Bruce Springsteen tem sofrido mais ameaças de morte na atual turnê

Durante o giro “The Land of Hope and Dreams”, iniciado no ano passado, cantor critica diretamente o governo do presidente americano Donald Trump

Bruce Springsteen sempre abordou temas políticos. Contudo, as falas críticas ao atual governo do presidente americano Donald Trump na turnê “The Land of Hope and Dreams”, iniciada no ano passado, ganharam repercussão e trouxeram consequências diretas ao cantor. 

Por meio da plataforma Truth Social em maio de 2025, o político republicano chamou o músico de “superestimado”, “sem talento”, “idiota” e “desagradável”. Depois, sugeriu que investigaria o artista pelo apoio à candidata Kamala Harris nas eleições. 

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Diante de tal cenário de conflito político, Springsteen tem até sofrido ameaças de morte. É o que revelou Steven Van Zandt, guitarrista de sua banda E Street Band, em entrevista ao Daily Mail (via Ultimate Classic Rock).  

Segundo o músico, o esquema de segurança precisou ser reforçado nos shows mais recentes realizados nos Estados Unidos devido às intimidações recebidas. Em suas palavras:

“Esta turnê tem sido um pouco diferente por causa do forte esquema de segurança. Há um tema político muito específico envolvendo esta turnê e têm ocorrido muitas ameaças, inclusive ameaças de morte. Normalmente sempre existe alguma coisa desse tipo, mas desta vez isso aumentou. Tivemos que reforçar a segurança. Na maior parte, as ameaças são só conversa. Não é como se estivéssemos dizendo algo que não fosse verdade ou algo tão particularmente controverso, mas é algo especificamente político.”

O FBI, serviço doméstico de inteligência e segurança do país, está envolvido no monitoramento das apresentações. De acordo com Steven, a prioridade é que os fãs estejam seguros:

“O FBI e outras autoridades realmente passaram a monitorar a situação e ficaram extremamente preocupados. Queremos que os fãs estejam seguros e se sintam seguros. Por isso, fazemos um esforço extra em termos de segurança apenas por esse motivo.”

Por fim, o guitarrista explicou que está acostumado com as ameaças de morte, porque lutava diretamente contra o apartheid no passado. Contudo, assumiu que, nos últimos anos, afastou-se de temas mais políticos:

“Recebo ameaças de morte há boa parte da minha vida. Passei por outra situação parecida na época do apartheid na África do Sul, quando eu combatia o apartheid por lá. Também recebi ameaças naquela época. Fui muito político nos meus primeiros anos. Na verdade, hoje sou bem menos político. Já não tenho tanto interesse nisso, mas ironicamente, quando eu me afastei, o Bruce se envolveu.”

Bruce Springsteen e os tópicos políticos

Ao Minnesota Star Tribune em março, Bruce deixou claro que não vai parar de falar sobre tópicos políticos nos shows. Para o cantor, “a reação negativa” faz parte e garantiu estar preparado para lidar com os efeitos das próprias declarações:

“Não me preocupo [em perder fãs por isso]. Meu trabalho é muito simples: faço o que quero fazer, digo o que quero dizer, e então as pessoas podem dizer o que quiserem sobre isso. Essas são as regras do meu jogo. E tudo bem para mim. Não fico pensando se vou perder essa ou aquela parte do público. Sempre tive uma percepção muito clara sobre o papel cultural que ocupamos, e continuo profundamente comprometido com essa ideia da banda. A reação negativa faz parte disso. Estou preparado para tudo isso.”

A disputa com Donald Trump

Tudo começou em maio do ano passado, quando Bruce Springsteen iniciou a turnê “The Land of Hope and Dreams” em Manchester, na Inglaterra, e criticou abertamente o governo americano. Conforme transcrição da Consequence, ele disse em certo momento:

“O meu país, os Estados Unidos que eu amo, sobre o qual escrevi e que tem sido um farol de esperança e liberdade por 250 anos, está atualmente nas mãos de um governo corrupto, incompetente e traidor. Nesta noite, pedimos a todos que acreditam na democracia e no que há de melhor na experiência americana que se unam a nós, ergam suas vozes contra o autoritarismo e deixem a liberdade ecoar. A maioria de nossos representantes eleitos falhou em proteger o povo americano dos abusos de um presidente incapaz e de um governo fora de controle.”

Ao saber da declaração, Donald Trump resolveu se manifestar no Truth Social em tom de ameaça. Chamando o artista de “superestimado”, “sem talento”, “idiota” e “desagradável”, o político mandou a seguinte mensagem: 

“Vejo que o altamente superestimado Bruce Springsteen vai a um país estrangeiro para falar mal do presidente dos Estados Unidos. Nunca gostei dele, nunca gostei da sua música ou da sua política radical de esquerda e, o mais importante, ele não é um cara talentoso, apenas um idiota insistente e desagradável. Esse roqueiro com a pele toda ressecada deveria ficar calado até voltar para o país, isso é o ‘padrão’. Aí veremos como ele se sai!”

Ainda assim, o artista não se sentiu intimidado. Tanto é que, numa apresentação posterior também em Manchester, voltou a reprovar o mandato de Trump, como compartilhado pela Consequence. Antes de “My City of Ruins”, disse para a plateia:

“Nos Estados Unidos, estão perseguindo pessoas por exercerem seu direito à liberdade de expressão e por manifestarem opiniões contrárias. No meu país, estão sentindo um prazer sádico pela dor que prejudicam trabalhadores americanos dedicados e estão revertendo legislações históricas de direitos civis que levaram a uma sociedade mais justa e moral. Estão abandonando nossos grandes aliados e se alinhando com ditadores contra aqueles que lutam por sua liberdade. Estão retirando moradores das ruas americanas e, sem o devido processo legal, os deportando para centros de detenção e prisões estrangeiras. Tudo isso está acontecendo agora.”

No último mês de janeiro, Springsteen lançou a canção de protesto “Streets of Minneapolis”, na qual aborda o assassinato de Renee Good e Alex Pretti por agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE), agência federal de segurança dos EUA responsável por aplicar as leis de imigração. Na composição, o músico descreve o órgão como “o exército particular de Trump“.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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