata e abriu uma vaquinha para arcar com as despesas do tratamento. Apesar das divergências, Blackie Lawless publicou uma mensagem nas redes sociais em apoio ao ex-colega, escrevendo (via Whiplash):

“Toda a família W.A.S.P. está devastada com a notícia de que nosso irmão e membro fundador, Chris Holmes, enfrenta agora uma batalha séria. Pedimos a todos vocês, que foram tocados e sensibilizados pela banda, que se unam a nós para apoiá-lo e homenageá-lo da maneira que puderem – seja com ajuda financeira ou com palavras de paz e encorajamento. Digam o quanto ele significa para vocês. A Nação W.A.S.P. apoia a todos vocês!!”

W.A.S.P. e Chris Holmes

Chris Holmes entrou para o W.A.S.P. em 1982, pouco tempo antes de a banda começar a gravar seu álbum de estreia homônimo, lançado em 1984. Permaneceu até 1990, retornando entre 1996 e 2001.

Nos últimos anos, dedicou-se a projetos solo e à banda Where Angels Suffer, formada com dois ex-colegas de W.A.S.P.: o guitarrista Randy Piper e o baterista Stet Howland.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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