Ritchie Blackmore revela a história por trás da reunião com Deep Purple

"Acho que percebemos que talvez aquela fosse a última vez que nos veríamos", confessou o guitarrista

Pela primeira vez desde novembro de 1993, Ritchie Blackmore subiu ao palco com o Deep Purple. O guitarrista original realizou uma participação especial em “Smoke on the Water” no show da última quarta-feira (12), no Northwell at Jones Beach Theater, em Wantagh, Nova York, nos Estados Unidos.  

Por meio de uma transmissão no Instagram, o próprio revelou, na segunda-feira (10), que o reencontro aconteceria. Na ocasião, o músico destacou que havia entrado em contato com o vocalista Ian Gillan, que não só aprovou a ideia, como também a repassou para o resto do grupo, e justificou a decisão com o fato de que já tem 81 anos. 

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À Guitar Player, Blackmore, agora, concedeu mais detalhes a respeito da reunião por e-mail. Segundo o ex-membro, foi sua esposa, Candice Night, quem deu o primeiro passo para que falasse com o antigo colega:

“Na manhã anterior, acordei pensando: ‘sabe, seria bom para os fãs se eu simplesmente subisse ao palco para tocar uma música, provavelmente ‘Smoke’, e mostrasse que não estamos em pé de guerra e que não nos odiamos’. Candice, minha esposa, entrou em contato com Ian Gillan, e eu disse: ‘o que você acha de eu subir ao palco para tocar ‘Smoke’?’ As palavras exatas dele foram: ‘isso me fez sorrir’. Então, ele conversou com a banda, e todos deram sinal verde.”

Diante da proximidade da performance, o guitarrista não teve tempo para realizar qualquer tipo de aquecimento ou ensaio. Além disso, “não fazia um show de rock desde 2019, quando se apresentou com sua banda Rainbow, conforme o veículo.

Ainda assim, a preocupação não era alcançar a perfeição técnica. Em suas palavras, o objetivo era muito maior: reencontrar antigos companheiros e aproveitar aquele momento, já que perceberam que “talvez aquela fosse a última vez” que se veriam:

“Foi muito emocionante, porque subi ao palco às pressas e tive que tocar imediatamente. Não pude fazer nenhum aquecimento, mas não estava ali para tocar as notas corretamente. Estava ali para rever velhos amigos que não via havia 40 anos e que também estavam envelhecendo. Acho que percebemos que talvez aquela fosse a última vez que nos veríamos.”

Ritchie Blackmore reconhece falhas na performance

Elogiando Simon McBride, Blackmore também explicou que optou por uma abordagem mais simples e reconheceu ter se perdido em determinado trecho da música. Mais uma vez, porém, destacou que a questão técnica estava longe de ser o mais importante:

“Não sabia se conseguiriam me ouvir, se o som ficaria muito baixo ou algo assim. Eu conseguia ver o guitarrista Simon McBride, que é muito bom e tinha um amplificador grande, e pensei: ‘vou levar apenas um amplificador de 50 watts’, mas, felizmente, tudo deu certo’. Não toquei nada muito técnico, porque senti que deveria me ater ao básico e manter as coisas simples. Em determinado momento, ainda me perdi, mas não era esse o motivo de eu estar ali. Eu estava ali para curar feridas que não existiam. Era como se todos estivéssemos no exército, lutado juntos, e estivéssemos nos reunindo novamente. Foi um momento muito emocionante.”

Outras declarações

Ainda durante a entrevista, Ritchie Blackmore comentou sobre outros tópicos relacionados ao Deep Purple. Veja a seguir.

As brigas passadas com Ian Gillan. “Somos dois caras de personalidade dominante. Estou acostumado a liderar uma banda, e acho que ele também está. Por isso, batíamos de frente antigamente. Mas tudo isso mudou.”

Sobre Blackmore ter perguntado a Gillan durante o show: “Como é que você está ficando muito mais alto do que eu?”, ao que Gillan respondeu: “É o contrário, cara. Você é que está encolhendo”. “O Ian sempre teve cerca de 1,90m. Eu costumava ter 1,80m, mas tenho hérnias de disco que provavelmente me fizeram perder uns 3cm de altura, então eu estava mais baixo… Um dos problemas que vêm com a idade é que a gente diminui de estatura à medida que as vértebras da coluna se comprimem mais.”

A guitarra usada na ocasião. “Era uma Fender Stratocaster que eu costumava usar nos anos 1980. Troquei as cordas e pratiquei um pouco. Faz 30 anos que não toco uma Strat de verdade. Cheguei a fazer um ou outro solo ocasional, mas geralmente toco violão em casa. Uso a mão direita para tocar com os dedos e unhas compridas, mas, para tocar a Stratocaster, preciso usar palheta e manter as unhas bem curtas. É uma técnica totalmente diferente. As cordas eram .010 a .046 [mais leve que as usadas no passado].”

A versão de Ian Gillan

Ian Gillan contou uma história parecida no palco pouco depois da execução de “Smoke on the Water”. Conforme transcrição do Blabbermouth, o vocalista, além de elogiar o ex-colega com quem teve conflitos no passado, revelou à plateia que tudo começou quando recebeu uma carta de Ritchie Blackmore com a proposta:

“Preciso dizer uma coisa. Há alguns dias, recebi uma mensagem de um rapaz desta região. Recebi uma carta desse homem dizendo: ‘Moro aqui perto. Você se importa se eu vier tocar um pouco com vocês?’. E digo a vocês: foi um prazer enorme ter de volta ao palco o membro fundador, a grande lenda, o imortal Ritchie Blackmore.”

No perfil oficial do cantor no Facebook, uma foto dos bastidores foi publicada acompanhada de uma breve mensagem do artista. Na legenda, ele escreveu:

“Que prazer foi receber Ritchie Blackmore no palco conosco para tocar ‘Smoke’ ontem à noite em Jones Beach, em Long Island. Obrigado, Ritchie. Isso significou muito para muitas pessoas e, principalmente, para mim.”

Problemas de saúde de Ritchie Blackmore

O Blackmore’s Night está afastado dos palcos desde novembro de 2025. À época em que realizou o último show, o grupo de Ritchie Blackmore até tinha mais compromissos nos Estados Unidos, mas suspendeu toda a agenda restante por razões médicas. 

O guitarrista de 81 anos lida com uma série de problemas de saúde. Em comunicado, o músico explicou que, além de dores nas costas causadas por hérnias de disco e pela gota, também passa por fortes enxaquecas debilitantes. Ainda, sofreu há poucos anos um ataque cardíaco e precisa de acompanhamento com cardiologista.

Diante do cenário, é complicado para o artista estar na estrada. De acordo com Candice Night, sua esposa e colaboradora, não é nem mesmo aconselhado que Blackmore viaje de avião por causa de estresse que o percurso causaria.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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