Skid Row recomeça aos trancos e barrancos com “The Gang’s All Here”

Apesar de fragilidades, primeiro álbum com Erik Grönwall (ex-H.E.A.T) nos vocais indica novo caminho para ex-gigantes do hard rock

O apequenamento do Skid Row nas últimas décadas é um fenômeno a ser estudado dentro do rock. Poucas bandas do segmento hard rock tomaram tantas decisões equivocadas como esta após a saída (ou demissão?) de Sebastian Bach.

É bem verdade que as coisas não iam bem com o vocalista, tendo em vista o criticado álbum “Subhuman Race” (1995). Todavia, o que veio depois é um legítimo manual do que não fazer com um grupo musical – e só agora, com o vocalista Erik Grönwall e o novo disco “The Gang’s All Here”, as coisas parecem começar a mudar.

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Uma zona chamada Skid Row

Os tropeços mais visíveis começam pela outra banda formada após a saída de Sebastian Bach: o Ozone Monday, com Shawn McCabe (Mars Needs Women) nos vocais. Ainda que tenham servido como atração de abertura para Kiss e Mötley Crüe, a sonoridade era bastante orientada ao rock alternativo dos anos 1990. É claro que não deu certo. O Skid Row em si voltou em 1999, sem o baterista Rob Affuso, mas com Johnny Solinger (voz) e uma alta rotatividade no banco da percussão – Phil Varone (2000 a 2004) e Dave Gara (2004 a 2010) foram os mais duradouros na vaga.

Embora o já falecido Solinger tenha sido um bom cantor, seus talentos não eram devidamente aproveitados. Colocaram-no para interpretar composições que iam do punk ao pop rock radiofônico nos álbuns “Thickskin” (2003) e “Revolutions per Minute” (2006). A situação só mudou quando, já tendo Rob Hammersmith na bateria, o grupo decidiu voltar ao hard rock que dava o tom das músicas que seguiam tocando nos shows. Nasceu daí a boa dupla de EPs “United World Rebellion”, lançados em 2013 e 2014. A promessa era ser uma trilogia, mas jamais vimos a “cor” do terceiro.

Em 2015, Johnny Solinger deixou o Skid Row. Tony Harnell (ex-TNT) foi chamado para substitui-lo, mas permaneceu por pouco mais de seis meses após ser impedido de gravar suas composições com o grupo. No ano seguinte o microfone foi assumido por ZP Theart (ex-Dragonforce), que seguiu até o início deste ano. Fez vários shows com os caras e participou do processo de gravação do novo álbum, mas foi demitido. A justificativa oficial é que ele queria “coisas diferentes” de seus colegas. Que coisas? Até agora, não sabemos.

Mudanças na formação nunca são boas, especialmente no posto de vocalista. Esta não é a única, mas é a principal explicação para que ao longo de quase duas décadas o Skid Row tenha deixado de tocar em arenas lotadas para se acomodar em casas modestas.

A gangue devidamente reunida

A saída de ZP Theart foi anunciada de forma simultânea à entrada de Erik Grönwall. O novo vocalista vem da Suécia, mas sempre demonstrou enorme paixão pelo hard rock americano. Na versão local do programa “Ídolos” (do qual foi vencedor), cantou o hit “18 and Life” na fase de seleção. A conexão era antiga e só se esperava uma oportunidade para que os astros se alinhassem.

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Já fora do H.E.A.T, banda que o consagrou mundialmente, Grönwall foi chamado para ocupar a vaga de Theart dias antes de seu primeiro show, realizado no último dia 26 de março como atração de abertura do Scorpions. Deu muito certo, o que só evidencia que a conexão prévia era muito importante.

Mais do que isso: o Skid Row, enfim, estava disposto a fazer um álbum que remetesse às suas origens. Talvez seja isso que não tenha funcionado com Theart, um cantor pouco afeito a tais referências.

Fato é que toda essa história nos faz chegar a “The Gang’s All Here”, o melhor trabalho do Skid Row desde “Slave to the Grind” (1991). Ser detentor deste título não é lá grande coisa, mas para quem tanto vacilou nos últimos tempos, é um começo.

Não é ótimo, mas é bom

É clara a intenção de resgatar elementos da sonoridade que consagrou o Skid Row entre o fim da década de 1980 e início dos anos 1990. Felizmente, porém, o grupo não se limita a isso e busca acrescentar um tempero extra.

A abertura “Hell or High Water”, por exemplo, dialoga muito mais com “We Are the Damned” e “Kings of Demolition”, faixas que iniciam os relativamente recentes EPs da série “United World Rebellion”. “Time Bomb”, ainda que presa a clichês do heavy metal, mostra uma tentativa de oferecer algo que vai além da replicação do hard rock oitentista. Por sua vez, “Nowhere Fast” tem uma tímida, mas bem-vinda influência de segmentos mais alternativos do metal.

Já as músicas mais orientadas ao hard rock são “jogo ganho”, do tipo que cairão facilmente nas graças dos fãs mais dedicados. Destacam-se daí a puramente Aerosmith “The Lights Come On”, a hard n’ heavy “World on Fire” e as linhas de guitarra caprichadas de “Not Dead Yet”.

