As participações de Yngwie Malmsteen em álbuns de outros artistas

Habilidade técnica e estilo característico fizeram do guitarrista um convidado popular para contribuir com seu talento em diversos projetos musicais.

“Perfeccionista obstinado, agitador profissional e excêntrico imprevisível”. É assim que Mark Greenway, da Kerrang!, define Yngwie Malmsteen, em texto presente no encarte da coletânea “The Best of ‘90-‘99” (2000).

Nascido Lars Johan Yngve Lannerbäck na Suécia em 30 de junho de 1963, Malmsteen pegou um violão pela primeira vez aos 7 anos de idade, no dia em que Jimi Hendrix morreu, e ganhou sua primeira guitarra aos 9, de presente do irmão.

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Largou a escola aos 15 e conseguiu um emprego consertando guitarras em uma loja de música em Estocolmo. Enquanto trabalhava lá, ele teve a ideia de escalopar braços de guitarra — modificação que torna as técnicas de vibrato e bending mais fáceis e que se tornaria marca registrada de seus instrumentos.

No final da adolescência, cada vez mais frustrado com a cena musical sueca, Malmsteen se viu num beco sem saída: suas composições, por melhores que fossem, não despertavam o interesse de nenhuma gravadora local por não serem “comerciais” o suficiente.

Sabe-se lá como, uma demo atravessou o oceano. Mike Varney, chefe da Shrapnel Records na Califórnia, ouviu e ficou impressionado com o estilo de tocar do jovem. Ele entrou em contato e pediu que Yngwie fosse aos Estados Unidos para gravar um álbum pela sua gravadora.

Malmsteen foi de mala e cuia para Los Angeles, onde se juntou ao Steeler. Ele gravou um álbum homônimo (1983) com a banda antes de unir forças com o veterano ex-vocalista do Rainbow Graham Bonnet no Alcatrazz, registrando “No Parole from Rock ‘n’ Roll” (1983) e o ao vivo “Live Sentence” (1984).

Cansado do expediente de compor em parceria com terceiros, ele saiu do Alcatrazz e pôs na rua o Yngwie J. Malmsteen’s Rising Force, nome sob o qual começou a gravar uma série de álbuns, alguns dos quais obteriam status de clássico não apenas no reino da guitarra, mas no hard e metal como um todo, como “Rising Force” (1984), “Trilogy” (1986) e “Odyssey” (1988).

Mas ao longo de sua carreira, Malmsteen também fez diversas participações em álbuns de outros artistas e grupos, contribuindo com solos de guitarra e até composições em uma vasta gama de projetos musicais. Confira abaixo.

Yngwie Malmsteen em álbuns de outros artistas

3rdStage Alert – “Adagio (For a Dead Soldier)”

Do álbum “3rd Stage Alert” (1984)

Dissidência do Steeler capitaneada pelo baterista Mark Edwards, o 3rd Stage Alert teve uma carreira relativamente curta (1982-1985) e encerrou suas atividades após o lançamento do EP de estreia, homônimo, pela Metal Blade Records. Embora o som seja calcado no hard ‘n’ heavy da época, a contribuição de Yngwie Malmsteen se dá justamente na única faixa que foge ao estilo; um arremate instrumental de 01:45 que encerra o lado B da bolacha.

Hear ‘n Aid – “Stars”

Do álbum “Stars” (1986)

Idealizado por Ronnie James Dio, o projeto Hear ‘n Aid foi uma iniciativa de caridade lançada em 1985 com o objetivo de arrecadar fundos para ajudar crianças famintas na África. Com um elenco estelar, “Stars”, o single, se tornou a resposta do heavy metal a “We Are the World”, levantando mais de 1 milhão de libras na Europa e praticamente o dobro na América. Yngwie foi um dos doze guitarristas a contribuir com um solo na canção escrita por Ronnie em parceria com os então integrantes do Dio, Jimmy Bain e Vivian Campbell.

Tone Norum – “Point of No Return”

Do álbum “This Time” (1988)

Irmã do renomado guitarrista John Norum (Europe), Tone Norum foi uma cantora de destaque na cena musical sueca da década de 1980, chegando a alcançar o topo das paradas com “Stranded”, carro-chefe de seu álbum de estreia, “One of a Kind” (1986). “Point of No Return”, que traz Malmsteen na guitarra, foi um dos singles de seu segundo disco, “This Time” (1988), que obteve sucesso apenas moderado. Embora sua popularidade tenha diminuído após os anos 1990, Tone Norum continuou a lançar álbuns, explorando estilos musicais como o pop e o country, em oposição ao melodic rock que originalmente a consagrou.

