Jeff Scott Soto conta como lidou com o racismo no rock durante os anos 1980

Filho de porto-riquenhos, vocalista que trabalhou com Yngwie Malmsteen e várias outras bandas percebeu cedo que precisaria se esforçar muito para obter destaque em uma cena musical majoritariamente branca

Nascido em Nova York e filho de porto-riquenhos, Jeff Scott Soto não é um estranho aos preconceitos que a comunidade latina enfrenta nos Estados Unidos.

Em entrevista ao podcast “(Don’t) Quit Your Day Job”, transcrita pelo Blabbermouth, o cantor foi questionado se alguma vez sentiu que não recebeu o que lhe era justo por causa do tom mais escuro de sua pele.

“Com certeza. Claro que passei por isso, especialmente nos anos 1980, quando esse estilo de hair bands, ou como você quiser chamá-las. Muitos de seus frontmen eram descendentes de caucasianos, tinham olhos verdes ou azuis e cabelos loiros. Eu não me encaixava nesse molde. Claro, havia exceções. Stephen Pearcy, do Ratt, é espanhol. Acredito que Vince Neil é meio espanhol. Mas eles não ostentavam esse visual tanto quanto eu.”

- Advertisement -

Soto compreendeu que precisava se esforçar além do que suas qualidades musicais ofereciam para ser notado.

“Sempre pensei: ‘preciso mudar a forma como as pessoas me veem, porque meu talento não é o suficiente, não vai fazer isso sozinho; eu tenho que me certificar de que eu me encaixe também com a imagem’. Porque com o visual que tinha quando estava com Yngwie, não teria funcionado em termos de ganhar notoriedade. Então, fiz coisas como descolorir parte do meu cabelo, deixá-lo crescer mais e usar roupas diferentes. Tentei me remodelar para me encaixar.”

Leia também:  O detalhe em que Mick Jagger supera Paul McCartney, segundo Sammy Hagar

Sobre Jeff Scott Soto

Atualmente com 56 anos, Jeff Scott Soto despontou como vocalista da banda do guitarrista sueco Yngwie Malmsteen em seus primeiros discos, que se tornaram referenciais no estilo neoclássico. O destaque o fez trabalhar com outros guitar heroes, como o alemão Axel Rudi Pell, o japonês Kuni e o italiano Alex Masi.

Possui um catálogo de bandas das quais participou, gravações como convidado especial e participações ao vivo que fogem ao tamanho do espaço aqui reservado. Portanto, vamos nos ater apenas aos principais.

Sua banda mais longeva foi o Talisman, em parceria com o baixista Marcel Jacob. O grupo construiu reputação na cena hard rock europeia, existindo entre 1989 e 2007. Acabou após Jeff ser chamado para o Journey. Uma reunião estava sendo planejada quando Marcel cometeu suicídio.

Leia também:  Há 51 anos, David Bowie lançava “Aladdin Sane”; veja outros fatos da música em 13 de abril

Nos últimos anos vem trabalhando com Ron “Bumblefoot” Thal, Billy Sheehan, Mike Portnoy e Derek Sherinian no Sons of Apollo, supergrupo prog. Paralelamente à carreira solo, voltada ao AOR/melodic rock, comanda o Soto, com sonoridade mais pesada e moderna. Também possui o W.E.T., com membros do Work of Art e Eclipse.

Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | Twitter | Facebook | YouTube.

ESCOLHAS DO EDITOR
InícioCuriosidadesJeff Scott Soto conta como lidou com o racismo no rock durante...
João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

DEIXE UMA RESPOSTA (comentários ofensivos não serão aprovados)

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui


Últimas notícias

Curiosidades