Lars Ulrich se arrepende de ter negado músicas do Metallica a “Kill Bill: Volume 1”

Cenas de luta foram coreografadas por Quentin Tarantino pensando em músicas da banda, mas baterista não entendeu roteiro na época

Lançado em 10 de outubro de 2003, “Kill Bill: Volume 1” se tornou um dos filmes referenciais quando o assunto é misturar artes marciais, sanguinolência e influências de Western Spaghetti. A obra explicitava a admiração de Quentin Tarantino pela cultura e o cinema asiático, com direito a participações de artistas locais muito reconhecidos por lá e nem tanto no mercado ocidental.

A trilha sonora contava com nomes da estirpe de Nancy Sinatra, RZA, Quincy Jones e Charlie Feathers. Porém, a cereja do bolo na concepção do cineasta seria o Metallica. Tarantino pediu a liberação de duas músicas do disco reconhecido mundialmente como “Black Album”: “Enter Sandman” e “Sad But True”. A ideia era combiná-las com cenas de luta da película.

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Porém, a liberação não foi concedida. Em entrevista ao IndieWire, realizada em 2011, o baterista Lars Ulrich explicou como se deu a abordagem.

“Um dos 30 minutos mais surreais da minha vida foi ter Quentin Tarantino a 15 centímetros do meu rosto, olhos dançando, intensamente animados. Ele explicou como havia escrito e coreografado as duas principais cenas de luta do filme Kill Bill para ‘Enter Sandman’ e ‘Sad But True’. Chutes sincronizavam com pratos quebrando. Corpos rodopiavam ao ritmo das músicas. A magia cinematográfica do próximo nível de Tarantino, casada com o som do Metallica.

Ficamos empolgados com essa ideia pelo resto da noite, e a euforia continuou por dias. Finalmente, ta-da!! O roteiro. Todas as 180 páginas. Cara, era grosso e denso. Eu me joguei de cabeça. Então algo lentamente começou a acontecer. História, linguagem, reviravoltas, brincadeiras de kung fu e jargão – à medida que fui avançando cada vez mais, fiquei cada vez mais intrigado.”

Sendo assim, o que poderia ter acontecido para a recusa da liberação? Lars atribui a situação a um choque cultural.

“Página por página, percebi que a maior parte disso foi escrita em um idioma fora do meu domínio de compreensão. Eu nunca tinha encontrado uma narrativa como essa, ambientada em uma cultura muito estrangeira de artes marciais e mitos asiáticos. Eu não conseguia enrolar minha cabeça dinamarquesa em torno dele. Eu defendia seus filmes e o amava como pessoa. Mas, no final das 180 páginas, fiquei um pouco confuso e me senti muito chato por não ter entendido.

Ao longo das próximas semanas, a coisa toda fracassou enquanto eu continuava não confiando em meus instintos. No final, nunca mais retornei o contato de Tarantino. Provavelmente o maior erro que cometi no departamento criativo.”

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O sucesso de “Kill Bill: Volume 1”

“Kill Bill: Volume 1” faturou US$ 180 milhões em bilheteria, valor que multiplicava em seis vezes o orçamento desprendido em sua criação. Ganhou continuação no ano seguinte.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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