Em 2023, Paul Stanley deixou claro que não tinha interesse em uma reunião da formação original do Kiss. O vocalista e guitarrista afirmou que, caso ele e Gene Simmons tivessem tocado com Ace Frehley e Peter Criss no Rock and Roll Hall of Fame, em 2014, a banda seria mais como “Piss”, um trocadilho com o nome do grupo que remete a algo ruim ou sem qualidade.
Como esperado, a declaração irritou o saudoso Spaceman. À época, Frehley alegou que o comentário era resultado da “frustração e insegurança de Paul por precisar fazer playback” e uma tentativa de convencer os fãs de que ele não era confiável.
Tommy Thayer, por outro lado, achou graça da fala. Recentemente, o guitarrista comentou o assunto em entrevista para o livro “The Great American Nightmare: An Oral History of the Howard Stern Show”, conforme compartilhado pelo site Ultimate Guitar.
Para o músico, a piada acabou sendo a maneira do Starchild “levar a situação na brincadeira”. Porém, ao mesmo tempo, acredita que “havia um fundo de verdade” na colocação, visto a complexa dinâmica interna de uma banda:
“Acho que essa foi apenas a maneira do Paul de levar a situação na brincadeira. Muita gente não entende como as coisas realmente funcionam dentro da dinâmica de uma banda. Isso acontece com certas pessoas por causa do comportamento pouco profissional delas e das coisas que fizeram. E a verdade é que elas não conseguiriam atingir o nível necessário para tocar na banda hoje. Achei meio engraçado. Mas havia um fundo de verdade, e essa é a realidade. É assim que as coisas são.”
Kiss / Piss: a declaração de Paul Stanley
Como mencionado, Paul Stanley e Gene Simmons optaram por não tocar na cerimônia do Rock and Roll Hall of Fame, em 2014, com Ace Frehley e Peter Criss, rompendo a tradição de os homenageados se apresentarem durante o evento. Durante aparição no The Howard Stern Show, o Starchild explicou o motivo.
“A essa altura, isso seria humilhante para a banda e também confundiria algumas pessoas. Se você visse pessoas no palco que se parecessem com o Kiss, mas soassem assim, talvez devêssemos ser chamados de Piss (nota: xixi em inglês literal, mas expressão que evoca associação a algo ruim).”
A seguir, o vocalista e guitarrista rítmico exaltou o lineup com Tommy Thayer na guitarra solo e Eric Singer na bateria.
“Temos muito orgulho dessa formação, que já é o Kiss há 20 anos. Não são recém-chegados. É o grupo que carregou a bandeira e a levou, realmente, a outro patamar. Esta é a banda com a qual eu sempre sonhei.”
Ace Frehley se irrita
Ao ver tal declaração, Ace Frehley ficou irritado com o ex-colega e abordou o tópico publicamente. Ao programa Trunk Nation With Eddie Trunk (via BraveWords), o guitarrista criticou a atitude do Starchild e destacou:
“Estou chateado, mas o que mais me irrita é o que ele disse. Porque naquela época eu já estava oito anos sóbrio. E, com essa declaração, ela está tentando convencer os fãs de que eu não era confiável na época. É uma falsidade completa, uma mentira. Eu acho que ele está chateado que eu deixei o grupo e ainda sou bem-sucedido. E eles nem sempre esgotam os shows. Muitas vezes eles dão ingressos.”
O músico ainda disse estar incomodado com a postura de Stanley no palco e com o suposto uso de playback durante os shows do Kiss. Em suas palavras, isso afetava diretamente o seu bolso, mesmo que não fizesse mais parte da banda:
“Isso é a frustração e a insegurança de Paul por precisar fazer playback. Sou apenas meses mais velho e ainda consigo tocar, o que ele não consegue. É muito lamentável, estou muito triste com o fato de que ele está usando fitas pré-gravadas. Está barateando a marca, o que afeta meus ganhos, porque eu ainda sou pago pelo merchandising e pelo o que o Kiss faz.”
Diante de toda essa situação, Ace deu um prazo de uma semana para que Paul pedisse desculpas formalmente pela brincadeira do “Piss”. E, de volta ao programa de Trunk, disse ter recebido uma rápida ligação de Stanley dizendo “vá se f#der, não vou me desculpar” e desligando em seguida:
“Ele me ligou, não muito após o programa de rádio ter acabado. Fiquei até surpreso pela ligação, pois vi o nome dele aparecer no meu celular. Falei com ele por aquele número várias vezes. Daí achei que ele estava me ligando para se desculpar ou ao menos explicar por que ele falou aquilo. […] Mas no lugar disso, recebi uma ligação de 5 segundos onde ele disse: ‘vá se f#der, Ace, não vou me desculpar’. E desligou. Não foi homem o bastante nem mesmo para me deixar explicar por que fiquei chateado ou qualquer coisa.”
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