Dee Snider recentemente trouxe uma opinião polêmica a respeito de Ozzy Osbourne. Com a repercussão, a declaração chegou até Kelly Osbourne, filha do saudoso vocalista, que fez questão de defendê-lo nas redes sociais.
Tudo começou quando o cantor aposentado do Twisted Sister afirmou no X/Twitter que o Príncipe das Trevas não compunha as próprias músicas. Em duas postagens diferentes, o artista declarou que o Madman sempre teve baixistas criando suas canções, citando como exemplo Geezer Butler e Bob Daisley, com quem travou uma batalha por direitos autorais (via Consequence):
“Eu sei demais sobre a verdade por trás dos bastidores. Digamos apenas que Sharon [Osbourne] não gosta de dividi-las publicamente […]. Ozzy sempre teve baixistas escrevendo suas letras. Geezer Butler escreveu todas as letras do Black Sabbath. Daisley escreveu as letras dos dois primeiros álbuns solo (tenho quase certeza de que ele foi pago para escrever em outros discos, mas não recebeu crédito), e Lemmy [Kilmister] escreveu letras.”
Só que Kelly não gostou das falas e resolveu rebatê-las nas redes sociais. Inicialmente, a apresentadora publicou um Story no Instagram exaltando o legado do pai em diferentes âmbitos:
“O legado do meu pai como músico, compositor, cantor e líder de banda fala por si só. Seus amigos, aqueles que trabalharam com ele, aqueles que o amaram e os milhões de fãs ao redor do mundo que continuam comprando seus discos sabem exatamente o que ele significou, o que contribuiu e o que deixou para trás. Seu legado viverá eternamente.”

Posteriormente, a também cantora criticou de maneira direta os comentários de Snider. Primeiro, em referência a “We’re Not Gonna Take It”, do Twisted Sister, lançada em 1984, escreveu:
“Dee Snider, seu último sucesso, sem querer entregar a minha idade, foi lançado no ano em que nasci, há mais de 40 anos.”
Em seguida, em longo texto, Kelly descreveu a atitude de Snider como uma “falta de classe” e uma tentativa de conseguir mídia, além de chamá-lo de irrelevante e desesperado. Ela disse:
“É de uma falta de classe impressionante ver Dee Snider tentando diminuir meu pai, Ozzy Osbourne, e tudo o que ele foi capaz de fazer e conquistar, agora que ele não está mais aqui para responder às acusações. Ainda mais quando Snider não tem como conhecer a realidade da vida privada do meu pai apenas observando tudo de fora ou se baseando no que ouviu de um homem delirante que tem uma rixa com meu pai. Até onde sei, os dois talvez tenham estado na mesma sala uma única vez, se é que isso aconteceu.
E, se Snider quer mesmo comparar as carreiras dos dois, a própria comparação já diz tudo. Snider teve um breve período de sucesso no mainstream há mais de 40 anos. Meu pai teve uma carreira de quase seis décadas, desde ajudar a definir o heavy metal com o Black Sabbath até construir uma extraordinária trajetória solo. Sua música continuará influenciando gerações muito depois de todos nós partirmos. É difícil não pensar que essa tentativa de diminuir meu pai seja apenas uma forma de fazer com que as pessoas voltem a falar de Snider. Afinal, o auge comercial dele ficou para trás há décadas, enquanto o nome, o catálogo e a influência do meu pai continuam tendo relevância no mundo todo.
Meu pai não precisa da aprovação de Dee Snider para garantir seu lugar na história da música. E tentar diminuir meu pai não fará Dee Snider parecer maior. Apenas evidencia a enorme diferença entre os legados dos dois e mostra ainda mais como Snider se tornou irrelevante para a indústria da música e para a sociedade como um todo. Ainda assim, gostaria de agradecer a você, Dee Snider, por permitir que o mundo veja o quão desesperado você realmente está.”

A resposta de Dee Snider
Diante dos desdobramentos, Dee Snider veio a público explicar os próprios posicionamentos. Novamente no X/Twitter, o artista afirmou que não sente “nada além de amor” por Ozzy Osbourne e ressaltou que apenas é um pouco sensível quanto às autorias de composições num geral:
“Para deixar claro, eu não sinto nada além de amor por Ozzy. Ele sempre foi muito gentil comigo. O Black Sabbath mudou minha vida! Como compositor, posso ser um pouco sensível quando o assunto é crédito e royalties.”
Já em outro post, o cantor ressaltou os feitos do Príncipe das Trevas e destacou:
“Digo isso a você, Kelly Osbourne, à imprensa e a todos os outros idiotas que confundem coisas completamente diferentes: o saudoso e grandioso Ozzy Osbourne foi um deus do metal, um ícone, uma lenda, alguém que mudou tudo e um cara realmente incrível (foi uma honra tê-lo conhecido). Independente de quem escrevia suas letras, nada disso muda.”
Bob Daisley e a batalha contra Ozzy Osbourne
Bob Daisley manteve uma longa parceria com Ozzy Osbourne. O baixista passou a tocar com o Príncipe das Trevas em 1979 e integrou a banda solo do cantor até 1981. Ao longo da mesma década, seguiu colaborando com o vocalista de forma irregular, com contribuições em estúdio que se estenderam até o álbum “No More Tears” (1991).
Sobretudo, a relação com o Madman ficou marcada por uma série de problemas. Isso porque o baixista e baterista Lee Kerslake foram demitidos antes do lançamento do segundo disco “Diary of a Madman” (1981) e, por não terem sido creditados corretamente no material e não receberem o dinheiro advindo dos royalties do projeto e do antecessor “Blizzard of Ozz” (1980), processaram o empresário Don Arden e a gravadora Jet Records.
Conversando com a The Metal Voice em 2018, Bob explicou que, com a briga nos tribunais, os dois até receberam uma certa quantia. Porém, em suas palavras, a questão é que “em 1986, aqueles álbuns ainda não eram multiplatina. Achamos que continuaríamos recebendo royalties, mas isso não aconteceu”.
A disputa continuou até 2003, quando a corte de Los Angeles dispensou a ação judicial. No ano anterior, em 2002, Sharon Osbourne, esposa e empresária de Ozzy, contratou Robert Trujillo e Mike Bordin para regravarem as linhas de baixo e bateria dos discos, que seriam relançados em edições comemorativas, para “apagar” os registros dos músicos.
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