A trágica história da morte de Cliff Burton, lendário baixista do Metallica

Músico faleceu com apenas 24 anos de idade em um acidente de ônibus

Em 27 de novembro de 1986, o Metallica foi rapidamente do céu ao inferno ao perder o baixista Cliff Burton. Após um show em Estocolmo, na Suécia, durante a turnê do aclamado álbum “Master of Puppets” (1986), o ônibus da banda sofreu um acidente que matou o músico, então com 24 anos.

A apresentação realizada na capital sueca, na noite anterior, em 26 de setembro, é lembrada como um bom momento pelos integrantes do Metallica. Na ocasião, o vocalista e guitarrista James Hetfield se recuperava de uma lesão no braço e voltava a assumir as duas funções. Enquanto não podia tocar guitarra, ele ficou apenas cantando, com John Marshall (Metal Church) atuando como um quinto integrante provisório.

Em entrevista à Rolling Stone, o baterista Lars Ulrich e o guitarrista Kirk Hammett relembraram o show em questão. Hammett enfatizou a atmosfera positiva que a recuperação de Hetfield trouxe para a banda.

“Lembro de nós cinco, incluindo John Marshall, estarmos impressionados com James estar de volta, tocando e parecendo que estava bem recuperado. Lembro de forma distinta que esse show foi bom e o sentimento era bom e positivo.”

Ulrich, por sua vez, destacou o sentimento pós-show, com todos bem-humorados e contentes com o próprio desempenho. Infelizmente, as coisas mudariam totalmente na vida dos integrantes do Metallica menos de 24 horas depois.

“O show em Estocolmo foi muito bom. Foi um caso raro onde tocamos uma música adicional que não estava no repertório, pois o show foi realmente bom.”

O ônibus do Metallica

Kirk Hammett recordou, ainda à Rolling Stone, da saída do ônibus da turnê de Estocolmo, com os fãs perseguindo o veículo. Cliff Burton achava graça da situação e logo os dois começaram a jogar cartas para passar o tempo.

“Os fãs começaram a correr atrás de nós. E Cliff disse: ‘veja isso, parecem zumbis!’. Ele curtia zumbis. Todos começamos a rir. Então, começamos a jogar carteado. Tivemos uma longa, longa viagem. E todos sabem o restante disso.”

A aposta envolvendo a jogatina acabou sendo mais importante do que eles imaginavam: os músicos disputavam quem iria dormir em qual lugar do ônibus, já que as queixas sobre falta de conforto eram comuns. James, com dores de garganta, foi para o fundo do veículo, enquanto Kirk perdeu seu lugar para Cliff, que o derrotou no carteado.

O acidente que matou Cliff Burton

Pouco antes das 7 horas da manhã do dia 27 de setembro, todos no ônibus foram acordados com o veículo balançando muito. Em seguida, o ônibus tombou.

Em meio ao caos que se seguiu, foi descoberto que Cliff Burton estava morto. Ocupando o antigo lugar de Kirk Hammett no veículo, ele foi arremessado pela janela e o ônibus acabou tombando em cima dele.

Segundo o motorista, o acidente ocorreu ele perder o controle do ônibus por conta de “gelo negro”, uma fina camada de gelo que se forma entre os pneus e o asfalto da estrada, fazendo com que derrapassem. James Hetfield e outras testemunhas caminharam pela estrada logo após o incidente e afirmam que não encontraram nenhum sinal do fenômeno.

Interrogado, o motorista jurou estar descansado e não ter dormido ao volante. Os músicos do Metallica nunca aceitaram a história totalmente, chegando a cogitar que o homem estivesse alcoolizado ou drogado quando assumiu a direção. O condutor de outro veículo, que levava a equipe da banda, testemunhou em favor do colega, que não sofreu nenhuma punição.

Em entrevista ao In The Studio, James Hetfield relembrou a dolorosa primeira impressão ao ver o corpo do baixista prensado por baixo do veículo. Naquele momento, ele e os outros integrantes do Metallica tiveram um sentimento desagradável.

“Encontrar seu amigo esmagado não é algo que alguém queira ver. A primeira reação foi de raiva. Caminhei um pouco e ouvi o pessoal da equipe, que estava preso nas ferragens. Gritavam de dor, com ossos quebrados.”

O futuro incerto

Relatos dão conta de que um guindaste teria tentado levantar o ônibus para retirar Cliff Burton. Porém, o engate teria escapado, fazendo o veículo cair de novo sobre o baixista.

De qualquer forma, o músico morreu imediatamente após o acidente. Uma perda que afetou não só o Metallica, mas toda a cena do thrash metal na época.

Dave Mustaine, ex-guitarrista do Metallica e líder do Megadeth, escreveu a música “In My Darkest Hour” em homenagem ao antigo colega. O Anthrax também dedicou o álbum “Among the Living” (1987) a ele, assim como o Metal Church, banda de John Marshall, fez com o disco “The Dark” (1986).

Dentro do Metallica, a morte de Cliff Burton causou um turbilhão. A banda tirou um intervalo de duas semanas após o funeral do baixista e se reuniu para decidir o destino. Eles optaram por continuar, mas para Kirk Hammett, houve pouco tempo de descanso entre o acidente e a retomada – algo que afetaria a vida de todos.

“Foi complicado ligar para amigos e familiares. Reviveu tudo, ainda fresco em nossas memórias. Ao voltarmos para casa, ainda lidamos com a sensação da perda e o funeral. Hoje, penso que não demos tempo suficiente para a recuperação. Voltamos duas semanas depois para decidirmos seguir em frente.”

Para a vaga de baixista, Jason Newsted, do Flotsam and Jetsam, foi chamado, fazendo sua estreia no EP “The $5.98 E.P. – Garage Days Re-Revisited”, lançado no ano seguinte. Hoje, sabe-se que a recepção dele na banda não foi nada tranquila e muito disso se deve ao fato de que os membros do Metallica se afundaram ainda mais em drogas e bebidas após a perda de Cliff.

Em 2016, quando a morte de Cliff Burton completou 30 anos, James Hetfield publicou um comunicado no site oficial do Metallica. No texto, ele resume o sentimento que permeia os membros da banda e os fãs até os dias de hoje, quando se fala no baixista.

“Sinto muita falta de Cliff. Penso nele com frequência. Mas isso faz com que eu perceba que ele está aqui em espírito. Não está fisicamente, mas há pessoas que permanecem aqui fisicamente, então vamos aproveitar.”

* Texto desenvolvido em parceria por André Luiz Fernandes e Igor Miranda. Pauta e edição geral por Igor Miranda; redação, argumentação e apuração adicional por André Luiz Fernandes.

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