Por que Geddy Lee passou um ano sem sorrir antes da volta do Rush

Vocalista, baixista e tecladista estava tão apreensivo antes do início da "Fifty Something" que até sua família percebeu: "segundo minha filha, não sorri durante um ano e meio"

Em outubro do ano passado, o Rush anunciou que voltaria aos palcos com a baterista Anika Nilles no lugar do saudoso Neil Peart. À época, os membros explicaram que a decisão era “relativamente recente”. 

Após uma performance inicial na premiação Juno Awards em março, o grupo iniciou a turnê de retorno “Fifty Something” em junho. E Geddy Lee confessa que, antes do giro, estava apreensivo ao ponto de deixar de sorrir no dia a dia. 

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Durante entrevista à Rolling Stone, o vocalista, baixista e tecladista contou que a ideia de retomar o ritmo na estrada o preocupava devido à idade. Aos 73 anos, o músico ficou receoso de não conseguir entregar um bom desempenho aos fãs, fato que não passou despercebido por sua filha:

“Voltar nessa idade traz o medo de que você não consiga mais fazer isso e acabe sendo uma versão limitada de si mesmo. E eu não quero isso. Foi por isso que Neil se aposentou. Ele se aposentou porque se recusava a mostrar qualquer coisa em público que não fosse o seu melhor. E foi por isso que, segundo minha filha, eu não sorri durante um ano e meio antes de subir ao palco.” 

Conforme as apresentações foram acontecendo, o artista sentiu-se mais leve e “voltou a sorrir”. O integrante acredita que o guitarrista Alex Lifeson e Anika também passaram pela mesma situação: 

“Depois, minha filha veio falar comigo e estava tão feliz. Ela disse: ‘você parece tão feliz aí em cima. Não vejo você sorrir assim há um ano e meio’ […]. É que eu precisei entrar em um estado de concentração total para me preparar para esse trabalho. Para não decepcionar a mim mesmo e não decepcionar o público. E sei que Al passou pela mesma coisa, e sei que Anika também.”

Para recuperar a confiança em si mesmo e na própria voz, Lee começou a trabalhar com um preparador vocal no período. O processo incluiu exercícios para ampliar sua extensão vocal, como relatou:

“Era importante para mim fazer o máximo possível das versões originais para o nosso público, eu não queria ter que começar a mudar o tom de todas as músicas. Um amigo nosso me recomendou um preparador vocal, chamado Mitch Seekins, e ele é uma pessoa incrível. Nas primeiras sessões, ele estava me avaliando e disse: ‘você tem uma voz cujos músculos estão fora de forma, você não canta há 11 anos, isso é normal.’ Então, depois de algumas sessões, ele disse que a boa notícia era que eu ainda tinha a mesma extensão vocal, mas precisávamos fortalecer minha voz para que eu conseguisse acessá-la. Foi aí que começou todo um regime de exercícios […]. Conforme avançávamos, ele era muito bom em me fazer ampliar minha extensão vocal e também em me dar confiança para usá-la. Parte do processo é aprender novas técnicas para alcançar as notas mais agudas, de modo que você não precise se esforçar tanto para chegar até elas.”

Rush e a “Fifty Something Tour” no Brasil

O Rush excursionará pela América do Norte ao longo de 2026. No ano seguinte, levará a “Fifty Something Tour” para outros continentes. O Brasil recebe o trio em entre 22 de janeiro e 4 de fevereiro para seis shows:

  • 22 de janeiro de 2027 – Curitiba – Arena da Baixada
  • 24 e 26 de janeiro de 2027 – São Paulo – Allianz Parque
  • 30 de janeiro de 2027 – Rio de Janeiro – Estádio Nilton Santos (Engenhão)
  • 1 de fevereiro de 2027 – Belo Horizonte – Estádio Mineirão
  • 4 de fevereiro de 2027 – Brasília – Arena BRB Mané Garrincha

Anika Nilles é a responsável pela bateria na nova fase da banda. Em outubro do ano passado, a musicista alemã foi anunciada como substituta de Neil Peart. Agora, a formação ainda traz o tecladista Loren Gold.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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