Bad Omens encerra segundo dia de Palco Sunset no Rock in Rio 2026 com melancolia barulhenta

Banda americana equilibra peso, atmosfera sombria e melodias emotivas em show que pede uma apresentação própria no Brasil

“Eles são tipo o Bring Me The Horizon, só que com menos grana.” A definição do Bad Omens fornecida por um colega da crônica musical não é de todo ruim, embora haja muito menos intersecções entre as bandas do que de saída parece. Quando o headliner do Palco Sunset neste sábado (5) tomou forma, em 2015, o BMTH, já na ativa havia uma década, estava prestes a lançar seu quinto álbum de estúdio. Há influências, é lógico, mas existe algo de etéreo no som do Bad Omens que lhe confere uma aura quase mística, totalmente oposta ao caos hormonal proposto por Oliver Sykes e sua turma.

Não que a galera de Richmond, na Virgínia, nos Estados Unidos, não tente equiparar forças. A adesão, com direito a sinalizadores — e até à tropa de choque do Rock in Rio entrando em ação para combater o uso do artifício, que já virou lei em shows por aqui — demonstra que Noah Sebastian (voz), Joakim Karlsson (guitarra), Nicholas Ruffilo (baixo) e Nick Folio (bateria) estão no caminho certo. Ao tecer elogios ao público, Noah repete tanto aquela palavrinha em inglês com “f” que até Fred Durst ficaria constrangido. Mas, para pedir que a galera abra a roda, é um fofo, com direito a “por favor” e “obrigado”.

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Econômico nas palavras, pôs na conta do tempo reduzido de set — “priorizemos a música” — o blá-blá-blá abreviado, mas seguiu à risca, dentro do que o cronograma lhe permitiu, o setlist que vem sendo tocado ao longo do atual giro mundial, denominado “Do You Feel Love”. O título vem da letra de “Specter”, o número de abertura e, para quem teve o coração partido, o equivalente a um alçapão no fundo do poço. O tema é recorrente no repertório e evidencia tanto uma herança do emo quanto a necessidade de terapia a seus autores. “The Death of Peace of Mind”, “Dying to Love” e “Just Pretend” foram as maiores responsáveis por lágrimas furtivas e choros para carpideira nenhuma botar defeito. Da fatia pesada, a de efeito mais destrutivo foi “Artificial Suicide”, com seu refrão do tipo lavagem de alma, extrator de demônios.

Foi apenas a segunda vez do Bad Omens no Brasil — e também a segunda em ambiente de festival. Se deu tão certo em um espaço tão propício à dispersão, fica a pergunta: como seria em ambiente fechado, no clima de comunhão que letra e música ali parecem exigir? O Bad Omens já tem público e repertório para isso. Falta agora descobrir o tamanho que pode alcançar quando tiver uma noite inteira, sem relógio.

Setlist Bad Omens

  1. Specter
  2. Glass Houses
  3. The Death of Peace of Mind
  4. Dying to Love
  5. Nowhere to Go
  6. Artificial Suicide
  7. Left for Good
  8. Like a Villain
  9. Just Pretend
  10. Impose
  11. Concrete Jungle

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Marcelo Vieira
Marcelo Vieirahttp://www.marcelovieiramusic.com.br
Marcelo Vieira é jornalista graduado pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA), com especialização em Produção Editorial pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Há mais de dez anos atua no mercado editorial como editor de livros e tradutor freelancer. Escreve sobre música desde 2006, com passagens por veículos como Collector's Room, Metal Na Lata e Rock Brigade Magazine, para os quais realizou entrevistas com artistas nacionais e internacionais, cobriu shows e festivais, e resenhou centenas de álbuns, tanto clássicos como lançamentos, do rock e do metal.

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