Serj Tankian critica governo de Israel por “usar genocídio armênio para vantagem política”

"Estão usando nossa história, nosso genocídio e nossa dor em benefício de seus interesses políticos", afirmou o vocalista do System of a Down em vídeo

Serj Tankian aborda constantemente o genocídio do povo armênio. O tema aparece não só nas letras do vocalista do System of a Down, mas também em seus posicionamentos públicos e até na autobiografia “Down with the System” (2024).

Entre 1915 e 1917, o Império Otomano, cuja queda marcou o surgimento da República da Turquia, deixou entre 1 milhão e 1,5 milhão de armênios mortos em massacres, deportações e marchas forçadas pelo deserto da Síria. Atualmente, mais de 30 países e parlamentos ao redor do mundo classificam o episódio como genocídio.

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No último domingo (28), Israel deu um passo para também integrar essa lista. Em comunicado, o ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa’ar, afirmou que o Estado “cumpriu um dever moral ao reconhecer a verdade histórica e rejeitar as tentativas de negá-la”. 

A decisão ainda precisa ser ratificada pelo Parlamento israelense. Mesmo assim, Tankian — que nasceu em Beirute, no Líbano, e é descendente de sobreviventes do genocídio — já falou a respeito do assunto em um vídeo publicado pelo veículo Vocal Politics.

No registro, o artista questionou o momento escolhido, lembrando que Israel se recusou durante décadas a reconhecer oficialmente o genocídio armênio devido à relação política com a Turquia. Ainda, acusou o governo israelense de ter recorrido ao American Israel Public Affairs Committee (AIPAC), influente grupo pró-Israel nos Estados Unidos, para pressionar o Congresso americano a não reconhecer o genocídio armênio, que só o fez em 2021.

Para Tankian, o reconhecimento ocorre por conveniência e está sendo usado como “vantagem política”. Conforme transcrição da Metal Hammer, ele declarou:

“Durante muitos anos, o governo de Israel recorreu ao AIPAC, um dos principais grupos de lobby pró-Israel nos Estados Unidos, para pressionar o Congresso americano a não reconhecer o genocídio armênio por causa de sua relação com a Turquia, do compartilhamento de informações de inteligência com os turcos, entre outros fatores. Hoje, o gabinete de Netanyahu decidiu reconhecer o genocídio armênio de 1915, um genocídio que levou Hitler a acreditar que poderia fazer aos judeus o que fez nas décadas de 1930 e 1940.

O fato de um governo que já está cometendo genocídio em Gaza e no Líbano decidir reconhecer o genocídio dos meus avós é a pior porcaria que eles poderiam ter feito aos armênios, ao usar nossa história, nosso genocídio e nossa dor em benefício de seus interesses políticos. Vão se f#der.”

Assista abaixo ou clicando aqui:

Posicionamentos recentes de Serj Tankian

Durante apresentação do System of a Down no Sick New World 2026, em Las Vegas, em abril, Serj Tankian apresentou uma versão de “Der Voghormia”, tradicional oração armênia, em homenagem às vítimas de genocídio como um todo. Na sequência, o vocalista refletiu a respeito do tema e deixou uma mensagem ao público, sendo aplaudido.

Conforme transcrição da Metal Hammer, o integrante disse: 

“Ontem foi 24 de abril, o 111º aniversário do genocídio armênio, quando milhões de armênios, gregos e assírios foram massacrados durante a Primeira Guerra Mundial pelos turcos otomanos. O problema é que o genocídio ainda acontece hoje, ao redor do mundo. Não aprendemos a nossa lição de colocar as pessoas acima do lucro. Está na hora de nos livrarmos desses líderes idiotas do car*lh# ao redor do mundo.”

Conversando com a Folha de S. Paulo em 2024, o cantor explicou como genocídios e crimes de guerra têm passado impune. Citando um exemplo direto, o artista afirmou que a humanidade está “caminhando em direção ao fascismo” e concluiu:

“No ano passado, o ditador do Azerbaijão deixou 120 mil armênios étnicos passando fome por nove meses na região de Nagorno-Karabakh, terra na qual eles viviam há mais de 2.000 anos. Depois, os atacou, fez uma ‘limpeza’ étnica e assumiu o controle das terras. Genocídio, crimes de guerra estão acontecendo neste momento e a maior parte do mundo nem sabe. Todo mundo sabe sobre Israel e a Palestina, mas ninguém sabe disso. Então, sim, a humanidade está regredindo. Estamos caminhando em direção ao fascismo. Não aprendemos as lições dos genocídios do século 20.”

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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