“Obi-Wan Kenobi” falha ao não entender o motivo de ter que existir

Aguardada série do Disney+ chega ao fim tentando recompensar a força, mas só consegue frustrar ainda mais o público

A frase “Será que precisávamos disso?”, se tornou clássica para fãs de Star Wars. A cada novo anúncio de futuras produções, nossos cabelos já ficam em pé aguardando a próxima bomba.

Entenda: desde 2015 com “Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força”, os estúdios Disney junto com a presidente da Lucasfilm, Kathleen Kennedy, têm tomado decisões equivocadas sobre a direção do universo criado por George Lucas. Da mesma forma que somos agraciados com algumas excelentes obras, também somos obrigados a suportar erros colossais.

Contudo, após entregar Luke Skywalker em “Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith”, o lendário mestre Jedi, Obi-Wan, só volta a surgir muitos anos depois, já idoso, em “Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança”. Ou seja: existe uma lacuna de tempo muito grande e que cedo ou tarde precisava ser contada.

Sendo assim, com o formato de série de TV em seis episódios, eles decidiram produzir “Obi-Wan Kenobi”. Disponível no Disney+, o seriado apresenta uma série de problemas.

*Este texto contém alguns spoilers, mas que não prejudicam em nada a experiência final.

A premissa de “Obi-Wan Kenobi”

“Obi-Wan Kenobi” se passa dez anos após o Episódio III. Aqui temos o Império cada vez maior e tentando, através de seus inquisidores, aniquilar os últimos Jedi que sobreviveram à ordem 66.

Escondido em Tatooine e protegendo o jovem Luke, Obi-Wan (Ewan McGregor) tenta sobreviver a esse cenário. Agora velho e cheio de amarguras e arrependimentos, o então mestre Jedi apenas aguarda por dias melhores. Porém, após a pequena Leia (Vivien Lyra Blair) ser sequestrada, o agora chamado Ben é obrigado a desenterrar seu sabre de luz e salvar a pobre criança, enquanto, no caminho, tem de enfrentar seu passado – ou seja, Darth Vader.

Particularmente, achei um erro um personagem tão grande quanto Obi-Wan ter uma história contada no streaming e não no cinema. Mas me convenci que isso poderia ser um ponto positivo, já que teriam mais tempo de tela para o desenvolvimento de certos conflitos – que estão presentes em toda a série, mas por conta da decisão equivocada em dar atenção a uma aventura de resgate, acabam ficando de lado.

Aqui temos a chance de acompanhar todo o sofrimento de um Obi-Wan, que foi obrigado a passar por tudo o que passou. Um personagem que está tão cheio de dúvidas, medo, mágoas e sentimentos que justamente um Jedi não deveria ter.

Há ainda toda a ascensão de Darth Vader, ainda com pequenos sinais de Anakin Skywalker, mas que estão ali, na cara do gol pra serem desenvolvidos de forma até mesmo mais densa do que nos filmes. O acréscimo da personagem Reva, interpretado muito bem pela atriz Moses Ingram, traz um sentimento de fúria e vingança que muitas vezes se assemelham com o que se tornou Anakin.

Uma ideia rica jogada no lixo

Era pra “Obi-Wan Kenobi” ser uma história grandiosa de redenção, de descoberta, de acerto de contas. Algo que falasse sobre interior de dois homens completamente rachados e que ainda precisavam resolver suas pendências.

Em vez disso, a série se tornou uma mistura de bons momentos – que te fazem torcer por um desenvolvimento maior que não acontece – com uma mera operação de resgate infantil.

No último episódio, na grande luta entre Obi-Wan e Darth Vader, eles fizeram justamente o que esperávamos a série toda. Trocaram a grandeza e focaram no diálogo. É primorosa a conversa final entre mestre e padawan e ainda com o acréscimo das cores, da fotografia, do capacete de Darth cortado ao meio e sua voz se misturando entre James Earl Jones e Hayden Christensen.

Apesar da luta ser fraca e mal dirigida, o diálogo e as lágrimas de Ewan McGregor contrastadas com o ódio no olhar de Christensen são lindos de se ver. Mas também frustra a sensação de que “Obi-Wan Kenobi” deveria ser aquilo: uma amplificação do que foram aqueles 5 minutos do último episódio. Uma pena.

Volta de nomes conhecidos

Ewan McGregor volta de forma impecável ao papel de Obi-Wan. Isso só torna a experiência pior, porque dói ver um grande ator ser tão desperdiçado e ter apenas uma grande cena.

O controverso Hayden Christensen finalmente se assume como Darth Vader – desta vez, apenas usando capacete. E com a ajuda da maquiagem e da voz do eterno James Earl Jones, ele consegue nos dar toda a dimensão da crueldade e poder do grande ícone da cultura pop que interpreta. Em “Rogue One” – e agora em “Obi-Wan Kenobi” –, pudemos ter o Darth Vader que sempre sonhamos em ver.

Além dos outros nomes citados, o elenco conta com Sung Kang (o eterno Han de “Velozes e Furiosos”), Joel Edgerton e Kumail Nanjiani (“Os Eternos”). Há ainda a linda participação do ator Jimmy Smits, que volta a reprisar seu papel da primeira trilogia de “Star Wars”, interpretando Bail Organa.

Estrago sem conserto?

“Obi-Wan Kenobi” termina deixando claro que teremos uma segunda temporada. Contudo, ao meu ver, o estrago não tem mais conserto.

Perdemos a chance de ver uma história grandiosa, de dois personagens grandiosos e que pudessem honrar o caminho que nos levaria até o Episódio IV e ao ator original de Obi-Wan, Sir Alec Guiness – que, certamente, estaria muito chateado com o que fizeram se estivesse vivo.

Entenda: a série não é ruim, mas machuca não entender como uma série de profissionais pode pegar algo tão grandioso e demonstrar, de forma tão ampla, não fazer ideia do que está fazendo. Obi-Wan merecia muito mais.

“Obi-Wan Kenobi” está disponível no Disney+.

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