Tudo o que rolou no show de Edu Falaschi em SP, com 3 horas e 11 convidados

Cantor seguiu à risca proposta de celebrar seus 35 anos de carreira com repertório abrangente no Tokio Marine Hall, em São Paulo

Desde a volta dos eventos pós-pandemia, virou tradição: ao menos uma vez por ano, Edu Falaschi realiza um show especial no Tokio Marine Hall. O vocalista, notório por seu trabalho de mais de uma década com o Angra, costuma oferecer uma superprodução visual e reunir uma série de convidados, por vezes internacionais, para quem se dispõe a assisti-lo na casa de eventos localizada na zona sul de São Paulo, com capacidade para 4 mil pessoas.

Talvez por ter virado tradição — ou pela proposta do show ter sido um pouco diferente desta vez —, o público não tenha se engajado tanto para vê-lo na ocasião do último sábado (15), quando o cantor trouxe sua recém-iniciada turnê “Mi’raj & The Legacy”. Longe de estar vazio, mas o Tokio Marine Hall não estava tão lotado como nas outras ocasiões. Justo quando Falaschi fugiu do repertório de seus álbuns mais celebrados com o Angra para revisitar outras obras do catálogo — seja com o grupo que o tornou famoso ou com outros de sua carreira (Mitrium, Venus, Symbols e Almah) — e dar mais atenção aos recentes discos solo.

- Advertisement -
Foto: Lucas Moura @lgmoura.file

Quem esteve presente, assistiu a um show de três horas com nada menos que onze convidados, dois deles internacionais: a italiana Veronica Bordacchini e o croata Dino Jelusick, trazido especialmente para o compromisso em São Paulo. Todos os nomes estão listados no setlist, ao fim da página. Além disso, a banda ganhou o reforço de um percussionista, Marcus Cesar, especialmente para a ocasião. O setlist ultrapassou a marca de 25 músicas, com algumas canções que não estavam presentes nas outras datas da tour.

Foto: Lucas Moura @lgmoura.file

Primeira etapa morosa

Iniciado por volta das 21h10, o show teve uma primeira metade com altos e baixos em relação ao engajamento do público. Pudera: Falaschi e sua afiadíssima banda formada por Victor Franco e Diogo Mafra nas guitarras, Raphael Dafras no baixo, Fábio Laguna nos teclados e apoio vocal e Jean Gardinalli na bateria — além do citado Marcus Cesar — enfileiraram lados B de grupos anteriores do cantor e músicas de seu novo álbum, “Mi’raj”. Desta forma, a plateia teve reações mais contemplativas do que enérgicas ao longo das 14 primeiras canções.

Foto: Lucas Moura @lgmoura.file

Edu, vivendo uma boa noite a nível vocal e dispondo desta vez de um repertório que explora mais sua voz natural, levou a sério a ideia de celebrar os 35 anos de carreira ao revisitar até mesmo projetos mais obscuros, como Mitrium, representado pela “quase punk” “Eyes of Time”, e Venus, com a balada “Leaving the Light”, tocada junto do baixista original, Kao. De sua carreira pré-Angra, empolgou mais o resgate da pesada “Eyes in Flames”, do Symbols, com seu irmão, Tito Falaschi, no vocal e Demian Tiguez na guitarra.

Do Angra, nesta etapa, apenas “Running Alone” veio de um dos álbuns mais populares, “Rebirth” (2001). Falaschi e banda trouxeram duas canções de “Aurora Consurgens” (2006) — “Ego Painted Grey” e “The Voice Commanding You” — e três do criticado “Aqua” (2010): a balada “Lease of Life”, “A Monster in Her Eyes” e “Arising Thunder”. Exceção feita à última citada, faz sentido que sejam pouco tocadas ao vivo. Estão abaixo do material clássico do grupo e até da carreira solo recente de Edu.

A trilogia recente do cantor, curiosamente, foi a responsável por boa parte dos momentos interessantes da metade inaugural do set. A abertura “Watchers of the Light” trouxe uma sensação estranha de “freio de mão puxado”, mas agradaram a melodiosa “Echoes of Vows”, com trechinho de “Tears of the Dragon” (Bruce Dickinson) ao fim; a tipicamente power “The Ancestry”, trazendo arrasadora participação de Thiago Bianchi (Noturnall) nos vocais; a progressiva e ligeiramente jazz “Unchained”, talvez uma das melhores canções da carreira solo de Edu; e a dobradinha de tom épico “Land Ahoy” + “Eldorado”, com a colaboração de Fábio Caldeira.

Foto: Lucas Moura @lgmoura.file

Segunda parte fez compensar espera

Quem já sentia os pés cansados durante “The Voice Commanding You”, décima quarta música do setlist, deve ter se reenergizado com o início do rolê aleatório da noite: a entrada de Fernando Anitelli. Sozinho no palco, o vocalista d’O Teatro Mágico emendou o recital “Sintaxe à Vontade” e a canção “Da Luta” antes de celebrar a boa aceitação — “feliz em saber que muita gente do metal conhece O Teatro Mágico” — e participar de “Intuição”, primeira música de Falaschi em português em mais de duas décadas. Rafael Bittencourt, com quem reativou a amizade após anos de conflitos, também entrou para executar o solo que gravou na versão em estúdio. Talvez o primeiro momento de catarse coletiva na plateia.