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Erika – “Emergency”

Do álbum “Cold Winter Night” (1990)

Erika Norberg — hoje Erika Wagenius — foi casada com Yngwie Malmsteen no início da década de 1990. O casamento durou cerca de um ano, mas no tempo em que os dois estiveram juntos, Malmsteen foi, com o perdão do trocadilho, instrumental na carreira da esposa. “Cold Winter Night”, estreia em disco de Erika, foi produzido por Bobby Ljunggren — veterano de competições como o Eurovision — e traz Yngwie tanto na faixa “Emergency” quanto num splash na capa como argumento de venda.

Carmine Appice’s Guitar Zeus – “This Time Around”

Do álbum “Carmine Appice’s Guitar Zeus” (1995)

Reunir talentosos guitarristas de diversos estilos musicais e criar músicas que destaquem suas habilidades individuais; essa é a finalidade do Guitar Zeus, projeto liderado pelo renomado baterista Carmine Appice, que já lançou dois álbuns — o homônimo (1995) e “Channel Mind Radio” (1997) —, além de edições especiais com faixas inéditas, remixes e material bônus. Além de Malmsteen, que arregaça na instrumental “This Time Around”, o CD traz ainda performances igualmente arrasadoras de Brian May (Queen), Slash (Guns N’ Roses), Richie Sambora (Bon Jovi), Neal Schon (Journey) e outros.

Human Clay – “Jealousy”

Do álbum “Human Clay” (1996)

Mesmo com o Talisman em pleno funcionamento, o vocalista Jeff Scott Soto e o baixista Marcel Jacob encontraram tempo para um projeto paralelo de contornos semelhantes. A existência do Human Clay foi relativamente curta — apenas um ano —, mas rendeu dois álbuns de estúdio e duas compilações, das quais uma, “Closing the Book on Human Clay” (2006), chegou a ser lançada em CD no Brasil. “Jealousy”, um dos destaques do disco de estreia homônimo, traz Yngwie devolvendo o favor feito por Jeff nos covers de “Carry On Wayward Son” (Kansas), “Gates of Babylon” (Rainbow) e “Mistreated” (Deep Purple) presentes em “Inspiration” (1996).

Johansson – “Enigma Suite” e “All Opposable Thumbs”

Do álbum “Sonic Winter” (1996)

Os irmãos Anders (bateria) e Jens Johansson (teclados) estão entre os músicos que mais frequentemente gravaram ou excursionaram com Yngwie Malmsteen, sobretudo na fase áurea do guitarrista. Nos anos 1990, a dupla tirou do papel um projeto que levasse seu sobrenome e, contando com feras da cena musical sueca — os baixistas Marcel Jacob (Talisman) e John Levén (Europe) e os vocalistas Leif Sundin (Michael Schenker Group) e Göran Edman, entre outros —, lançou três álbuns. “Sonic Winter” (1996), o segundo deles, traz Malmsteen em duas faixas que exemplificam bem a proposta fusion neoclássica da empreitada.

MVP – “Say a Prayer”

Do álbum “Windows” (1997)

Sigla de Michael Vescera Project, o MVP foi um projeto capitaneado pelo vocalista americano Michael Vescera, que gravou os álbuns “The Seventh Sign” (1994) e “Magnum Opus” (1995), de Yngwie Malmsteen, e os cultuados “Soldier of Fortune” (1989) e “On the Prowl” (1991) com os japoneses do Loudness. “Windows” (1997), o primeiro dos quatro álbuns lançados pelo MVP, traz Vescera acompanhado por Barry Sparks (baixo, Dokken), B.J. Zampa (bateria, House of Lords) e, além de Malmsteen, emprestam seus talentos ao disco os célebres Al Pitrelli e Doug Aldrich.

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Åsa Jinder – “Göksbypolska”

Do álbum “Tro, Hopp & Kärlek – Visor Om Livet” (2002)

Åsa Jinder é uma das principais representantes da música folclórica sueca. Na ativa desde a década de 1980, a cantora e compositora vem sendo reconhecida com vários prêmios e honrarias ao longo dos anos. “Tro, Hopp & Kärlek – Visor Om Livet” (em português, “Fé, Esperança e Amor – Poemas Sobre a Vida” é seu décimo quarto álbum de estúdio.

