A banda Slash’s Snakepit, formada por Slash em 1995 durante um hiato do Guns N’ Roses

Como rejeição de Axl Rose fez nascer primeiro álbum do Slash’s Snakepit

Projeto surgiu com o guitarrista ainda no Guns N’ Roses, em jams sem compromisso que deram tão certo que deram origem a um disco

Ao fim da longa turnê dos álbuns “Use Your Illusion”, em 1993, o Guns N’ Roses estava em uma espécie de limbo. Axl Rose assumia cada vez mais o controle e ditava as regras sem o consentimento de outros membros. Cansado, Slash resolveu trabalhar em algumas músicas por conta própria, dando origem ao projeto Slash’s Snakepit.

O guitarrista começou a compor músicas sem um destino definido. Em sua autobiografia, ele cita ter mostrado algumas das composições para Axl, que as rejeitou, determinado a fazer a banda seguir um caminho diferente.

Em entrevista para a Rolling Stone, no ano de 2018 (quando a parceria com Rose já havia sido retomada), o músico minimizou o ocorrido. Na nova versão da história, disse que eram apenas de alguns riffs e ideias.

“Sei que existiam alguns riffs, mas, provavelmente, não iriam a lugar nenhum, então eu apenas pensei: ‘ok, tudo bem’. Foi mais ou menos o que aconteceu. Ninguém ficou empolgado em trabalhar naquelas músicas, então, o restante do disco (do Snakepit) é de coisas novas que eu estava compondo.”

Fato é que o guitarrista da cartola estava compondo em um estúdio montado em sua casa, que era chamado de “Snakepit”. Ali ele recebia com frequência o baterista Matt Sorum, companheiro de Guns N’ Roses, e o guitarrista Gilby Clarke, já demitido por Axl. Logo o baixista do Alice in Chains, Mike Inez, começou a frequentar as jams que rolavam, criando assim o embrião do que seria o Slash’s Snakepit.

Slash’s Snakepit: só por diversão

A diferença desse projeto em relação a outros foi justamente a forma como ele surgiu. Oficialmente, Slash ainda fazia parte do Guns N’ Roses, assim como Matt Sorum, então não havia a pressão de emplacar. As jams no estúdio do guitarrista simplesmente foram surgindo naturalmente, com demos gravadas e trabalho de produção feitos pelo prazer da coisa toda.

Faltava apenas um vocalista, vaga preenchida por Eric Dover, então guitarrista do Jellyfish, que chegou por intermédio de um amigo em comum com Slash. Dover também assina as letras junto do músico do Guns, em um processo onde foi necessário improvisar os vocais em cima das demos, que já estavam prontas de forma instrumental.

Em entrevista ao site Al.com, o vocalista relembrou sua audição para a banda, durante a qual acabou escrevendo a letra de “Beggars & Hangers-On”, primeiro single do grupo.

“Slash tocou para mim algumas músicas. Tocou o que se tornaria a música “Beggars & Hangers-On”. Eu meio que escrevi a letra na hora e cantei. E isso era muito da parte boa, a parte desafiadora de trabalhar com Slash era que a música estava praticamente pronta – havia a intensidade de escrever as letras muito rápido. Ele me ligou depois dessa audição e perguntou se eu estava a fim de fazer isso, no que eu disse: ‘sim’.”

Cinco horas em algum lugar

Capa de "It's Five O'clock Somewhere", álbum do Slash's Snakepit
Capa de “It’s Five O’clock Somewhere”, álbum do Slash’s Snakepit

O primeiro álbum do Slash’s Snakepit recebeu o título de “It’s Five O’Clock Somewhere”. A produção foi assinada por Mike Clink, que também trabalhou em discos do Guns N’ Roses.

O vínculo com a antiga banda não para por aí: Dizzy Reed e Teddy “Zig Zag” Andreadis, tecladistas e percussionistas do Guns, também participaram das gravações. Outro nome creditado é o do onipresente percussionista brasileiro Paulinho da Costa.

Apesar de não terem feito parte do projeto oficialmente, o baixista Duff McKagan e o guitarrista Izzy Stradlin assinam como coautores de duas músicas do álbum. O primeiro contribuiu com a já citada “Beggars & Hangers-On”, e o segundo colaborou com “Soma City Ward”. Isso pode indicar que eles fizeram parte das jams iniciais do projeto em algum momento – ou que as faixas presentes no disco chegaram a ser trabalhadas pelo Guns antes mesmo da saída de Stradlin, no fim de 1991.

O futuro do Slash’s Snakepit e do Guns N’ Roses

Mais um elo une “It’s Five O’Clock Somewhere” ao Guns N’ Roses: a gravadora responsável por lançar o álbum, em fevereiro de 1995, foi a Geffen Records.

Slash era contra o uso de seu nome à frente da banda, preferindo apenas The Snakepit. Porém, os executivos do selo artístico faziam questão de citá-lo como líder do projeto – função que ele sempre negou, dizendo que todos contribuíam livremente com ideias.

Após o lançamento, o grupo caiu na estrada, mas já sofrendo duas baixas. Mike Inez e Matt Sorum tiverem problemas de agenda e foram substituídos, respectivamente, por James LoMenzo e Brian Tichy, que formavam a cozinha do projeto Pride & Glory, do guitarrista Zakk Wylde.

Com uma turnê bem-sucedida e um álbum elogiado pelos fãs e crítica, chegando a vender um milhão de cópias mundialmente, o Slash’s Snakepit tinha tudo para decolar. Em entrevista a uma publicação francesa, em 1996, Sorum chegou a demonstrar um certo ressentimento com o fato de Axl Rose não ter aprovado as primeiras ideias de Slash, que acabaram entrando para o disco.

“O álbum do Snakepit poderia ter sido o novo álbum do Guns ‘N Roses, mas Axl achou que não era bom o suficiente.”

Ao fim da turnê, Slash colocaria o projeto em hiato, retornado ao Guns N’ Roses para tentar gravar um novo álbum. Contudo, a situação já era insustentável e o guitarrista saiu oficialmente em outubro de 1996.

O Snakepit foi reativado para mais um álbum, “Ain’t Life Grand”, lançado em 2000, mas já com uma formação completamente diferente – e sem os méritos do trabalho de estreia.

* Texto por André Luiz Fernandes, com pauta e edição por Igor Miranda.

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1 comentário
  1. acho Ain’t Life Grand bem melhor que esse trabalho de estreia, não costumo concordar com axl rose mas, dessa vez, estou com ele quanto a qualidade geral desse disco, no minimo, chato e enfadonho excetuanto duas ou tres musicas

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