Tony Iommi lançará o seu primeiro álbum solo em mais de duas décadas. Intitulado “From the Dark”, o disco sucessor de “Fused” (2005) chega a público no próximo dia 29 de outubro via BMG.
Depois da parceria com Glenn Hughes, o guitarrista do Black Sabbath resolveu escalar para os vocais do projeto o norueguês Jørn Lande, conhecido principalmente por sua trajetória à frente do Masterplan. E, ao mencionar a colaboração, afirmou ter deixado o cantor livre para compor.
À Rolling Stone, Iommi justificou que a ideia era que tudo fluísse de maneira natural para que soasse convincente. Em suas palavras:
“Não dei a ele nenhuma ideia para as letras. Com um vocalista, é bom quando ele pode criar o próprio material, porque, na hora de cantar, consegue transmitir aquilo de forma mais convincente. Era assim com o Ronnie: quando ele escrevia as letras, havia certas palavras às quais ele conseguia dar uma força impressionante. E acho que acontece a mesma coisa com o Jørn.”
Jørn confirma que esse foi o processo em estúdio. À Ten Tons Of Tone, conforme transcrição do Blabbermouth, o cantor entrou em detalhes quanto à participação no “From the Dark” e explicou que não havia uma direção definida quando começaram, apesar de acabar influenciado pelos riffs de Iommi e vice-versa:
“Nunca houve um plano de seguir determinado ‘estilo’ ou direção. Tudo aconteceu naturalmente entre dois músicos que têm respeito mútuo um pelo outro. É claro que, quando você trabalha com o Tony, a música dele naturalmente leva você, criativamente, a um estado mais sombrio e profundo para criar melodias e letras. Às vezes, Tony mudava seus riffs para se adequar às minhas melodias e em outras vezes, eu alterava minhas melodias para acompanhar as mudanças que ele fazia nos riffs e nas estruturas musicais.”
Segundo o vocalista, a abordagem adotada acabou sendo simples: dar o seu melhor e confiar no próprio trabalho.
“Eu não tinha nenhuma estratégia definida ou, na verdade, uma abordagem diferente em mente. Apenas gravei sendo quem eu sou, com uma enorme vontade de dar o meu melhor. Meu único foco era criar naturalmente as melhores melodias vocais possíveis para acompanhar os riffs e arranjos de guitarra do Tony e o fato de poder dedicar o tempo que precisava para isso foi essencial para o resultado final.”
Parceria de Jørn Lande e Tony Iommi
Também durante entrevista à Rolling Stone, Tony Iommi relembrou a participação de Jørn Lande no tributo que o Heaven & Hell prestou ao saudoso Ronnie James Dio em 2010. Em suas palavras, a experiência foi decisiva para convidá-lo ao novo material:
“Já havíamos trabalhado com ele antes. Quando fizemos o tributo ao Dio, depois que o Ronnie faleceu, convidamos o Jørn para cantar algumas músicas conosco, e eu gostei muito da voz dele. Então pensei: ‘bem, gostaria de trabalhar com ele’. Eu realmente gostei da voz dele. Quero dizer, você pode ir atrás de artistas mais famosos, mas isso eu já fiz.”
Sobre “From the Dark”
Em “From the Dark”, Tony Iommi é acompanhado do vocalista Jorn Lande — ex-integrante do Masterplan e Allen/Lande que divide os créditos de composição de todas as faixas —, além da baixista Becky Baldwin (Mercyful Fate) e do baterista Karl Brazil (James Blunt, Robbie Williams). A produção é assinada pelo guitarrista junto de Mike Exeter, seu parceiro de longa data.
Num comunicado à imprensa, o lendário membro fundador do Black Sabbath afirma: “Foi um álbum que realmente gostamos de fazer. Não estamos tentando provar nada; é um ótimo álbum, é puro rock!”. A nota da assessoria complementa:
“Desde as notas iniciais de ‘Over the Violent Sun’ — que traz um riff de guitarra clássico e enérgico em afinação baixa, marca registrada de Tony Iommi, e a impressionante capacidade vocal dramática de Jorn Lande —, fica claro que ‘From the Dark’ é um álbum excepcional, digno de seu lugar no impressionante catálogo de Iommi. ‘Black Times’ dá continuidade à jornada com um impacto avassalador e implacável, conduzindo ao primeiro single explosivo, ‘World Alone’, antes que a quarta faixa, ‘Beyond the Dead’, mude o ritmo com um riff imponente e sinistro entrelaçado a uma orquestração épica. O questionamento existencial presente nas letras de Lande — repletas de imagens distópicas e reflexões sobre a natureza efêmera da experiência humana — é evidente em todo o álbum, especialmente na faixa ‘Stormwatcher’, com suas metáforas náuticas e sonhos de novos horizontes. Ponto central brilhante deste álbum notável, ‘Stormwatcher’ é equiparada em alcance e dramaticidade pela faixa seguinte, ‘Death Wake’; música e letra unem-se para criar um retrato vívido das crueldades de uma vida desprovida de amor e humanidade. As duas últimas faixas de ‘From the Dark’ — a paixão furiosa de ‘Return of the Arbalist’ e o caleidoscópio verdadeiramente épico de ‘Legacy’ — evidenciam o poder e o drama, a luz e a sombra que permeiam o álbum.”
Ouça “World Alone”, primeiro single, abaixo:
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