Evanescence, Avril e mais: 8 discos com Josh Freese na bateria

Novo baterista do Foo Fighters tem um currículo invejável construído a partir de décadas como músico de estúdio

Após uma série de especulações, Josh Freese foi anunciado oficialmente como o novo baterista do Foo Fighters. O músico pode ser um novato na banda de Dave Grohl, mas possui um currículo de fazer inveja, que inclui artistas como Evanescence, Avril Lavigne, The Offspring, Miley Cyrus e até o Guns N’ Roses.

Por ser um renomado conhecido músico de estúdio, Freese acumula aparições em vários trabalhos dos mais diversos artistas, ainda que ele não tenha sido o responsável por toda a bateria em seus álbuns. Eclético, o batera coleciona participações que vão de Rob Zombie a Joe Cocker, passando por Weezer, Katy Perry e Michael Bublé. O próprio músico admitiu em entrevista ao The Drummer’s Journal que, ao menos no começo, o que importava era poder tocar.

“De vez em quando me perguntam como eu me tornei um baterista de estúdio, mas eu não tinha planos além de querer tocar bateria e estar determinado a fazer isso acontecer. Começou com amigos dizendo: ‘nosso baterista está doente, você pode vir e gravar com a gente?’. Foi bem informal.”

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Em meio a tantos títulos, separamos oito álbuns que oferecem uma boa ideia do poder de fogo e ver do novo integrante do Foo Fighters.

8 discos com Josh Freese na bateria

Evanescence – “Fallen” (2003)

O Evanescence teve a felicidade de contar com Josh Freese em estúdio para as gravações de “Fallen”, seu álbum de estreia. Na época, a banda não contava com um baterista fixo. Até mesmo o guitarrista e fundador Ben Moody chegou a assumir as baquetas por um curto período de tempo nos primórdios.

Orientado pelo produtor Dave Fortman, Freese seguiu o click e teve uma atenção especial para concluir o trabalho. Suas linhas seriam reproduzidas ao vivo por Rocky Gray, que ocupou a vaga no Evanescence entre 2005 e 2007. Na época das gravações e lançamento de “Fallen”, Josh se dedicava principalmente ao A Perfect Circle, projeto que criou com o vocalista Maynard James Keenan, do Tool.

Puddle of Mudd – “Come Clean” (2001)

Dois anos antes, Josh Freese fez parte de outra estreia de peso: a do Puddle of Mudd. “Come Clean” não representou exatamente um debut, já que a banda havia lançado “Abrasive” em 1997, por um selo menor. Porém, foi o primeiro do grupo pela Geffen – e um dos últimos antes do vocalista e guitarrista Wes Scantlin transformar o grupo em praticamente um projeto solo.

Sucesso de vendas e detentor de um bom 9º lugar na Billboard 200 dos Estados Unidos, “Come Clean” trouxe Freese como baterista de estúdio – ele não era integrante oficial. O titular da vaga se tornaria Greg Upchurch, que ficou entre 2001 e 2005, com um breve retorno em 2011.

3 Doors Down – “Away from the Sun” (2002)

Ainda no mesmo período, no início dos anos 2000, Josh Freese se tornou a solução de um problema. Em “The Better Life” (2000), álbum de estreia do 3 Doors Down, o vocalista Brad Arnold acumulou a função de baterista. Para a turnê, Richard Liles foi contratado para a função, o que liberou Arnold para assumir apenas o microfone principal. Porém, Liles deixou o grupo no final de 2001.

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Arnold não pretendia voltar para as baquetas nas gravações do segundo álbum, “Away from the Sun”. Assim, Josh Freese acabou chamado para a missão em es´tudio. Terminadas as gravações, Daniel Adair foi efetivado o posto por tempo integral, tendo gravado também o próximo disco da banda, “Seventeen Days” (2005).

Avril Lavigne – “Let Go” (2002)

Josh Freese estava lá quando ninguém menos que Avril Lavigne fez sua estreia, com o hoje clássico “Let Go”. Ao lado de Joe Bonadio e Alex Elena, ele esteve entre os bateristas de estúdio contratados para gravar o disco da jovem cantora. Acabou tocando em mais músicas: “Losing Grip”, “Mobile”, “Unwanted”, “My World” e “Too Much to Ask”.

A gravação deu origem a uma história engraçada, contada pelo próprio Freese no podcast  “Appetite for Distortion” (via MusicRadar), em 2021. Basicamente, o baterista se esqueceu que havia tocado no álbum de estreia de Avril Lavigne.

“Ela era uma artista nova, com um nome estranho, e eu faço muitas sessões em estúdio. Era eu e um produtor, nenhum outro músico na sala, nenhum artista. As faixas eram basicamente feitas em Pro Tools, nós matamos quatro ou cinco músicas em uma noite.

Então meses se passaram e eu fiz dezenas de sessões. Mais ou menos um ano depois do disco tela ter saído, alguém disse: ‘ei, eu vi seu nome naquele disco da Avril Lavigne’. E eu fiquei tipo ‘nah, eu não toquei naquele disco’. E disseram: ‘aqui diz que você tocou!’. E eu: ‘Oi?! Eu não me lembro de ter gravado com ela’.