Em todo o registro, impressiona a performance individual de Erik Grönwall. Trazê-lo para a formação foi uma escolha muito feliz. Ainda que tenha sido responsável por trazer uma abordagem ligeiramente mais pop ao H.E.A.T, o vocalista se adaptou facilmente à pegada mais pesada e intensa demandada pela banda americana.

Os demais integrantes se saem bem da forma como já se espera deles: a dupla de guitarras formada por Scotti Hill e Dave “The Snake” Sabo se mantém afiada, Rachel Bolan tem seus momentos de destaque e Rob Hammersmith parece ter compreendido bem o que se espera de suas linhas de bateria.

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É bom, mas não é ótimo

Só não dá para esquecer do que o Skid Row pode oferecer. “The Gang’s All Here” é perfeito se considerados os últimos 25 anos, mas ainda é um álbum com fragilidades.

A principal delas esbarra no fato de que o material não parece ter sido composto para Erik Grönwall. O vocalista dá aos fãs uma performance que beira o irretocável, mas por méritos próprios, não pelas canções serem realmente inspiradas. Em diversos momentos, fica a impressão de que o repertório foi concebido para ZP Theart e pouco ajustado em prol do novo cantor.

Tony Harnell já havia avisado anos atrás: o Skid Row sequer aceita colaborações autorais de seus vocalistas. Portanto, não é nada improvável que o ex-integrante do H.E.A.T simplesmente tenha recebido as faixas todas prontas só para colocar sua interpretação em cima, o que compromete a organicidade das composições.

Outro ponto de atenção é que todo o trabalho parece ter sido feito sem o capricho de tempos passados. Sim, discos não dão mais dinheiro, mas não é motivo para compor algumas faixas tão repletas de clichês. Os três singles disponibilizados – “Tear It Down”, “Time Bomb” e a faixa-título – são campeões de previsibilidade, assim como “Hell or High Water”, que, como já citado, é meio parecida demais com as canções que abrem os EPs “United World Rebellion”. Agrada quem já é fã e curte o formato, mas não é um trabalho que você mostraria a quem pouco ou nada conhece sobre o grupo.

Apesar dos problemas citados, “The Gang’s All Here” é um bom álbum. É uma questão de olhar o copo meio cheio ou meio vazio. Poderia ser ótimo, mas dada a realidade do Skid Row nos últimos tempos, dá para ficar satisfeito com o que chegou. Serve especialmente para despertar nova atenção a uma banda que começou gigante, contudo, se apequenou como passar dos anos.

Ouça “The Gang’s All Here” a seguir, via Spotify, ou clique aqui para conferir em outras plataformas digitais.

O álbum está na playlist de lançamentos do site, atualizada semanalmente com as melhores novidades do rock e metal. Siga e dê o play!

Skid Row – “The Gang’s All Here”

  1. Hell Or High Water
  2. The Gang’s All Here
  3. Not Dead Yet
  4. Time Bomb
  5. Resurrected
  6. Nowhere Fast
  7. When The Lights Come On
  8. Tear It Down
  9. October’s Song
  10. World’s On Fire

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Igor Miranda
Igor Miranda
Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital. Escreve sobre música desde 2007. Além de editar este site, é colaborador da Rolling Stone Brasil. Trabalhou para veículos como Whiplash.Net, portal Cifras, revista Guitarload, jornal Correio de Uberlândia, entre outros. Instagram, Twitter e Facebook: @igormirandasite.

6 COMENTÁRIOS

  1. O mundo inteiro se dobrando, aplaudindo e dando todos os louvores a esse PETARDO é so os obrigados a ler uma resenha péssima dessas! Se não conhece a história não fale sobre! Simples assim

    • Primeiro que ninguém te obrigou a ler. Segundo que dizer que “o mundo inteiro se dobrando, aplaudindo e dando todos os louvores a esse PETARDO” só mostra seu nível de alienação. Este não é um site de fã-clube e eu estou apenas manifestando minha opinião. Lamento que não consiga manter a conversa em um nível minimamente razoável.

  2. Opa! Vc pode criticar o trabalho alheio e não aceita uma crítica negativa da sua própria resenha? Eu hein! Não lhe faltei com respeito pessoal não! Cara doidão….

    • Também não lhe faltei com respeito pessoal e obviamente aceito críticas. Não à toa, mantive seu comentário e o respondi, apesar da argumentação falha.

      Enfim, ainda aguardo comentários que sejam um pouco mais lógicos do que dizer que “o mundo inteiro está se dobrando, aplaudindo e dando todos os louvores a esse PETARDO” (o que não é verdade), alegar que foi “obrigado a ler” o texto (o que também não é verdade) e afirmar que “não conheço a história” (outra inverdade, já que destinei quase metade do texto a recontar a história do Skid Row pós-Bach).

  3. otima resenha como sempre, bem equilibrada acerca de um disco…apenas…bom, o que é uma grande coisas após 30 anos de mediocridades da banda em questão

  4. Gostei do album, é exatamente isso, “fato é que toda essa história nos faz chegar a “The Gang’s All Here”, o melhor trabalho do Skid Row desde “Slave to the Grind” (1991).” Concordo plenamente, agora, que esse moleque canta demais ele canta, e não fica devendo em nada nos tempos de gloria do Sebastian Bach.

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