Derek Sherinian – “The Fury”, “The Sons of Anu” e “Axis of Evil”

Do álbum “Black Utopia” (2003)

Ter tocado com Deus e o mundo rendeu a Derek Sherinian uma ampla rede de contatos; que o diga o line-up reunido pelo tecladista em seu segundo álbum solo: nas guitarras, Yngwie Malmsteen, Al Di Meola, Zakk Wylde e Steve Lukather (Toto); no baixo, Tony Franklin (Blue Murder) e Billy Sheehan; na bateria, o altamente requisitado jazzista Simon Phillips. Precisa de mais?

Radioactive – “Shattered”

Do álbum “Taken” (2005)

Connoisseurs do AOR têm motivos de sobra para endeusar Tommy Denander. Dono de prolífica carreira como produtor, guitarrista e compositor, o sueco já colaborou com uma impressionante lista de artistas e bandas ao longo dos anos, como Toto, Jimi Jamison (Survivor) e até mesmo Ricky Martin e Michael Jackson. De todas as suas empreitadas artísticas, o Radioactive é de longe a mais ousada, pois reúne dezenas — sim, dezenas — de astros da música num mesmo álbum. “Taken” é o terceiro dos seis lançados até hoje pelo grupo. Ao lado de Malmsteen na faixa “Shattered” estão o vocalista Philip Bardowell (Peter Criss) e o baterista Vinny Heter.

Violent Storm – “Fire in the Unknown” e “Pain Is for Me”

Do álbum “Violent Storm” (2005)

Por um breve momento, em meados dos anos 2000, o Violent Storm foi considerado uma promessa do metal progressivo americano. Pudera: em seu álbum de estreia, lançado cerca de um ano após a dupla Matt Reardon (vocais) e Mick Cervino (baixo) darem início aos trabalhos, a banda contou com a participação especial tanto de Yngwie Malmsteen quanto de K.K. Downing, à época ainda integrante do Judas Priest. O encerramento das atividades nunca foi oficializado, mas como não lança nada há uma década, é provável que o Violent Storm tenha ficado só na promessa mesmo.

Participações em álbuns tributo

Yngwie Malmsteen tem uma breve história de participações em álbuns tributo a outros artistas — sobretudo na segunda metade dos anos 1990 e no começo dos anos 2000, período em que lançamentos do tipo estavam em alta no mundo todo.

Aqui estão as participações de Malmsteen em álbuns tributo a outros artistas:

  • “Lazy” (Deep Purple), no álbum “Smoke on the Water: A Tribute to Deep Purple” (1994), com Joe Lynn Turner, Todd Jensen, Deen Castronovo e Jens Johansson;
  • “Keep Yourself Alive” (Queen), no álbum “Dragon Attack: A Tribute to Queen” (1997), com Mark Boals, Rudy Sarzo e Tommy Aldridge;
  • “Dream On” (Aerosmith), no álbum “Tribute to Aerosmith: Not the Same Old Song and Dance” (1999), com Ronnie James Dio, Stu Hamm, Gregg Bissonette e Paul Taylor;
  • “Light Up the Sky” (Van Halen), no álbum “Little Guitars: A Tribute to Van Halen” (1999), com Doug Pinnick, Billy Sheehan e Vinnie Colaiuta;
  • “Mr. Crowley” (Ozzy Osbourne), no álbum “A Tribute To Ozzy: Bat Head Soup” (2000), com Tim “Ripper” Owens, Tim Bogert, Tommy Aldridge e Derek Sherinian;
  • “Magical Mystery Tour” (The Beatles), no álbum “Butchering the Beatles: A Headbashing Tribute” (2006), com Jeff Scott Soto, Bob Kulick, Jeff Pilson e Frankie Banali.

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Marcelo Vieira
Marcelo Vieirahttp://www.marcelovieiramusic.com.br
Marcelo Vieira é jornalista graduado pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA), com especialização em Produção Editorial pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Há mais de dez anos atua no mercado editorial como editor de livros e tradutor freelancer. Escreve sobre música desde 2006, com passagens por veículos como Collector's Room, Metal Na Lata e Rock Brigade Magazine, para os quais realizou entrevistas com artistas nacionais e internacionais, cobriu shows e festivais, e resenhou centenas de álbuns, tanto clássicos como lançamentos, do rock e do metal.

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