O melhor baterista da história na opinião de Iggor Cavalera

Ex-Sepultura tem grande admiração por um dos pioneiros do heavy metal, a quem ele credita muito de sua maneira de tocar

Iggor Cavalera não esconde a importância de Bill Ward em sua formação enquanto músico. O ex-baterista do Sepultura e atual Cavalera não poupou elogios ao músico do Black Sabbath — e revelou que guarda um “tesouro” recebido de presente do próprio ídolo.

O tema surgiu durante entrevista ao Modern Drummer (via Blabbermouth). Na ocasião, o veículo pediu ao brasileiro uma lista com suas principais influências.

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Em sua resposta, Iggor citou Ward logo de cara e, em seguida, abordou as qualidades do baterista do Sabbath:

“Meu principal herói da bateria sempre foi Bill Ward, do Sabbath… ele é o meu cara. Tenho muitos heróis na bateria, mas se eu tiver que escolher uma pessoa que define para mim todas essas coisas sobre as quais estou falando — ser criativo em um estúdio, tocar ao vivo com tanta energia —, é Bill.”

O ex-Sepultura, então, revelou o “tesouro” que tem guardado. Ele prosseguiu:

“Pude vê-lo ao vivo muitas vezes e tenho uma de suas bandanas, que ele me deu depois de tocar com o Sabbath. Guardo isso como um tesouro por toda minha vida. Tive o prazer de vê-lo tocar mais para o final de sua carreira, é claro. Ele é uma força tão criativa.”

Iggor Cavalera e Bill Ward

Na mesma entrevista, Iggor Cavalera creditou a Bill Ward o primeiro uso de percussão com uma abordagem considerada mais “tribal” no metal. Isso teria ocorrido, segundo o brasileiro, mais de 20 anos antes do lançamento de “Roots” (1996), do Sepultura, álbum considerado um marco para essa sonoridade. Cavalera completou:

“Ele estava fazendo coisas que inspiraram a nós, brasileiros, como usar congas, fazer overdubs com percussão no Sabbath. As pessoas dizem: ‘oh, você meio que criou toda essa coisa tribal misturada com metal’. Eu respondo: ‘não, havia muitas outras pessoas fazendo coisas que me levaram para esse caminho’. E Bill Ward é definitivamente um desses caras. Ele tinha a mente super aberta. Você consegue ouvir coisas pesadas, mas você também consegue ouvir jazz e coisas latinas com ele. Então ele é o cara para mim.”

Linha de frente

Em 2022, quando entrevistado pelo canal da revista Revolver no YouTube, Iggor Cavalera já tinha rendido suas homenagens ao baterista do Black Sabbath. O brasileiro citou a originalidade de Bill Ward e explicou como o britânico foi um dos primeiros a colocar a bateria em destaque dentro de uma banda de rock:

“Acho que a coisa mais original é que, em uma época que muitos bateristas apenas seguiam as guitarras, ele buscava batidas diferentes. Há momentos em que parece que toda a banda está tentando alcançá-lo. Para mim, isso foi uma grande lição, porque ele colocou a bateria na linha de frente. É o que realmente me faz olhar para ele como um baterista diferente.”

Em 1994, ainda com Iggor na banda, o Sepultura gravou uma versão para “Symptom of the Universe”, faixa lançada pelo Sabbath no álbum “Sabotage” (1975). Ela entrou no primeiro volume do tributo “Nativity in Black”. Depois, apareceu em “Blood-Rooted” (1997), compilação de b-sides, registros ao vivo e remixes do grupo.

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André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Interessado em música desde a infância, teve um blog sobre discos de hard rock/metal antes da graduação e é considerado o melhor baixista do prédio onde mora. Tem passagens por Ei Nerd e Estadão.

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