Neil Peart entrou para o Rush em 1974. Para além da bateria, o músico destacou-se como principal letrista do grupo, que tinha uma dinâmica própria e diferente de trabalho, conforme explicado pelo saudoso integrante.
Ao The Strombo Show em 2014, o artista mencionou que o vocalista, baixista e tecladista Geddy Lee era “muito meticuloso” na hora da composição. Já o guitarrista Alex Lifeson, em contrapartida, acabava guiado pela espontaneidade, sobretudo em relação aos solos.
Conforme resgatado pelo site Ultimate Guitar, Peart trouxe o seguinte relato:
“Geddy é muito meticuloso e chama a mixagem de ‘a morte da esperança’. Alex é uma pessoa muito mais espontânea em todos os sentidos. Ao aprender uma parte rítmica para uma música, consegue fazer isso de maneira mais metódica. Mas, nos solos, ele simplesmente manda ver naturalmente. Essa é a natureza e o dom dele. Geddy e eu somos meticulosos quando trabalhamos juntos em um arranjo. Enquanto isso, Alex fica sentado, mexendo em uma guitarra, e alguém pergunta: ‘o que foi isso que você acabou de tocar?’. Ele responde: ‘não sei’.”
Geralmente, enquanto Peart cuidava das letras, os companheiros focavam na parte musical. Para o baterista, nesses momentos, ficava clara a química profissional entre os colegas:
“Nós nos dividimos perfeitamente, porque, quando estou trabalhando nas letras, Geddy e Alex estão trabalhando na música. Geddy simplesmente sabe como fazer. Ele liga o gravador, os dois começam a tocar e, mais tarde, ele seleciona os momentos geniais que Alex produziu ao longo do processo. Isso também faz parte da química entre eles.”
Geddy Lee concorda com Neil Peart
Geddy Lee concorda com a visão. Conversando com Rick Beato recentemente, o cantor, baixista e tecladista detalhou o seu método no estúdio em comparação aos dos outros membros:
“Al e eu sempre moramos na mesma cidade. Então, geralmente, ele ia até a minha casa, compúnhamos músicas juntos e fazíamos improvisações. Depois, ele se sentava no sofá atrás de mim e pegava no sono, enquanto eu analisava metodicamente cada detalhe do que tínhamos tocado, recortando e juntando as partes até montar algo completamente sem sentido ou algo que ele considerasse um ótimo riff, com uma boa sonoridade. Então, eu começava a acrescentar e retirar tempos, até tornar tudo impossível de tocar, aprender e memorizar. Quando resolvíamos essas questões, enviávamos o material para Neil, que dava sua opinião, e continuávamos a partir daí.”
Sobre Neil Peart
Nascido em Hamilton, Ontario, Canadá, Neil Ellwood Peart se destacou como baterista e principal letrista do Rush a partir de 1975 até o encerramento da banda. Também organizou tributos a Buddy Rich, além de tocar em discos de Jeff Berlin e Vertical Horizons. Ainda gravou vídeos detalhando sua técnica.
Lançou sete livros baseados em suas aventuras pelo mundo e filosofias, além de outros 4 de ficção. Três deles eram baseados na saga do álbum “Clockwork Angels”, último de inéditas do Rush. O músico morreu no dia 7 de janeiro de 2020, em decorrência de um glioblastoma, forma agressiva de câncer no cérebro.
Rush no Brasil
O Rush excursionará pela América do Norte ao longo de 2026. No ano seguinte, levará a “Fifty Something Tour” para outros continentes. O Brasil recebe o trio em entre 22 de janeiro e 4 de fevereiro para seis shows:
- 22 de janeiro de 2027 – Curitiba – Arena da Baixada
- 24 e 26 de janeiro de 2027 – São Paulo – Allianz Parque
- 30 de janeiro de 2027 – Rio de Janeiro – Estádio Nilton Santos (Engenhão)
- 1 de fevereiro de 2027 – Belo Horizonte – Estádio Mineirão
- 4 de fevereiro de 2027 – Brasília – Arena BRB Mané Garrincha
Anika Nilles é a responsável pela bateria na nova fase da banda. Em outubro do ano passado, a musicista alemã foi anunciada como substituta de Neil Peart. Agora, a formação ainda traz o tecladista Loren Gold.
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