Foto: Lucas Moura @lgmoura.file

Outro membro do Angra, o baixista Felipe Andreoli, subiu ao palco na sequência, mas para tocar “Birds of Prey”, pesada composição do Almah. Ao fim, Falaschi admitiu que nunca imaginaria a presença de Bittencourt e Andreoli em seu show de 35 anos de carreira. “Ficamos sem nos falar por um puta tempo. Maior babaquice essa coisa de ego”, reconheceu, definindo em seguida o show de reunião no Bangers Open Air 2026, em abril último, como uma “festa maravilhosa”.

Foto: Lucas Moura @lgmoura.file

A partir daí, o clima, enfim, pareceu de uma festa. “Bleeding Heart” ganhou seu tradicional trecho em português na versão do Calcinha Preta (“Agora Estou Sofrendo”) e, exceção feita a “Pegasus Fantasy”, todas as músicas seguintes tiveram participações especiais. Veronica Bordacchini, talvez a convidada mais aplaudida, entrou no meio de “Spread Your Fire” para assumir os vocais operísticos, executou “Ode to Art (de’ Sepolcri)”, de seu Fleshgod Apocalypse, e ficou para a intrincada “Mi’raj”. Dino Jelusick, dono de voz poderosa, dividiu o microfone com Falaschi em “Heroes of Sand” e nas versões para “Stand Up and Shout” (Dio) e “Here I Go Again” (Whitesnake). Rafael e Felipe retornaram para “Rebirth” e “Nova Era”, os dois números finais do repertório.

Até dava para ter distribuído os momentos mais catárticos pelas três horas de show em vez de concentrá-los em uma fatia da noite. Fora isso, não houve do que reclamar. A turnê segue neste domingo (16) para Curitiba e será retomada em novembro para mais quatro datas.

Foto: Lucas Moura @lgmoura.file

Edu Falaschi — ao vivo em São Paulo

  • Local: Tokio Marine Hall
  • Data: 15 de agosto de 2026
  • Turnê: Mi’raj & The Legacy Tour

Repertório:

  1. Watchers of the Light
  2. Ego Painted Grey (Angra)
  3. Eyes in Flames (Symbols; com Tito Falaschi e Demian Tiguez)
  4. Echoes of Vows
  5. Running Alone (Angra)
  6. Eyes of Time (Mitrium)
  7. Lease of Life (Angra)
  8. The Ancestry (com Thiago Bianchi)
  9. Unchained (com Wagner Barbosa no sax)
  10. A Monster in Her Eyes (Angra)
  11. Living the Light (Venus; com Kalo)
  12. Arising Thunder (Angra)
  13. Land Ahoy / Eldorado (com Fabio Caldeira)
  14. The Voice Commanding You (Angra)
  15. Sintaxe à Vontade / Da Luta (O Teatro Mágico; Fernando Anitelli solo)
  16. Eternamente Azul (MAKE-UP / Os Cavaleiros do Zodíaco; Edu Falaschi solo)
  17. Intuição (com Fernando Anitelli, Rafael Bittencourt e Tiago Mineiro)
  18. Birds of Prey (Almah; com Felipe Andreoli)
  19. Bleeding Heart (Angra)
  20. Spread Your Fire (Angra; com Veronica Bordacchini)
  21. Ode to Art (de’ Sepolcri) (Fleshgod Apocalypse; Veronica Bordacchini solo)
  22. Mi’raj (com Veronica Bordacchini)
  23. Heroes of Sand (Angra; com Dino Jelusick)
  24. Stand Up and Shout (Dio; com Dino Jelusick)
  25. Here I Go Again (Whitesnake; com Dino Jelusick)
  26. Pegasus Fantasy (MAKE-UP / Os Cavaleiros do Zodíaco)
  27. Rebirth (Angra; com Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli)
  28. Nova Era (Angra; com Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli)
Foto: Lucas Moura @lgmoura.file

Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | X/Twitter | Facebook | YouTube | Bluesky | Threads | TikTok.

Escolhas do editor
InícioResenhasResenhas de showsTudo o que rolou no show de Edu Falaschi em SP, com...
Igor Miranda
Igor Miranda
Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital. Escreve sobre música desde 2007. Além de editar este site, é colaborador da Rolling Stone Brasil. Trabalhou para veículos como Whiplash.Net, portal Cifras, revista Guitarload, jornal Correio de Uberlândia, entre outros. Instagram, Twitter e Facebook: @igormirandasite.

DEIXE UMA RESPOSTA (comentários ofensivos não serão aprovados)

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui


Últimas notícias

Curiosidades