Nesse ponto, ela já era meio que uma grande estrela, mas quando trabalhei com ela, éramos só eu e meu amigo produtor Clif Magness, que estava fazendo essas faixas.”

Curiosamente, ele colaborou com ela depois disso ainda em “Under My Skin” (2004), “The Best Damn Thing” (2007) e “Goodbye Lullaby” (2011).

The Offspring – “Splinter” (2003)

Pouco antes das gravações de “Splinter”, o The Offspring se viu em uma situação complicada após perder seu baterista de longa data, Ron Welty. Josh Freese entrou em ação devido a um contato anterior com o vocalista e guitarrista Dexter Holland, cujo selo, Nitro Records, havia assinado com o The Vandals, do qual o topa-tudo fazia parte.

Feito o serviço em estúdio, Atom Willard assumiu a vaga, mas a história de Josh com o The Offspring não acabou por aí. Ele gravou a música inédita “Can’t Repeat” da coletânea “Greatest Hits” (2005), além dos álbuns “Rise and Fall, Rage and Grace” (2008) e “Days Go By” (2012). Entre 2021 e 2023, substituiu Pete Parada como um integrante não-oficial, apenas nas turnês, chegando a tocar no Rock in Rio em 2022. Deixou o trabalho justamente para se juntar ao Foo Fighters.

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The Calling – “Two” (2004)

O The Calling fez muito sucesso com seu álbum de estreia, “Camino Palmero” (2001), mas tudo mudou para o segundo disco, “Two”. A banda foi praticamente desfeita: sobraram apenas o vocalista e líder Alex Band e o guitarrista Aaron Kamin, que também assumiu as funções de baixista e backing vocal.

Dessa forma, para a bateria, os serviços de Josh Freese foram requisitados. “Two” não chegou nem perto de repetir o sucesso da estreia e não é muito querido nem mesmo entre os fãs do grupo. Ainda assim, teve êxito comercial, inclusive no Brasil, onde recebeu um disco de ouro por 50 mil cópias vendidas.

Miley Cyrus – “Breakout” (2008)

Josh Freese é o responsável pela bateria de “Breakout”, segundo álbum de Miley Cyrus. É o primeiro álbum onde a cantora tenta se desvencilhar da personagem Hannah Montana, que a tornou famosa, e faz isso de maneira convincente. Foi nesse disco que a filha de Billy Ray Cyrus começou a explorar uma veia mais orientada ao rock, que sempre existiu, mas de forma um pouco mais direta.

Entre os destaques, vale citar os singles “7 Things” e “Fly on the Wall”. Conta ainda com um cover de “Girls Just Wanna Have Fun”, sucesso de Cindy Lauper. Vale como um bom exemplo da versatilidade de Freese como baterista, fugindo um pouco do esperado.

Slash – “Slash” (2010)

O primeiro álbum solo de Slash, homônimo, foi um verdadeiro “encontro ecumênico” – e é claro que Josh Freese estaria lá. Antes do guitarrista do Guns N’ Roses iniciar a parceria com o vocalista Myles Kennedy (que participa da estreia) e a banda The Conspirators, o baterista representou uma parte importante do revival da carreira do “homem da cartola”, pela primeira vez sem um grupo por trás.

Freese toca em todas as faixas, com exceção de “Watch This”, onde foi substituído pelo convidado e futuro chefe Dave Grohl; “Starlight”, onde quem assume as baquetas é Steve Ferrone, do The Heartbreakers; e “Baby Can’t Drive”, que contou com Steven Adler (ex-Guns N’ Roses).

Menção honrosa: Guns N’ Roses – “Chinese Democracy” (2008)

Chinese Democracy” contou com quase todos os músicos de estúdio do planeta em algum momento de sua criação – o que inclui Josh Freese. Na verdade, o baterista chegou a ser um integrante oficial do Guns N’ Roses entre 1997 e 2000, período obscuro da história da banda, mas importante na concepção do disco.

Sobre sua saída, para se dedicar ao A Perfect Circle, ele também comentou com o The Drummer’s Journal.

“Imagine só, enquanto o A Perfect Circle tinha feito um disco, agendado uma turnê e assinado um contrato de gravação, o Guns N’ Roses ainda estava sentado no estúdio trabalhando naquele mesmo álbum.”

Entre idas e vindas, a bateria de “Chinese Democracy” foi gravada por Bryan “Brain” Mantia e Frank Ferrer, mas ambos usaram como base o trabalho de Freese, que foi considerado “industrial demais” por Axl Rose. No fim das contas, o baterista é creditado como coautor da faixa-título – ele próprio garante que criou o riff de abertura da música – e pelos arranjos de “Street of Dreams”, “There Was a Time”, “Riad n’ the Bedouins” e “Prostitute”.

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André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Interessado em música desde a infância, teve um blog sobre discos de hard rock/metal antes da graduação e é considerado o melhor baixista do prédio onde mora. Tem passagens por Ei Nerd e Estadão.

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